19.5.18

Canto da Bandida Maior

O que faremos agora? Disse ele, pobre coitado,
Para a bandida de um crime repugnante.
Pois venha até mim, filhx da puta derrotadx
Coloque o seu melhor sorriso e cante!
Já fui traída, já fui santa, hoje sou PUTA
Coloquei minha jaqueta militar para a luta,
Andei com meus saltos em um trilho de trem,
Garras venenosas, quem é que não tem?
O que faremos agora? Coitado, pois bem...

Na beira dos olhos masculinos,
Eu não podia entrar, dizia a placa,
“Você tem traços muito femininos,
E parece uma vagabunda ingrata!”
“Baixe a cabeça, não me retruque,
Fique de quatro que quero lhe usar,
Não fale com ele, por que ele está aqui?”
Você ainda quer ele? Vai ter que me recompensar!”
PIRANHA, DESGRAÇADA, MISERÁVEL, objeto.
Pegue seus sapatos e vá descarga abaixo como um dejeto.
Fragilidade? Coloque no seu terceiro olho do cu.
Na beira dos olhos masculinos,
Ele dizia respeitar o transviado,
Me jogou em qualquer canto e por um momento,
Me senti um filho da puta derrotado.
O que faremos agora?

O QUE FAREMOS AGORA?
Fala, fala, fala e nunca diz.

O que faremos agora?
O que faremos agora?
Arrume sua mala, não posso entrar é o que diz?

Na beira dos lábios masculinos,
Eu não podia ser uma palavra.
“Você é menina ou menino?”
“Sou uma piranha sem casa
Sou a porcaria da sua mãe, da sua vó,
Sou as flores de um nada”.
Então ele me disse:
“- Em formação, vá limpar a roupa,
Tem comida para se fazer, está ficando louca?
E essa louça toda na pia? E esse cabelo despenteado?
Quero a mulher que conheci, do meu lado!”
“Em formação?” Também gritei!
Como falar com um machista, eu não sei.
O que faremos agora? O que faremos agora?
Na beira dos lábios masculinos um canto de formação,
Com uma letra sem encanto, de partir o coração:

“Para a lésbica, faltou pica,
Para o gay, um murro bem dado.
E a trans? Não se identifica?
E o Bi? Assumiu que é viado?
Um, dois, um bom soldado.
Três, quatro, não chupa rola por lucidez.
Cinco, seis, quando vê um afeminado,
Sete, oito, executa ele de uma só vez.
Nove, dez. Nove, dez. Direita, volver!”

PIRANHA, DESGRAÇADA, MISERÁVEL, objeto.
Não percebe que é assim, e que assim é sempre certo?

O que faremos agora? Poesia é para poetas,
Não para afeminados que usam cuecas,
A revolução dentro do meu estojo de maquiagem.
Em formação? Pura bobagem!
O meu lugar é onde eu quero existir dentro do mundo.
Já fui traída, já fui santa e neste segundo,
Eu sou a PUTA, desgraçada que fala e fala e nunca diz nada,
Nove, dez. Direita, volver!
Eu vou entrar, e quero ver quem vai me deter!

By: Amy Waves.
Feito em 18 de maio de 2018.

12.5.18

Ato Político de Amor

Relatos de amor não existem,
Na maneira e na forma que são contados.
Eles são construídos, mas alguns desistem,
Pela forma que sempre foram tratados.
Neste meu lindo joguinho de palavras chamado “você”,
Construi uma distorção gramatical da língua que lhe dei.
Um dia saberá o quanto te amo e te amei?
Figurando os mais lidos e vendidos? Não sei.
Resiliência.
Você,
Com tanta coisa na TV,
Com tanto para se ler,

Sentir, sair de mim, cruzar universos, bater de frente, prédios altos, árvores e protestos, sorrisos e mais sorrisos, alguns versos, amigos a onze reais e cinquenta centavos. Cinza do dia, do céu dos meus olhos. Será que chove na tempestade que você me deu? Empatia pro lixo, pessimismo pro lixo, recados vistos e não respondidos pro inferno, você? Eu não sei.

Um dia saberá o quanto te amo e te amarei?
A língua que um dia esteve na sua boca, lhe beijei.
Histórias de amor não existem.

Coloco meu frango naquele grill velho,
Impeachment for vegetables, me enterro.
Marielle foi queimada, mas o que eu espero?
Ter o direito do que nunca foi meu?
Em que verso é que entra o movimento que é teu?

Sair e beber, sorrir e sofrer, vou gritar eu te amo!
Será que te amo?
Não sei.
Você é um homem, bem sei,
Fica maior quando sobe sobre seus saltos,
Colorindo as suas bochechas rosadas,
Com aquarelas de dores e flagelos internos.

Você, que para mim não é você.
Sou cego? Sou mudo? Quem é que não vê?
Está tudo bem óbvio.
Um arquivo morto queimado!
Quem é o culpado?
Não foi renovado para a próxima temporada.

Desculpa por fazer você perder a paciência e o interesse,
Violando o sagrado da inocência, mas é que este
Cego, surdo, mudo e burro está quebrado,
Buscando na escrita que não vale um centavo,
Os erros que eu tive quando estava perto de mim.
Culpando o meu ascendente em escorpião e vênus em áries,
Li Sartre em todos os lugares,
Então eu sei que as culpas são minhas.
Histórias de amor não existem sozinhas.
Um dia saberá o quanto te amo?
Não sei...
Sou cego? Sou mudo? Sou surdo?
Talvez...
A resiliência chama-se “DRAGui”.

A língua que lhe beijou também escreve versos.
Por trás dos cachos dos seus cabelos dispersos,
Sobre infinito e um de todas as palavras não faladas.
E mesmo assim, distorcendo tudo isso,
Eu ainda amo o “TODO VOCÊ”.
Neste ato final e político de amor.

By: Vinicius Osterer
Feito em 22 de março de 2018.

*Descanse em paz Viada Lírica! 


22.4.18

TEA

Xícara vazia é como corpo sem alma,
Xícara sem chá, é como mente sem razão,
Como rio sem água,
Chuva sem gotas,
Flores sem pétalas,
Eu sem você.

Xícara cheia é como você de olhos brilhantes,
Xícara com chá, é como a felicidade que lhe desejo,
Como um beijo fraterno, um último ensejo,
O episódio final da temporada,
O sol em plena madrugada,
Você feliz e mais alguém.

Xícara pela metade não transborda,
Também não seca,
Mas molha os dedos.
Chá servido aos poucos,
Com o gosto de “somos amigos”,
Chá de cadeira, chá de pedra, chá de respeito,
Chá de vida e seus mistérios, chá que nunca foi feito,
Chá de cogumelos inundando o pirex na cozinha,
Chá de vó, de curandeiro, chá roubado da vizinha,
Mas chá.
Porque xícara vazia é como corpo sem alma.

By: Vinicius Osterer
Feito em 22 de abril de 2018.