17.2.18

CIGANO

Ontem no banho me tornei desprezível,
Apaguei tudo que sempre foi visível,
Remodelei aquilo que sou.

Na sexta eu desapareço e desapego,
Com meu copo de cuba na mão,
Revolucionando com a semana,
Com gelo e vodca uma conspiração.

No sábado eu viro um DRAGão,
Coloco um punhado de coisa sintética,
Um bocado de simetria e conceito,
Amarrado dentro da minha estética.

No domingo estou de resseca, então pula.
Na segunda eu não vivo, a destrua...
Na terça começo a tecer outro verso,
Sobre como me livrar do carma reverso,
De ter que ser atormentado pelos problemas.
Na quarta eu mudo de cidade,
Na quinta esqueço minha identidade,
E na sexta eu desapareço e desapego,
Com o celular em casa desligado,
Amar o que é transviado,
Sem deixar de ser um cigano.

By: Vinicius Osterer
Feito em 17 de fevereiro de 2018.

14.2.18

Náufrago

Eu afundo, eu afundo
Cada vez mais para baixo dentro desta miséria.
Eu afundo tanto que me falta ar que seja respirável e não tóxico,
Eu me afundo em sentir e deixar de sentir como o tempo.
E me afundo dentro e fora de mim, eu sou o vento
Que meche os cabelos duros e cruza as mãos emboladas,
Maldições proferidas em casas abandonas,
Velhas solteiras que sempre foram amaldiçoadas,
Minha coisa toda que eu chamo de ser humano.

E mistura
Mistura com colher de pau toda amargura,
Costura os meus pedaços e me sutura,
É tão trágico viver em um mundo tão triste,
Colori para mim o que não existe,
Os tons noturnos de quando sinto que é inverno.
Fechem meu terno
Sobre um vestido
Do que eu acabei escrevendo e nunca foi lido,
Das coisas todas que aprendi a ser me afundando.

By: Vinicius Osterer
Feito em 14 de fevereiro de 2018.

10.2.18

Primeiro Contato

Do alto dos seus olhos eu desmoronei,
Em um primeiro contato alienígena, não consegui dizer nada.
Coração apertado, mente em disparada.
Eu acho que me apaixonei por sua vida extraterrestre.

Você não precisa ser sozinho,
Existe ainda amor e carinho
Neste mundo azul feito de merda.

By: Vinicius Osterer
Feito em 09 de Fevereiro de 2018.