23.9.14

Sobre o Fato

Feito em 23 de Setembro de 2014...
Como é possível você acreditar em uma mentira e dizer:
“Eu te amo muito, não consigo te esquecer”
E sair falando coisas que não sabe e nunca viu.
Queria poder te mandar para a puta que o pariu,
Mas ainda tenho respeito pelo que nos aconteceu,
Você diz que sou seu tudo, mas não foi o que me pareceu,
No final você é igual a todos os outros que eu mais odeio.
Um pouco de amor próprio é pedir muito? Eu ainda tenho!
E sobre mim? Sobre mim? O que você viu em quase 4 anos?
Hipocrisia, infantilidade. Uma pessoa com a sua idade?
Eu sei o que eu quero, não estou perdido entre minhas escolhas,
Eu sei o que eu faço, gosto de todas as minhas maneiras,
Você fala que os outros não prestam por que esconde algumas sujeiras.
Fala tanto desta cidade de merda. Pois você é esta cidade de merda.
Você é igual a todos deste lugar, você é o que você mora,
E isto era para ser sobre mim, não que dê a mínima bola.
Pode me chamar de estranho, de vendido, frio e sem sentimento,
Mas não invente ou aumente, eu não faço isso em nenhum momento,
Gritar que eu sou uma coisa que eu não sou! Por Deus!
Quatro anos da minha vida e você nunca entendeu!
Se sobre mim eu nem sei quem sou,
Não sei em que passo, que lugar, eu só vou,
O amor foi embora, o respeito me restou,
Por que não invento sobre você e acho que isto acabou,
Sinceramente esperava muito mais de você.
Mas não se espera uma coisa que as pessoas não podem dar,
Parei de sofrer quando deixei de te amar,
Por que você é um problema e eu sou uma indefinição,
Você sempre foi o sentimento e eu sempre fui a razão.
Perfeito! E sobre mim?
Eu tenho os meus princípios e meus valores morais,
Sou educado, sou esforçado e não quero nada demais,
Quero trabalhar no que gosto, ter uma casa e um cachorro,
Sair pelo mundo e desbravar como um menino em um sonho,
Não tenho nada sujo dentro da minha cabeça,
O seu pensamento sempre foi sujo, espero que não enlouqueça,
Encher a cara não é meu forte,
Não usei drogas e graças a Deus sempre tive sorte,
Eu não me revoltei quando perdi tudo que eu tinha,
Minha mãe, minha saúde, tudo aquilo que existia.
Espero que dobre a língua antes de falar de mim Vinicius,
Posso escrever e entreter, pois esses são meus vícios,
Mas não me compare com alguém que um dia você conheceu,
Sou uma particularidade dentro de um mundo que é só meu,
E vivo desta maneira e esta é a minha forma!
Esquecer não é inventar que sou um gay e não te dava bola,
Por que isto não é a verdade sobre o fato.
Cansei de escutar e não falar nada exato,
O pouco interesse que tinha era culpa sua,
Não podia fazer nada em casa e nem olhar para o lado na rua,
Eu estava trancafiado em meu mundo e no que você pensava,
Quando na verdade percebi que nem mais te amava,
Essa não era a minha vida e nem o pouco que esperava,
Então trouxe a verdade para o desrespeito que observava.
Não lhe enganei, nunca mais lhe toquei, por que não uso as pessoas,
Pessoas não são descartáveis e eu não sou insignificante,
Amar é fazer amor, transar não é ser amante,
E aguentei suas bizarrices até o final.
Não que eu seja uma pessoa também normal,
Às vezes posso ser sim, muito bem compreensível,
Sou sobre-humano, sou irreconhecível,
Mas não pinte minha cara como o estranho desprezível,
Como o tirano sem coração, frio e inflexível.
Sobre mim? Eu acho que você nada sabe.
Quem sabe um dia se lembre de alguém que eu fui de verdade,
Mas não crie um personagem, não misture com o que você leu,
Por que um é um, e o outro, este sou eu.
O que por 4 anos você viu e com quem você conviveu?
Você diz que sou de um tudo e acho que este assunto morreu,
Ainda tenho um grande respeito pelo que nos aconteceu.

