17.11.17

02:12

Belo espetáculo para alguém que não sabe o que quer.
Abriu uma taça de vinho tinto e seco, fechou o coração.
Deitou com um homem, beijando uma linda mulher,
Travou os dedos no teclado, os olhos no céu, era uma oração:
- Quem acredita nas estrelas uniformes?
Estrelas não tem um formato de cinco pontas?
Para onde foi meu lápis de cor amarelo?
Bebi demais, e se ainda quero
Construir com linhas o meu castelo
(Deixei a bebida um pouco de lado).

Amanhã de manhã verei o que não vi.
De tarde escreverei o que nunca escrevi,
Contrariando a ordem da minha terapia passada
Como não escrever mais sobre nada?
(Tomei mais um gole e esvaziei a taça)
Escrever sóbrio não tem nenhuma graça!
Blablablá, palavra que já perdeu o tom predestinado
Mulher, mulher! Um homem? Eu não sou culpado!
Esse complexo ainda vai acabar me matando.

Belo e sinuoso nas suas curvas mentais,
Sem sexos, pensamos mais que animais,
E não guinchamos como porcos despudorados
Nervos na pele tão sensibilizados
Amando sem um celular e uma penetração
Muito mais do que uma marca no pescoço e masturbação,
Poesia contrária a ordem social proposta,
Tudo vira bosta (desliga Rita Lee, que já está tarde).

Louca. Como me disse para não escrever?
Mais louco sou eu que não consigo prever
Os passos que ele dá contrariando minha vontade.
Como um homem castrado de ti, saudade me invade.
(Bosta, sequei a garrafa) Quif! Quif!
De longe ele é o meu desmaio.
De um signo do mês de Maio?
Acabei de expor o que eu sinto.
(Onde foi que guardei a outra garrafa?)
(Chega por hoje, vai querer ser um alcoólatra?)
(Seu animal)

By: Vinicius Osterer
Feito em 17 de novembro de 2017.

3.11.17

Poesia em Migalhas

Na melancolia da cigarra de um poema de Drummond,
Subindo e descendo entre as minhas pernas,
Pequenas formigas em um batalhão,
Levando cegas as migalhas de pão,
Para sobreviver no sistema capitalista das formigas.
Vão andando na direção oposta aos meus versos
E a estruturação de uma gramática sincera e honesta.
O mundo virando uma grande festa,
Celebrando e pintando para os seus mortos.
Não são as migalhas de 87,
Nem a sombra que chega a minha retina.
No escuro da minha literária puberdade,
A minha voz é poesia, a minha voz é florescer.
Poesia em migalhas? Sim, posso lhe oferecer.
Para Drummond e todo o sentimento do mundo.

By: Vinicius Osterer
Feito em 31 de Outubro de 2017.

2.11.17

Spoiler

Seus cabelos de um anjo banal,
Um personagem já lido na bíblia e caído dos céus
Eu sei que escondem os piores atos.
Vejo nos olhos.
Vejo tudo nos seus olhos mentirosos e claros.

Você é uma alergia de pele,
Micose
Um tecido de viscose
De uma blusinha que vi em liquidação.

Embarco em outro carro,
Acendo o meu cigarro,
Penso no que devo escrever,
Mas olho para os lados e lá esta você
Seus fricotes e nojeiras me observando
Como o olho que tudo vê,
Mas sei que não vê nada seu desgraçado.

Desculpa o spoiler, mas não tem final
Se você acredita eu desacredito,
Se vai para a esquerda eu sou o direito.
Se é incerto eu sou perfeito
Sou o avesso quando você é o correto.

A decepção não é por trazer o espetáculo
Nem sobre o tarot oráculo
Que diz com um dois de ouro o que já sabia.
No final quando acabar o dia
Mais uma vela se apagou a toa
Por mais que isso D.O.A.*
Eu morro no final.

By: Vinicius Osterer
Feito em 02 de Novembro de 2017

*D.O.A = Dead On Arrival