22.10.14

Pílulas

Feito em 19 de Outubro de 2014
Minha mãe sempre me alertou para o contrário,
E aceitei Jesus, rezei mais um rosário,
Pedindo perdão por consumir uma imensidão de doces.
Mas e agora? E se eu ficar viciado?
Como poderei disputar o meu mestrado?
Melhor viver a vida e tomar mais cuidado,
Existe alguma coisa que ainda não se encaixa,
“Senta aí cara, vê se você relaxa!”
Mas minha mãe sempre me ensinou tudo ao contrário.
E se não é azul eu acho que posso pintar,
Misturar algumas cores para eu poder tomar,
E acreditar que uma pequena pílula faça efeito,
“Eat me”, “Drink me”, eu fiz isso tão direito?
Não me venha mais opinar para colocar algum defeito,
Por que eu sou marrom e ninguém nasceu perfeito.
Eu sabia que iria mesmo assim para o inferno,
Por isso eu comprei uma roupa e passei o meu melhor terno,
Não posso conhecer o demônio com a minha pior aparência,
Oh mamãe! Minha mente está doente, entrando em demência,
Mas não posso mais parar de chupar pirulitos,
Eu sei que você sempre alertou ao contrário,
Eu poderia falar, mas eu prefiro os mesmo gritos,
Do que mudar a minha data de aniversário.
É coisa estranha do meu ano e do meu calendário,
Tem haver com o zodíaco, não está no dicionário,
Mas por que você sempre me ensinou tudo ao contrário?
Eu não sei se isto é visto com alguma valia,
Mamãe por que será que estava entrando nesta fria?
A vida é medonha, mamãe, a vida é vazia,
Um copo de açúcar alimenta a minha alegria.
E de quem foi esta brilhante ideia?
Tomei um refrigerante diet para manter o meu peso,
Por que será tudo igual, se eu enxergar sempre o mesmo!
E ainda me questiono de quem foi esta brilhante ideia!
Mas existe alguma coisa que ainda não se encaixa,
“Sit down man, relax, vê se relaxa!”
Mas minha mamãe sempre me ensinou tudo ao contrário!
Jesus me parece ser bem mais inteligente,
Gostaria de contratá-lo para matar muita gente,
É isso que falta para você me ver contente,
Um pouco mais assíduo e bem menos exigente.
Coloque-se no seu lugar pessoa!
Compostura! Recomponha-se, um ou outro que destoa!
Uma camiseta barata é mais digna,
Do que uma não paga, que coisa maligna!
Por quê? Satanás você provocou este ódio,
Essa briga não é minha e não tem nenhum propósito.
Mas comi tanto doce que estou no limite da doçura,
Matei uns 4 ou 5, ali virando aquela rua,
Que bela maneira de se aproveitar o meu dia,
Mamãe por que será que tenho minha mente tão fria?
“Sit down man, vê se você relaxa!”
Mamãe eles apenas queriam a minha desgraça,
Por isso que existe alguma coisa que não se encaixa,
E você sempre me alertou que isto não era o contrário!
Felicidade de mais incomoda e machuca,
Você sempre é o louco, sua cabeça é que é maluca,
E a pílula não faz mais o efeito necessário,
Chorar e pedir a Deus, rezar mais um rosário,
Mamãe por que você me deixou no meu aniversário?
Mamãe você estava certa, este mundo está ao contrário,
Peguei minhas coisas, minhas roupas, limpei meu armário,
Eu vivo a minha vida baseada no meu calendário.
Queimei tudo aquilo que não faz mais nenhum efeito,
Eu não fui um filho de ouro, e não fui um filho perfeito,
Mas eu tento me conformar com a realidade existente.
Mais pílulas e pílulas para eu ficar contente,
Mas isso não muda o fato de eu ainda ser um doente.
Oh mamãe! Minha mente está entrando na demência,
Mas eu estou me comportando para manter a aparência,
A vida é tão medonha, mamãe, a vida é tão vazia,
Mais um copo de açúcar que alimenta a minha alegria.
“Senta aí cara, vê se você relaxa!”
“Bebe aí cara, com este remédio tudo passa!”
Mas mamãe, você sempre me ensinou tudo ao contrário!