By: Vinicius Osterer.

22.9.14

Equinócio de Setembro V

Feito em 21 de Setembro de 2014...
Sim sou, sim eu sou uma parcela significativa do crime e processo,
Ouvi aplausos e de aplausos me viciei, sim eu confesso,
Equinócio de Setembro eu não sei nem por onde eu começo,
Tenha um pouco de paciência, quero descrever este crime em um verso.
Compreenda-me, por favor, eu insisto e eu lhe peço,
Estou confessando-me por que eu quero ser honesto,
Eu me matei, uma parte de eu morreu, equinócio funesto.
Nada se faz ou se fabrica no sentido reverso.
“Roubar a minha vida? Isto chega a me dar náusea,
Não existe um vilão, ou um comprometimento de causa”
“Para curar e apaziguar as suas terríveis feridas,
Você precisa deste tempo, das suas férias merecidas”
Precisei quebrar o silêncio, matei alguém e coloquei no porta-malas,
Não podia mais guardar, retirei este segredo do meu peito,
“Abrir a boca é morte, é tiro no meio da sua cara”
Não posso ser torto, incorreto. “Não sou direito e nem perfeito”.
Perdi o controle e tudo que eu tinha conquistado,
Em um jogo de tabuleiro com uma virada de um dado,
E sim, eu sou um humano e estou me sentido drogado,
“As minhas melhores partes desmembradas pelos lados.”
Aquele maldito amor, aquele olhar e aquele amar,
Foi a forma de isto acontecer, a forma de me matar,
Um cadáver no porta-malas que eu tenho que enterrar,
Preciso ir, preciso ir, quero chegar e escavar,
Não quero beijos, não quero olhos, nem mesmo felicidade,
Quero a covardia, todos os meus medos e a minha maldade,
Não há nada nesta Terra que supra minha necessidade,
Isto é maior que o equinócio, é a primavera da verdade.
Este equinócio é tão frio e tão prático,
E este frio é o amor frio que tenho aos fatos,
Não gosto de música e prefiro sempre o estático,
Do que ouvir pensamentos insignificantes e chatos,
Sobre amor, sobre olhar e sobre amar,
Os três maiores medos que me obrigaram a atirar!
Tenho um corpo morto em decomposição no porta-malas,
“Virou força de meu hábito, olhe seu tom, cadê minhas balas?”
“Calculei de uma forma inflacionada,
A quantidade de veneno e aspereza da minha língua,
Passei da dose e acho que você foi envenenada,
Depois você morreu com um tiro por que não tive saída!”
Não adianta se amar de uma forma vangloriada,
Se continuar a colocar o seu dedo na ferida.
“Eu caí no buraco do Sr. Coelho e suas chances foram grandes,
Agora estou mais apegado ao meu humor psicopata trágico,
Sou quase a imbecil da Dorothy no caminho dourado até Londres,
Voando em um balão para a Terra de Oz, que mágico!”
Amor, aquele amor, tão frio e nada fantástico,
E eu com meu veneno tornando-me mais pragmático.
Podando as arestas e fechando as frestas,
Eu já fui a arte da sedução e mentira,
Eu sou um exemplo para ser fixado,
Nos grandes painéis que você olha na esquina.
Se eu inspiro a sua obra, pode falar me confesse,
Peça perdão por não poder me contar,
Um dia quem sabe seja e não negue-me,
Aquele amor, aquele olhar e amar.
Eu tenho um corpo para enterrar!
Eu tive que matar para não parar no tempo,
Usar a minha ideia um crime, “eu não aguento!”
Um crime dos grandes, um crime bárbaro e horrendo,
“Não posso aguentar, não quero tentar, eu lamento!”
Não me julgue, pois você não faz nem mais e nem menos,
Eu apenas lhe apresentei os meus sonhos e meus venenos,
E tenho uma parcela significativa de culpa sobre o crime e processo,
Todos possuem seus vícios e esses são os meus, eu confesso,
Matei uma pessoa, e o enterrei neste mesmo verso,
Sim eu fiz. Eu fabriquei pelo sentido reverso,
Equinócio de Setembro. Foi um fim. Então recomeço.
O amor próprio é tudo. Se dê valor. Eu me despeço.

