22.9.17

Equinócio de Setembro VIII

 
"Freiheit (24/Janeiro/2013)"

 
"The Beautiful People (25/Janeiro/2013)"

 
"Lua de Sangue (14/Abril/2014)"

 
"O SOL (30/Julho/2014)"

 
"O Brilho e a Chuva (27/Janeiro/2015)"

 
"A Ressurreição do Sol (30/Maio/2017)"

 
"SOM (27/Junho/2017)"


Quando sentei e peguei uma caneta em minha mão, há sete anos e quatro meses atrás, foi como o princípio de criação de Deus, gênese da Bíblia. Meus poros não sabiam o que acontecia, aos poucos escrevendo eu me conhecia, e as palavras passaram a fazer algum sentido. E com as palavras foram embora noventa centímetros do delgado, me fazendo ficar um mês e meio debilitado, na incrível e distópica maratona de chegar ao topo de mim mesmo. Pactuei com a escuridão dos meus olhos, embebeci ao descobrir que tinha todas as respostas dentro do meu peito. E demorei para perceber que fazia o que já tinha sido feito... Então travei uma batalha contra minha própria existência. Acumulei um punhado de dores e hematomas internos. Colori tanto os meus cabelos, e até hoje não os vi mais da mesma cor que vieram ao mundo... Talvez sejam loiros, talvez mais escuros... Representam tanto os precipícios que acumulei sobre as costas. Então o amor chegou destruindo tudo, como um furacão escala cinco, como um tanque de guerra pesado. Não sobraram vestígios de mim que lutava com braveza, um mero soldado, que queria distribuir o amor sobre a Terra. E veio a chuva, veio a cor, o som e a primavera... Veio também o suicídio, a morte e a solidão, meu travesseiro molhado enquanto embarcava na depressão, foi toda esta loucura e esta decadência e desgraça. Tive medo e fiz graça, mas por dentro estava acabado. Sentir intensamente me deixa apavorado! Escondo as pontas afiadas e os calmantes com frequência, para não entrar na demência, gritar e me deixar levar pelos impulsos que me levam para baixo, para baixo, para baixo... Talvez seja um ciclo de metamorfose, maior do que posso explicar... Então pensei: não vou mais escrever por escrever, nem amar por amar! Se começou no gênese, vai renascer no apocalipse. 


Posso ser sincero? Nestes anos todos no Blog "Equinócio de Setembro", sempre me perguntaram: Por que esse nome? Por que a poesia? Eu respondo: mais simples impossível! Por que não a poesia? Por que não uma linguagem que seja universal e sem gêneros? Já tentei desde ano passado me inteirar e fazer outras coisas que não fossem rimadas... Mas confesso que muitas vezes me pego escrevendo e poetizando... Vem de dentro, e aprendi a não sufocar o que vem de dentro de mim... Causa um pane, um apagão geral. E sobre o nome? Existem dois equinócios durante o ano, coisa básica de geografia, um na primavera (Setembro) e outro no Outono. Neste caso específico, por que desta escolha? Pelo dia e a noite possuírem a mesma duração, e trazerem além do equilíbrio, as forças da regeneração da natureza. Eu precisei estar equilibrado e regenerado há anos atrás quando criei este espaço e comecei de uma forma precária me expor. E este ano é mais especial, pois preciso novamente desta regeneração, estou quebrado, nunca pensei que deveria velar todo o amor que fui, tudo aquilo que fiz, todas as palavras que escrevi, mas eu preciso. Preciso me esconder e fugir da minha sombra. Este sou eu. E vou dormir por um tempo inesperado. Estarei vivo (pois a poesia não morre) com meu "Projeto Poesia de Setembro", e no outro Blog "O Senhor da Madrugada". Mas, posso ser sincero? Há exatamente nove meses atrás criei uma ideia de que abandonaria meus sonhos e tudo que sempre pensei para mim, sentaria na frente de um computador e reescreveria minha vida. Chegou este momento... Para tal, como em qualquer outra profissão, vou me aperfeiçoar, dar o meu sangue, fazer o meu máximo, independente se isso me garantir sucesso, dinheiro para pagar as contas, reconhecimento. Eu quero fazer por amor, pela cor, pela grafia toda que me cerca diariamente e me transporta para perto das estrelas, dos tons que nunca vi, dos sabores que ainda não provei... Estou na minha infância, sendo alfabetizado novamente, provando as palavras como nunca provei, devorando os clássicos, os desejos, as manifestações mais impróprias... E se depois de todo este processo, conseguir fechar meus olhos sem o peso dos fracassos pessoais e escolhas erradas, estarei no estado mais alto da glória. Não preciso fazer história... Só quero ser sentido e fazer sentido!