By: Sebastien Cavendish

20.10.14

Terapia N°4

Feito em 19 de Outubro de 2014...
- Eu precisava tanto falar com você! Eu tenho um paciente que está me deixando meio louco. Eu não consigo mais ouvi-lo sem querer esbofetear a cara dele, sem querer enforcar ele com as minhas mãos, será que isto é grave?

- Eu acho que é. Você também é terapeuta e sabe que isto é grave! Por que não sugere que ele ache outro terapeuta e diga para ele que você não pode mais trata-lo!

- Não isto não. É o mesmo que assinar por escrito que não sou capaz de tratá-lo. Você sabe que nunca abandonei nenhum dos meus pacientes. Mas esse me assusta, ele é muito diferente, e está afetando a minha saúde psicológica.

- Se é tão grave você não estará desistindo dele, você estará o encaminhando para um tratamento alternativo, pode-se dizer, e isto não é fracassar.

- Será doutor? Tenho medo de errar com este paciente.

- E se errar qual é o problema? Nós não somos infalíveis! Nós todos somos seres humanos, e toda a raça humana é imperfeita.

- Meu Deus, em que situação eu cheguei. Não quero mais ver este paciente. E se eu mudar de cidade e fugir dele... Não sei, eu não estou nada bem. O que eu estou dizendo? Ele está me perseguindo doutor, está tentando assumir a minha cabeça! Ele quer me ver cair, ele quer me ver no chão, ele tenta me destruir doutor. Isso já me aconteceu, eu sei, mas agora estou no meu limite!

- Eu sou um pedaço do seu subconsciente, eu não posso falar muita coisa sobre isto. Mas ele não pode assumir o seu dono. Ele é a obra e não o criador!

- Eu sei. Mas ele está no meu limite. Você acha que eu devo matá-lo?

- Não! Coloque-o apenas no seu devido lugar! Mostre quem manda.

- Aí meu Deus! Eu tenho que conseguir. Vou tentar. Eu tenho que ao menos tentar. Aí depois posso cogitar a ideia de dar um tiro no meio da cara daquele idiota patético.

- E no mais? Fui feito pra isso... Como anda o criador e terapeuta, arquiteto.. sei lá...

- Está bem complicado. Eu acabei misturando tanta coisa: o pessoal, a obra, o meu trabalho, a ficção, isso tudo me deixou meio fora de eu mesmo. E olhe que para estar fora de eu mesmo eu preciso estar realmente bem desesperado para assumir o controle sobre minha vida.

- É. Quem sabe foi daí que eu surgi. Deste seu tempo fora de você mesmo. E o que você me diz sobre seus planos para o futuro?

- Sem planos para o futuro. Estou mais na fase do que vier é lucro. Estou bem nem aí ultimamente. Acho que pela inexistência de um lugar físico para abrigar a minha alma.

- Nossa, isso foi muito profundo. Lugar físico para abrigar... Esta frase pode estar na sua lápide do cemitério!

- É. Pior que nem percebi o impacto que ela causou. Será que devo continuar na arquitetura? Às vezes tenho receio de que este mundo cheio de fonéticas me encanta mais.

- O que você acha bom e se vê fazendo daqui alguns anos?

- Ambas as coisas. Mas acho que sou mais perceptivo as coisas físicas e materiais. Gosto desta materialização do pensamento, eu não sei se não vejo a escrita apenas como um hobby.

- Acho que você é meio louco!

- Sabe que eu também comecei a achar isso!

- Bom e com relação ao seu paciente?

- Ah! Que merda! Queria poder me desvincular dele. Ele me deixa para baixo. E acho que nunca fui terapeuta de profissão. Eu sempre fugi das sessões de terapia.

- Mas é o seu caso. E você não vai querer perder para ele. Ou você vai?

- Lógico que não. Você não me conhece mesmo. Nunca me conheceu. E nem iria se não fosse este pequeno deslocamento da minha retina.

- E os choques elétricos que você recebeu...

- Cala a sua boca! Não lhe dei nenhuma liberdade. Quanta ousadia!

- Desculpa, nossa. Credo, que mau humor!