By: Sebastien Cavendish

21.9.14

Terapia N°3

- Bom. Resolvi voltar. E acho que trago algumas coisas novas. Boas notícias que queria lhe contar.

- Então, me conte um pouco mais sobre estas boas notícias. Posso ver que você está realmente bem animado.

- Sim. Ontem acordei e enxerguei algumas coisas que estavam densas e que precisavam ser consertadas. Foi tudo tão físico, que sabe, acho que foi apenas representativo, eu consegui consertar em mim alguns problemas que me incomodavam. Foi muito libertador este sentimento, e acho que vou cortar mais coisas, reparar mais alguns erros.

- São notícias boas mesmo. Fico feliz em saber que você está melhorando. E teve mais alguma crise?

- Não. Que eu me lembre não. Estou com um tempo bem maior para mim, e acho isso muito perfeito, consigo ser criativo e até pensar melhor e direito. Estou me sentindo renovado, estou me sentido novo, estou gostando de estar assim. Aberto às coisas positivas e receptivo as negativas também.

- E por que não. Coisas negativas realmente acontecem e não temos por que ficar privando-nos de coisas ruins. Elas acontecem com todos e ninguém é exceção. É bom saber que começou a pensar desta forma. Uma forma limpa e pura de pensar.

-Obrigado. E acho que tenho que rever mais algumas coisas. Mas, ainda tinha algumas dúvidas. Bem por enquanto deixa como está.

- E com relação ao seu trabalho, alguma queixa, alguma coisa nova, algum problema?

- Como estava dizendo eu estou muito criativo. Estou gostando do que faço. Estou me apaixonando pela liberdade de criação. Criar para mim está sendo como ver um filho ou uma parte sua sair do nada, e do nada ganha uma importância e uma... Não sei nem como me expressar. E isso me deixa feliz. Estou muito feliz. Estou sentindo a alegria vindo e ficando. Acho que estou ligado no positivo.

- Ligado no positivo. Isso até é engraçado! Acho que é uma boa resposta para descrever um bom dia, uma boa perspectiva ou um sentimento bom. Mas e ligado no negativo? Nem um pouquinho? Não que queira jogar um balde de água fria sobre isto tudo que você sente, mas é bom manter certo equilíbrio. Quando a felicidade é grande, no meu ver, você põe expectativas demais sobre determinadas coisas. Você planejou de uma forma criativa, por exemplo, o seu trabalho, e de repente ele não funcionou. E aí? Como reagir? Expectativas são necessárias sobre todas as circunstâncias, fatos e pessoas. Espero que tenha me entendendo, mais ou menos.

- Consegui lhe entender. Coloco expectativas mesmo. Mas desta vez estou colocando expectativas em uma coisa que realmente acho que vai dar certo, não vai ficar como eu queria e já pensei desta forma também. Mas vai ficar da maneira que eu gosto e isto para mim já é mais do que suficiente.

- Que bom então. Isto que realmente me deixa alegre. Te ver sorrir e ver que você consegue como você disse, consertar alguns de seus erros. Mas não tente ser perfeito.

- Sim, eu já parei com esta mania. Aprendi algumas coisas sobre isto também, á duras penas, mas aprendi.

- Bom. Isto é muito bom. E o que mais quer falar. Como você está reagindo quando deve falar e não guardar alguma coisa?

- Eu às vezes falo e outras vezes não.