PROJETO POESIA DE SETEMBRO
O projeto visa disseminar pelas redes sociais um pouco a mais de amor e cor para o mundo, através de poesia e da escrita, imagens e vídeos. Começou exatamente no começo deste mês, era para ser temporário, mas acabei me afeiçoando pela ideia.

Além da Página do Facebook:

Será disseminado conteúdos pelo twitter e Instagram:
Twitter: @allusionideias
Instagram: theallusionideias
Snap: viniciusosterer



Neste Equinócio só preciso parar e me ouvir. Faz tempo que não paro para fazer isso. Estou com a cabeça lotada de palavras, lotada de coisas não ditas e nem escritas! Quero parar de me deixar ser estuprado coletivamente por conceitos, pessoas e situações... Eu preciso por um tempo deixar de sentir, deixar de me abrir, deixar que as coisas se curem. Talvez, e só assim eu possa voltar a fazer o que sempre faço de uma forma verdadeira e plena! Eu agradeço, não é um adeus, nem um sumiço, minha cabeça precisa de férias!


 
FALAM TANTO. SABEM POUCO...

Vinicius Osterer, 28 de Agosto e 19 de Setembro de 2017. Francisco Beltrão, PR.

19.9.17

A Morte do Homem Amor

Na escuridão de um fim de dia,
Sentado observando o sol.
Centralizado pelos olhos que amaram,
As criaturas da face toda da Terra.
Logo mais é primavera,
Não precisarei dos amores e corações,
Estarei com as flores das estações,
Mais quentes e coloridas.
Poesias...
Drogas de versos malditos...
Onde foram parar os humanos eruditos?
Não querem mais saber sobre o céu de estrelas...
É mais preferível ficar esparramando mentiras,
Atrás de filtros e falsidades, com a morte...
Oh adeus Homem Amor! Boa sorte!
Poesias?
Quem que quer esse tipo de lixo?
Posso juntar tudo e colocar para a coleta na quinta,
Quando sobe o caminhão pegar todo meu resto,
Tudo aquilo que fui e comi na semana toda.
Que banalidade,
Estava exposta com ratos no porão
Seu nome, eu sei seu nome no refrão..
Mas não sei de todo o resto...
Você não presta.
É como um lixo de poesia...
Como um homem que não ama.
Como um grito que congela
Como isso que tento escrever e não sai...
Encho as linhas com porcarias e migalhas...
Me dá uma arma, me mata por favor...
Cansei de figurar como o Homem Amor!
Não quero ser metade sabendo que posso ser inteiro.
Poesias?
Que vá para a merda!
Coração no rosto?
Não basta um no meu peito?
Me mata seu filho de uma puta...
Me mata seu filho de uma puta...
Me tira de cena, me joga para o escuro,
Quero escrever me sentindo seguro,
Tanta cor e tanto brilho... Apague o meu nome.
Esse discurso é a jura da irrealidade.
Poesias? Vulnerabilidades...
Se escrevo, depois quem sofre sou eu.
É esta matéria que sempre dói, cadê o amor?
Não pode estar escondido embaixo da epiderme.
Me salve! Eu não posso ser o seu boneco...
Poesia sobre o que não é mais secreto...
Me mate!
Me mata seu filho de uma puta...
Me mate!
Me mata seu filho de uma puta...
Quem que quer esse tipo de lixo?
Poesia?

By: Vinicius Osterer
Feito em 20 de agosto de 2017.

18.9.17

Um!

Quem quer dez não sabe o que quer.
Ou quer dez mesmo, sem ser certinho.
Eu quero um. Não quero o que vier.
Sei o que quero, quero um e sozinho.
Vestido como um solzinho,
Carregado de amor e carinho,
Feito peça para o meu dominó.

“Mas, amar não é encaixar peças!”

Ah, me deixa vai.
Me deixar amar no meu canto
Amar gritando, mas amar tanto...
Amar até cansar e explodir
Amar até não conseguir sentir
O coração dentro do peito.
E rezar, perdoar, ser o sofrimento
E chorar amando por dentro
Quero amar até a hora de virar estrela.
Amar no escuro, amar na besteira
De esbarrões, olhos e fetiches.

Não quero ser lembrado
Quero ser sentido.
Do que adianta ser celebrado
Sem ter amado e ter vivido
O amor dos oceanos?
Amar são os meus planos
Com seus desgostos e enganos
Ah, me deixa vai...
Um amor caracol, um amor dourado
Um amor espiritual intelectualizado,
Estou me amando, amor amado
Sem um velório e corpo velado.
Quero um e sozinho
Um e sozinho.
Um.
Um grande amor, por favor!

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 14 de agosto de 2017.