31.8.14

Terapia N°2

Feito em 31 de Agosto de 2014...
- Como você se sente?

- Um pouco melhor. Consigo até pensar em coisas um pouco mais positivas. Realmente positivas.

- E isso para você é bom?

- Acho que sim. Parece-me ser bem agradável sentir isto. Até desdenho menos as pessoas. O que já é uma vitória!

- Sim. E sua rotina?

- Mandei tirar algumas férias! O que me preocupa um pouco é minha saúde.

- Você pirou o seu quadro?

- Não. Mas estou mal nestes últimos dias, o que me parece até meio estranho, mas é verdade.

- Hoje não sei o que lhe falar! Posso escutar se você aceitar!

- Sei lá. Acho que esta terapia nem era tão necessária. Agora é de madrugada e acabei de deixar os meus cabelos verdes. Estou mais feliz e um pouco mais confiante. E um pouco mais cego e sem ar. Com um artigo quase finalizado e desenvolvendo grandes ideias. Sem medo ou receio, sem nada para me conter. Então nem sei por que estou falando com um terapeuta.

- Bom, acho que pode ser este receio da doença. Afinal, hospital já virou quase seu habitat natural, se me permite o humor meio negro.

- Mas é verdade. É acho que é isto mesmo. Tenho um pouco de medo ou receio, eu não sei, de morrer sem ser compreendido. Sem aquele gosto doce na boca de uma grande realização. Tenho receio e medo. Sabe, e se for cedo de mais para eu morrer, se eu puder fazer mais e melhor? E se for tarde demais? E se eu ficar apenas contando vantagem por alguma coisa que já passou? Quando é a hora certa para isto? Quando é a hora certa para morrer?

- Não existe uma hora programada. Esses medos e receios atrapalham os seus questionamentos, que por sinal são muitos, suas soluções, seus projetos. O futuro é o agora e o ontem já passou. Vamos, bola para frente! Você sabe que este medo não é bom!

- Que frase mais clichê. O futuro é o agora... credo. Como dizia, eu tenho medo de morrer e enfrentar algo desconhecido, algo que eu não posso controlar.

- Quanta arrogância! Mas sério, pare com esta bobeira! Você tem projeto para fazer! Vá projetar a felicidade, não se estresse!

- Eu até queria, mas seus conselhos me deram sono.

- Bom. Então melhor você ir dormir!

- É. Acho que hoje nós dois não estamos muito a fim de conversar.

- Sim. Quero um tempo para descansar de você. Para por minha cabeça de terapeuta em dia. Terapeuta também precisa de terapia. Ainda mais sendo o seu terapeuta.

- Faça-me rir! Faça-me rir! Isto já virou um circo, palhação. Não vou perder meu tempo com alguém que é tão negativo. Saí de mim negatividade!

- Eu sou negativo por que você me deixa assim, seu problemático. Louco. Bipolar. Você nem percebe que eu sou você.

- Claro que percebo! Não sou ignorante! Chega de você por hoje! Cansei minha beleza e meus cabelos verdes!

- Então suma daqui. Beleza, a tá! Palmeira gigante! Ridículo. Vai procurar tratamento com um terapeuta! Louco. Veja bem se vou dar confiança para alguém como você.

- Vou sumir daqui mesmo. E já estou em tratamento! Vai se ferrar. Morto de fome, flagelado estúpido. Ridículo é você e sua vidinha. Vai morrer sozinho!

- Sai daí, o seu verdão! Poupe-me deste seu show de horrores que é sua presença!

- Poupado. Vou ir fazer algo mais produtivo, que para mim já deu. Até.

- Vai mesmo. Saí. Passa daqui. Se mate! Suma! Longe de mim. Que ser mais problemático, nem com uma intercessão das fortes tem solução. Vou tentar dar uma surra de rosário, alguns tapas na cara, um tratamento de choque. Assim acho que volte a ser alguém normal. Deus que me livre. Se tivesse uma camisa de força. Uma arma quem sabe. Medite! Medite! Você está cercado de luz, você é luz, tudo é azul e profundo, e mais profundo...