- Mas não é bom guardar estas coisas para você, não te fazem bem.

- Eu quando chego a um limite, eu escrevo. Escrevo sobre quase tudo. E gosto muito do que escrevo, é libertador. É criação.

- Você escreve? Poderia um dia ver sobre o que você escreve?

- Sim. Sem problemas. Eu tenho um blog. E lá eu escrevo já fazem uns 4 anos.

- É? Escrever é uma forma de não guardar para si mesmo coisas ruins. Então na próxima terapia poderia me trazer algum texto seu, que seja importante para você?

- Acho que posso. Não podem ser algumas frases. Pois textos marcantes são muitos.

- Ótimo! Então traga essas frases e mantenha-se ligado no positivo!

- Está bem! Até.

- Até mais.

By: Sebastien Cavendish

18.9.14

Armadura de Guerra

Feito em 12 de Setembro de 2014...
Hoje a madrugada está iluminada,
E o meu corpo está blindado contra qualquer mau,
Acabei me perdendo em uma encruzilhada,
E acho que este pode ser um sinal.
Revesti-me com minha armadura,
Com um pouco a mais de consideração,
E me entreguei a minha própria bravura,
Olhei para um lado e tomei uma decisão,
Segui. Fui embora. Desapeguei desta loucura,
Chegou a hora de seguir uma direção.
Aos poucos o mundo mostra,
Que nossa vida não é uma bosta,
O que nos falta é um pouco a mais de empenho para viver,
Ninguém mais se importa, ninguém se pergunta,
Que escolha podemos ainda fazer?
O pouco que é meu não é contento que me agrada,
E quero mais que uma armadura, quero uma espada,
Pois sou meu, e sou meu, armei uma grande jogada,
Planejei do jeito certo, e se é certo não é roubada.
Dentro da luz, dentro do escuro, dentro da madrugada,
Um jogo seguro de um e só um, um jogo sem regra quebrada.
E quem diria como na sexta que é doze que aconteceria,
Que do nada e mais do nada eu enlouqueceria,
E assim ainda do nada eu nem mesmo esperaria,
Que chegasse este desejo tão pleno e claro como a luz do dia.
Um pernilongo está tentando sugar o meu sangue que é alimento,
Está tentando levar embora o meu suor e meu talento,
Não é desta forma, não vou embora sem meu momento,
Eu quero uma glória, uma armadura, um corpo blindado com o tempo,
Vou-me embora em uma noite chuvosa, com raios e muito vento,
Agosto na vida e na madrugada, aposto em eu e neste tormento.
Lembrança varrida, é de outra vida, outro sentimento,
Quem sabe é hora, oh minha senhora, o meu sofrimento.
Tem dias que acordo, em outros nem mais durmo,
Tem dias que bebo, tem dias que choro, em outros eu já nem fumo,
Saio por aí tentando me achar, ganhar algum prumo,
Nem mais me enxergo, nem bagunço o cabelo ou me arrumo.
Desejo-te sorte, um pouco de vida e um pouco de crescimento,
Não sou mais criança, não sou um adulto, e nem sou tão isento,
A culpa é mutua, a madrugada é clara, e eu estou aqui dentro,
Hoje o tempo resolveu não passar e está tudo muito lento.
Mentira? Mas sou meu e tenho minha armadura,
Pois se existisse um corpo blindado era o meu,
Minha armadura de guerra, e todo meu,
Minha carne, minha vida ele brilhava e era meu,
Este corpo blindado é o meu, e só meu.
E qual foi a sua promessa? E o que foi que você prometeu?
E agora tinha a espada, e a sua armadura e o seu corpo,
Ele mantinha a compostura e o rigor de um escopo,
Vivia fabricando sonhos com uma corda no pescoço,
E o corpo era o meu, o corpo era o meu e só meu,
Mas a culpa não é minha, e este corpo é todo meu.

By: Sebastien Cavendish