30.12.14

Feliz Ano Novo!!

Obrigado por mais um ano em minha companhia... E que ainda tenham muitos e muitos anos em sua vida!!!

By: Vinicius André

29.12.14

Escolhas Erradas

Feito em 27 de Dezembro de 2014...
Por mais uma vez eu me enganei por um sorriso barato,
Não me atentei para o tamanho deste fato,
E não soube medir quais seriam as consequências.
E por mais uma vez eu tomei remédios e quase me mato,
Por que não aguentei e eu estive farto,
Eu não conseguia mais tomar boas providências.
Por mais uma vez eu me interroguei sobre as escolhas erradas,
Por todas as decisões que já haviam sido tomadas,
E questionei a minha existência no universo.
E por mais uma vez eu utilizei as palavras já usadas,
Com todas aquelas letras perfeitas e contadas,
Para poder compor para mim um grande verso.
E do que irá me adiantar ter alguma moral,
Sem ter uma grande história para o final,
Sem ter a mesma vontade que eu já tive de viver?
Eu simplesmente cansei de ser o errado e banal,
Que não busca por nada que seja real,
Eu simplesmente já perdi a vontade de fazer tudo valer.
Isso não tem mais nenhum sentido para mim,
Isso não pode mais agregar e pesar assim,
Porque eu luto contra as minhas escolhas erradas.
E nunca mais eu poderei lhe dizer um sim,
Por que tudo isto para mim teve um fim,
Tranquei as janelas e as portas foram fechadas.
Existe em mim um templo. Que é sagrado como o corpo de Cristo,
Vale muito mais à pena pular para um precipício,
Do que brigar por coisas que se passaram.
Se não for pedir demais, deixe-me em paz com o meu vício,
Escrever já é um suplício, é um sanatório ou um hospício,
E todo aquele tempo, e toda aquelas palavras acabaram.
Foram belas as palavras que um dia lhe amaram,
Mas que agora libertam e agora desamarraram,
Suas mãos estão livres, o seu corpo agora é seu,
As promessas que existiam não chegaram, o amor morreu.
Eu quase cometi um suicídio social e não da vida,
Por que acreditei cegamente que esta seria a saída,
Mas havia outras opções para escolha.
E por agora toda palavra escrita e lida,
Toda ideia criada e tão bem desenvolvida,
Encheram um texto e cresceram em uma folha.
Por mais uma vez eu senti o vento sem dominação,
Que saiu da boca feroz de um leão,
E não existe mais motivo para escrever.
Cegamente e novamente eu escolhi a libertação,
Chega de escolhas erradas, chega de ouvir o coração,
Ainda tem tanta coisa para acontecer.
Eu demorei a entender que está é a minha maneira de agir,
Demorei mais aprendi que ser estranho também é evoluir,
É estar por cima de um paradigma e não poder fugir,
É escolher coisas erradas, mas levantar quando cair,
Escrever causa algumas perdas, imperceptíveis e normais,
Comi uma sopa de letrinhas, meus extintos canibais.