By: Sebastien Cavendish

25.8.14

Realmente Relativo

Feito em 22 e 25 de Agosto de 2014...
Amor amado, amor amando,
Amor é rigoroso, o amor está acabando,
Intenso enquanto dura, amor é malvado,
E nesta luta entre amores, não existe nenhum lado.
Amor me perdoe, por não poder ter te amado,
Mas nunca te odiei, e já te amei no meu passado,
O amor é uma droga. O amor é depravado,
Intimida o mais fraco, e enregela o desalmado.
Não sei se isto é ruim, quando acaba mais um fim,
E tudo volta para o estado normal da matéria.
Não adianta dizer um não querendo viver um sim,
Acreditando nesta opinião vazia e tão velha.
E nem mesmo a mitologia, pode encher com alegria,
A minha tristeza, eu não sou desta Terra.
E já fiz você chorar, mas não foi intencional,
E se fiz você me odiar, não foi querendo o seu mal,
Mas não consigo mais pensar, e este é um sinal,
O amor é desgraçado. O amor é infernal.
E realmente é relativo. E isto não é uma prosa.
Minha mente captura, e esta frase é vergonhosa,
Eu não posso aceitar esta vida pavorosa,
Não preciso explicar de uma forma rigorosa.
Desencadeando alguns versos que não possuem pé nem cabeça,
Querendo que a luz se apague, querendo que tudo aconteça,
Melhor acreditar no que eu digo e no que eu falo,
Simbiose natural é tão romântica, então eu caio,
Não posso dizer o que realmente é amar,
Neste estágio tudo é válido, a vida é pura, vou me levantar,
Não posso querer saber, mas eu quero até perguntar,
O que você considera o amor? O que você considera amar?
E se relativo é tão horrível a ponto de querer se fazer bizarro,
Não escrevo esta palavra, e só então eu me calo.
Amor amando, amor amado,
Amor é tão rigoroso, amor é ser afugentado?
Amar é acreditar que se está sendo usado?
Amor é uma disputa? Amor é desencadeado?
Queria lhe amar, queria lhe dar importância,
Mas eu não sou mais o menino loirinho da minha infância,
Sou este monte de tinta, esse coração endurecido,
Sou um problema em questão ainda não esclarecido,
Sou um monte de egoísmo, uma duvida indefinida,
Sou este e sou mais tantos, eu sou a minha própria vida.
Este debate está cansando a minha vontade tenebrosa,
Se realmente sou relativo eu acabo a minha prosa,
Desmaterializei alguns versos sem uma verdadeira causa,
Enfim respirei, pude enxergar e eu pedi por uma pausa.
O meu amor existiu e não foi nenhuma invenção,
No fim evoluiu para um amor sem solução,
E foi embora de mim, me deixou vazio e lento.
Eu fui embora com a brisa, que soprou em um momento.
O amor é tão bonito, eu pude ser amado,
Mas não amei o suficiente, e está tudo acabado.
Você é uma parte deste ou disto que me tornei,
Desculpe por não te amar, como um dia eu te amei.

By: Sebastien Cavendish

22.8.14

Terapia N°1

Feito em 22 de Agosto de 2014...
- Bom, sente-se! Meu nome é terapeuta, você quer falar um pouco sobre você, seu nome?

- Não sei o que eu falo sobre eu! Meu nome é Sebastien, Sebastien Cavendish. Já tive outros. Nomes.

- Outros nomes? Quer me contar mais sobre isto?

- Este negócio que tenho. Esses tantos outros que fazem isso.

- Então. Você sabe descrever este negócio? É bom ou ruim?

- Sabe que eu nunca pensei se é bom ou ruim. Acho que às vezes é bom e ás vezes é ruim. Mas, não sei descrever tão bem isto. Às vezes parece que sou outro e então simplesmente eu viro outro.

- Você já leu provavelmente alguma coisa sobre bipolaridade?

- Já. E este negócio não é tão semelhante. É diferente em muitos aspectos. É tão diferente que acho que gostaria que fosse, por que assim teria tratamento e eu não me preocuparia com tudo que sinto.

- E você sente muita coisa?

- Na maior parte do tempo não. Mas quando vem este sentimento eu sinto de tudo um pouco. Um pouco de loucura, alegria e de tristeza. Não sei mais nem o que eu quero e se eu quero não quero mais.

- Você sente dúvida?

- Isto! É dúvida. Eu fico perdido entre o que eu tenho e é meu, e aquilo que não tenho e não posso controlar. Eu fico desesperado por que sinto um pedaço ou uma parcela de culpa por tudo, castigo meus atos que não foram pensados ou planejados e me deparo com dúvida. E esta dúvida passa por mim e fica instalada em tudo que acredito ou em tudo aquilo que eu faço. Isto me deixa louco!

- Todo mundo possui dúvidas, é natural do próprio ser humano ter dúvidas. O que você não pode é tentar controlar tudo ao seu redor, todas as situações, colocando expectativas em coisas que estão fora do seu alcance. Mas, é isto que te trouxe aqui?

- Não.

- O que te trouxe aqui?

- Outra sensação estranha que tenho.

- E você sabe dizer o que existe de estranho na sensação?

