14.1.18

A Morte No Copo

É como se a lua fosse a pedra entre meus mamilos
Em uma salada de frutas com banana tropical,
Soando mais alto do que a porção dos grilos
Que eu guardo dentro do meu arquivo mental.
Deitado na cegueira de seus traços,
Preenchendo os meus pedaços,
Com o pouco que tenho do que me sobra de ti.

É como se faltassem argumentos, fico calado
Não há nada para falar, estou parado
Na inércia com um punhado de gente bêbada.
Engolindo por precaução as palavras
Talvez um “oi” com flores roubadas
Mas elas estão mortas dentro de um copo na cozinha.

É como se a chuva pudesse me dizer
O que ninguém consegue falar sem gaguejar,
Como se pudesse pensar e escrever e...
Ah cala a boca! Beijei seus traços e você não sabe.
Sou mais um viado, com um punhado de flores no peito.

É como se a lua estivesse na minha cabeça
Na fase mais escura que é a Nova,
E eu estivesse saindo de casa para o bar buscando seus olhos
E não os acho pendurados nos fios de telefone,
Nem dando de ombros quando o assunto não interessa,
Quebrados em abraços dados sempre às pressas,
Nem na vitrine, na ponte que eu cruzo,
Não está no meu copo, nem no olhar obtuso,
Que eu faço com um ângulo maior que noventa.

Três passos, quatro garfadas.
Definição: para pessoas não amadas.
E se amei?
Não acho seus olhos.
A morte me encara em um copo na cozinha.
- Oi! Eu roubei flores.

By: Vinicius Osterer
Feito em 14 de janeiro de 2018.

5.1.18

SENHOR DO TEMPO

Estou pronto. De peito aberto.
Venha buscar minhas lágrimas com seus lábios.
Cicatrizar as feridas do meu coração quebrado.
Meu amor foi pão em migalhas para os pássaros,
Voando em bando para lugar nenhum,
Voltando para o punhado de roupas amassadas,
Que permanecem no mesmo lugar do quarto.
E a casa vazia sem reflexos nos espelhos,
Com tudo que vi passar sobre os seus olhos calmos,
Sobre os olhos ferozes que alimentam um mundo
Todo cheio de coisas não palpáveis, substantivos abstratos
Imagens nos porta-retratos,
A última vez que recebi um emoji de coração,
Guardei trancado neste refrão,
Talvez esteja curado.
Não preciso de um sorriso forçado,
De um calçado apertado,
Que cabe mais de um pé de uma vez,
Mudar de estação todo mês,
Como se não fosse precária e decadente a mudança.
Raspei os cabelos, colori meus olhos,
Passei brilho dentro do meu melodrama barato.
Não é um cigarro, nem mesmo o fato,
Sim, estou pronto.
Fechado no seu mundo, em uma chuva de estrelas.
Não era o seu chamado pela manhã,
Era o som do sonho e do violão,
Que tocava uma poesia minha,
Sobre o quanto seu universo é o meu alimento.
Pela tarde veio o vento,
Espanando a poeira que tinha sobre meus pés parados.
E eu corri atrás das cachoeiras dos seus cabelos enrolados,
Mas você já tinha ido embora com sua nave.
Abdução?
Sim, estou pronto.
Com você onde tudo é zero.
Na linha da história, ao contrário.
Buraco negro, interplanetário.
Me perdi naquele abraço, Senhor do Tempo.

By: Vinicius Osterer
Feito em 05 de Janeiro de 2018.

30.12.17

Poema da Madrugada

Um palavra escondida dentro de uma cuba
Na última sexta do ano
Na caçapa da mesa de sinuca
No vômito escorregadio entre um ponto e outro
Nas rodelas de limão que descem e sobem no copo
Dentro de cada corpo, perto e longe da saída
No movimento e na ausência,
Ferindo o direito autoral da expressão “Bandido Gourmet”
Que alguém disse e queria deixar ela escrita.
No cabelo amarrado, o coração que palpita
Pelo som emanando eletricidade instantânea.
Me pergunto, baseado no meu critério:
Existe lugar para a poesia no amarelo,
Sentado logo em frente, do lado direito?
A bola oito bateu no peito,
Desliga a cabeça e vai para a rua!

By: Vinicius Osterer
Feito em 30 de dezembro de 2017.