By: Sebastien Cavendish

27.12.14

Sinestesia Particular

Feito em 26 de Dezembro de 2014..
Eu estou sentado no meio do nada e prestes a sair,
Buscar uma vida, porque “tengo muchas ganas de vivir”,
Eu não sei mais o que eu faço, porque não estou no paraíso,
Fumando algumas drogas, com algumas mulheres perdendo o juízo,
Vivendo um sonho americano em Los Angeles, cidade do pecado,
Para uma estrela brilhante dos meus sonhos, eu posso ser iluminado,
Por uma luz que brilha de algum lugar que eu não conheço,
Para alguém que ainda nem existe e que eu desconheço,
A sua história de vida? A sua evolução espiritual?
Sim, a sua estadia para um caminho sem volta e mortal,
A morte da celebração que não deixa nenhum sinal,
Ao doravante e triunfante poder de personificação do mau.
Está tudo tão vazio. A minha alma padece,
Mas e agora me diga: “Quem ainda não me conhece?”,
O sonho possível da impossibilidade de escolher,
Sempre soube que alguma coisa estava prestes a acontecer,
E todo aquele estilo próprio encheu-me os olhos com lágrimas,
Cresceram as palavras multiplicando-se entre tantas páginas,
E a estrela em uma calçada nunca esteve tão perto,
E o sonho da salvação tão longe e tão incerto.
Essas são as minhas possíveis escolhas eu não sei se certas,
Linhas brancas em carreiras que desaparecem em alertas,
Estive nas montanhas, caminhei por ruas cheias e desertas,
Trilhei caminhos inclusos em desenhos tortos de linhas retas.
A minha face estampa os tons possíveis de tristeza,
O meu coração está acostumado a agir com frieza,
Por que eu sou compatível com a minha grande desgraça,
Eu arrumo a minha roupa e coloco a minha máscara,
Um cacho de rosas vermelhas, o meu cabelo é preto,
Não escrevi o meu poema e nem mesmo o meu soneto,
Estive escolhendo dentro das possíveis opções o direito,
A verdade sobre tudo que ainda nunca foi feito.
Transformei as minhas drogas em pedaços de diamante,
Eu passei de Venus para uma estrela cadente e brilhante,
Em toda a saudade que vinha com o pôr do sol,
Estive doente, sem perspectiva de lutar em prol,
A luta é mérito, o dinheiro é o sucesso e a personalidade,
São os direitos e os deveres que compram a alma e a felicidade.
Nesta percepção onde eu olho pelos meus próprios olhos,
Caindo no chão, pelas verdades que saem dos meus poros,
Pequenas gotas de suor misturadas com um tipo de veneno,
A voz pulsante e retumbante de um cabelo tão moreno,
É morte dentro de uma cerimônia que não tem um final,
Que me deixa cicatrizes tão profundas como um sinal,
Que é a Flórida o meu destino e o meu lar,
Um pedaço da minha sinestesia particular.
Este bom e velho sol que conspira pelo meu pecado,
Eu beijei o sangue de um cadáver ainda intocado,
Eu me libertei deste pequeno mundo com prazo limitado,
A liberdade imoral pela escolha do meu verdadeiro lado.
Acabaram as minhas drogas e todas as minhas pílulas e analgésicos,
Os meus antidepressivos e os meus melhores sonhos sinestésicos.

By: Sebastien Cavendish

26.12.14

Eu não Existo

Feito em 26 de Dezembro de 2014...
Eu não existo nesta casa e nem nesta cidade,
Eu não existo em palavra e nem em alguma verdade,
Eu não existo em pensamento e nem no futuro,
Eu não existo em um túmulo com um chão duro.
Eu não estou no quarto e nem na faculdade,
Não estou no tempo, não estou na falsidade,
Não estou nas conversas, nem nas festas e nem morri,
Não estou com os amigos, com a família, e nem sofri,
Porque eu não existo no presente e nem existi no passado,
Porque eu não estou nem aqui, nem estive escrevendo este recado,
Não segurei esta caneta, não escolhi nenhuma palavra,
Não existo lá fora e nem dentro da minha casa.
Eu não tive roupas, estilo, cabelo, dinheiro,
Nem mesmo alguma metade de um inteiro,
Não estive morto, não existiu o meu nascimento,
Não padeci moribundo por causa de um sofrimento,
Eu não conheci nenhum lugar e nenhuma paisagem,
Eu não fui nenhuma assombração e nenhuma visagem,
Eu não existo pelo nome, pelo endereço e pelo RG,
Eu não me conheço, eu não existo e nem conheço você,
E não existo na língua portuguesa e nem no latim,
Nem na língua inglesa, nem no começo e no fim,
Eu nunca fui dito, nunca fui lido e nunca fui analisado,
Eu nunca estive preso, nunca estive solto, nunca fui libertado,
Nem mesmo com tiros, facadas ou qualquer morte,
Eu nunca tive sonhos, nunca amei e nem tive sorte,
Eu não existo para ser esquecido,
Eu não morri para ser lembrado,
Eu não tive emprego para ser demitido,
Eu nem mesmo dormi para ser acordado.
Eu não existo, eu não insisto, eu nunca provei,
Eu nunca bebi, eu nunca vivi, eu nunca fumei,
Não estou na bíblia, nem tive nenhuma religião,
Eu não provei nem mesmo o pecado ou a salvação,
Eu não envelheci, eu não fui criança e nunca chorei,
Porque nunca existi, porque nunca senti e nem sentirei,
E não existo no futuro, no presente e na sua vida,
Nunca senti, nem mesmo previ, nem escolhi uma saída.
Eu não escrevi e eu nunca existi para alguém neste mundo,
Estive com pessoas estranhas à mim em um buraco sem fundo.