- Sei lá. É tão estranho você estar e não estar em um lugar. Você falar com as pessoas, mas não ver verdade nas palavras, não por serem mentiras, e sim por você não apresentar nenhum interesse pelo que se fala. Ou despertar algum sentimento ruim pelo que faz. É horrível não conseguir fazer o que eu faço tão bem algumas vezes, conversar normalmente com as pessoas, rir com elas. Aí quando não dá simplesmente já me perguntam por que estou calado, ou por que estou com uma cara estranha.

- Você deve ser visto de uma forma diferente.

- Diferente. E o quanto ser diferente é bom? Em nenhum momento me ensinaram que ser diferente me traria tantos aspectos negativos, se soubesse teria me satisfeito com esta normalidade toda.

- E o que é ser normal para você?

- Sei lá. Acho que pra mim é ser como esse tanto de gente que tem medo e receio das coisas.

- Mas você não está com medo de ser diferente de verdade, ou de não aguentar essas sensações estranhas?

- Queria falar que não.

- Então acho que pelo que me disse você é normal. E sabe, este é um dos seus problemas! Você queria falar? Por que não falou? Guardou para você por quê? Uma simples resposta que lhe traz uma imensa confusão cerebral, que abala a sua alegria e tudo o que você faz.

- Mas e quando não posso falar por educação?

- Aí você pode dar uns toques, por educação a pessoa também deveria aprender a ouvir as coisas se ela pode falar as coisas, não é mesmo? Não guarde para você energias e pensamentos destrutivos. Construa uma autoimagem mental de que você é alheio ao controle de tudo que acontece, de que isto que você acha estranho é você. Se aceite um pouco mais, deixe de ligar para os outros, pense um pouco mais em você. Você tem todas as suas respostas. Espere, por que o tempo irá apaziguar o que você tenta mascarar. Mas ame sei jeito de ser. Ame ser feliz. E tente ser uma pessoa agradável e não controladora de ações, não dispute com quem não sabe perder. Perder e fracassar são coisas normais, e não te torna inferior a ninguém. OK então?

- Obrigado. Vou tentar falar e não guardar.

- Guarde somente o necessário. Falar faz bem, descarrega energias ruins.

- Bom vou praticar estas coisas que você me disse. Até me sinto um pouco mais aliviado. Quer dizer, quando me lembro das coisas volta tudo de novo.

- Então não pense. Pense em coisas positivas ou faça alguns planos do que quer fazer, mas sem criar expectativas e um controle rigoroso. Deixe ir acontecendo.

- Está bem. O que é mais estranho é que precisei pagar à alguém para ouvir que estava errado. Sabendo que estava. Acho que pagamos mais por ter com quem conversar sobre nós mesmos. É meio que um egoísmo e carência pessoal.

- Egoísmo e carência eu não sei. Mas é bom ouvir as coisas ditas com palavras diferentes ou com outras perspectivas. Se puder voltar conversaremos um pouco mais, sobre você e suas estranhezas. Quero te conhecer melhor!

- Pode deixar, eu vou voltar, com toda certeza.

By: Terapeuta – Sebastien Cavendish

18.8.14

Domingos III

Feito em 18 de Agosto de 2014...
Não sei nem ao certo o que é bom.
Aprecio o silêncio do sem som,
E não posso mais admirar o que faço como antes.
Domingo tem sol e eu tenho hábitos irritantes,
E eu não estou me importando com o mundo lá de fora,
Com o amanhecer da manhã e com a aurora,
Dos tempos passados, domingos passados.
E sim, eu continuo a me sentir um alguém tão vazio,
Já fui um ogro sem sentimento e frio,
E acabei o domingo sendo taxado de hipócrita.
Agora você e eu sabemos que o domingo é regra quebrada,
Você não pode jogar nenhuma jogada,
Por que é isto que se faz com o domingo de um inverno,
Um dia quente mais tão frio distante do que foi eterno.
As pessoas mudam suas aparências discretas,
Pulam e sorriem, surdo-mudos de bicicletas,
E o seu amor um pouco próprio vai além do que se espera,
Você não é a catedral e jamais será a capela,
Tristeza contrastando mudança, deixando de ser criança.
Início da semana. Início do cronograma que deve ser feito.
Dias amenos. Dias estranhos. Convicção que não existe o perfeito.
Aponta os erros, julga os achados e não olha os defeitos,
O egoísmo dos egoísmos dos transpassados pelo peito.
Heresia por pensar em pecar? Mais o que é pecado?
Vontade de proteger-se do mal, que corre paralelo ao lado.
Domingo virou um texto com má fama, de um mal amado,
Domingos são horas perdidas, domingo é tempo passado.
D.O.M.I.N.G.O.S

By: Sebastien Cavendish