By: Sebastien Cavendish

9.12.14

"Apocalipse: O Terceiro Selo"

Feito em 09 de Dezembro de 2014...
Havia mil opiniões que não eram minhas do meu lado direito,
Outras mil opiniões do meu lado esquerdo mais que perfeito,
E milhares dos anjos que antes eram belas criaturas aladas,
Que me diziam palavras por gestos nefastos e expressões pesadas,
E Miguel, o arcanjo, prendeu-me com as suas garras,
E eu permaneci trancado para que não houvesse falhas.
E sobre mim eu vi o cavaleiro com a balança, e o cavalo preto correu,
O pouco de respeito e de amor que me restou morreu,
E eu não pude mais amar a mim mesmo sem ser um egoísta,
Então me entreguei ao meu personagem do espelho, um narcisista.
Mas e o que ocorreu? Eu tenho pornografia na minha cabeça,
Aprendi isto na Igreja e por mais que isto não pareça,
Eu também tenho as minhas assas de anjo, Senhor Miguel,
Mas poderei ser perdoado? Eu poderei me libertar do céu?
E por quantas vezes eu ajoelhado lhe implorei pelo perdão,
Mil opiniões para os meus lados, mil opinião sem fundação,
E os anjos enforcados, depenados, meus Deus quanta humilhação!
Poupe-me da ira, da injustiça, do feitiço de Jesus que é remição!
Miguel Senhor Arcanjo, eu não posso ser julgado!
Eu sou mais uma madeira esculpida pelo pecado!
E não posso Senhor dizer que eu aprendi a amar.
Um anjo me disse quando estava aprisionado,
Que seria a minha salvação, o amor que me foi revelado,
Mas era a mentira tirando a vontade de quem quer me governar.
Cansei de acordar todos os dias assustado,
Por temer o que falam, pelo que me julgam ser agora,
As mil e uma opiniões de todos os meus lados,
São do Arcanjo Miguel, o Senhor ou a Senhora.
Eu não quero mais saber sobre o que você não gosta,
Se a sua opinião vale menos do que uma bosta.
Os céus se contorcem em cólicas e diarreia de pudor,
Os anjos comem a si mesmos pelo imenso estoque de amor.
Você não levante o seu dedo e a sua voz imunda,
Se a sua opinião for mais suja que a sua bunda,
E eu não posso evitar mais querer ter o controle do que eu falo,
Às vezes vai saindo e eu nem mesmo mais me calo,
Por que não existem opiniões mil e anjos que lutem,
Pela mentira ou pela verdade, ou que ao menos escutem,
Sim Senhor Miguel, você não pode me julgar absolutamente por nada,
Fim deste assunto, sessão terminada, acabou a rodada,
Peguei as minhas malas, e busquei a minha jornada,
Fechei os meus olhos e mantive a minha mente calada.
Miguel, Senhor Miguel, só perdoe a minha revolta,
Mas como posso me livrar de um julgamento?
Miguel, Senhor Miguel, perdoe a minha língua morta,
Perdoe pelas vezes em que eu fiz algum juramento.
Eu não preciso de um tribunal, pois eu tenho um encantamento,
Eu não preciso que me falem que sou estranho, que não sou normal,
Que eu sou um garoto que não sabe sobre a sua opção sexual,
Um alguém sem perspectiva, um ator com uma mente criativa.
Se for para ir para o inferno, quero pactuar com o demônio,
Com rosas vermelhas, champagne e uma festa, um grande matrimônio.

By: Sebastien Cavendish