- Não lhe pedi nada, não estou lhe obrigando a me ouvir. E nem questionei o que você me falou. E eu sou o grosseiro? Você é intrometido... Não me encosta... Que fala coisas que não sabe, que se mete onde nem foi chamado...

- Então não falo mais nada.

- Pois vai falar! Eu estou lhe criando para poder ouvir o que você fala! Mas credo. É só não se intrometer em assuntos que não são seus.

- Nossa quanto autoritarismo, oh Fidel! Um momento por favor... Meu telefone...

Soraia: - Doutor um paciente lhe espera. Ele estava marcado. Desculpe o inconveniente!

- Tudo bem Soraia. É ele? Se for mande-o entrar!

- Ele quem? Você está louco, eu estou falando com você, eu estou em terapia, por que você marcou com outro paciente?

- Deixa de encher o meu saco. Você quer que eu ouça e eu só quero resolver o seu problema. Por que você agora passou a ser um paciente incomodo para a minha sanidade mental!

Soraia: - Sim doutor, doutor? É ele. Bom, ok.

- Eu marquei com este paciente por que achei que seria alguma coisa úitl. E vai ser...

Sebastien: - Olá... Meu terapeuta? O que você faz aqui? Este não é meu horário doutor? A secretaria... Soraia o nome dela... Tinha ligado na minha casa e me dito que...

- Acho que vocês devem conversar Sebastien.

Sebastien: - Não estou entendendo... Eu converso com ele. Ele é meu terapeuta. Mas ligaram e me disseram que era pra vim aqui, e não estou conseguindo entender mais nada...

- Ele é louco Sebastien. Este doutor é louco! Nós iremos conversar sim doutor, mas no meu consultório, no horário que já havia sido marcado não é mesmo Sebastien? Agora você já pode se retirar, muito obrigado!

Sebastien: - Não entendi nada, mas tudo bem. Até então... Senhor terapeuta... Tchau doutor.

- Tchau Sebastien... Eu não resolvi o problema? Agora o terapeuta pode falar com o paciente... O criador pode adestrar a sua criatura!

- Você é um idiota! E fique você sabendo que você será o próximo! Quando você aparecer com a boca cheia de formigas, aí nós veremos do que eu sou capaz de fazer. Você não é nada mais que um deslocamento da minha retina...

- Tudo bem. Mas que resolvi o problema eu resolvi. Grosso... Sai assim sem dar tchau... Mal educado... Credo... Ainda quer me ameaçar... Jesus. Preciso de férias...

By: Sebastien Cavendish

19.10.14

Monólogo

Feito em 18 de Outubro de 2014...
Todos aqueles dias de chuva inundaram um pedaço de mim,
Eu acordo todos os dias com um grande ódio da minha vida,
Queria estar morto e não estar aqui travando um diálogo,
Por que não estou bem psicologicamente para um monólogo.
Não estou estruturado o suficiente para as rimas,
E já estou acostumado a ser trocado por pessoas mais úteis,
Menos cansativas e mais prazerosas para assuntos tão fúteis.
Não estou mais dando bola se tiver que morrer hoje ou amanhã,
Por que não gosto mais nem da ideia de viver,
E odeio dias de sol, prefiro os dias de chuva,
Com nenhuma alma viva ou morta andando pela rua.
Eu não posso mais ver ninguém, ouvir ninguém,
Não posso mais falar com ninguém,
Eu não estou me sentindo nem um pouco bem.
Eu odeio este tipo de sociedade que se troca por interesse,
Que se esquece do que disse ou nem se lembra de quem riu,
Eu quero mandar alguém ir para a puta que o pariu,
Por que não consigo mais fingir para agradar a todo mundo.
Onde é que estão as minhas realizações diárias?
Eu não posso desfrutar de coisas que são temporárias?
Por que quando é comigo tudo sempre é errado?
Por que as coisas nunca podem andar para algum lado?
O meu trabalho é um fracasso, é a labuta de um vagabundo,
Sinto-me sujo e inutilizado, me sinto menos que um defunto,
Não pode ser assim tão errado. Não pode ser assim o errado,
Eu olho e só vejo mais do mesmo, será que não fui avisado?
Sou um idiota por tentar agradar o que não se agrada,
Por tentar ofuscar uma chama que em mim não se apaga.
E o que é que estou fazendo para não dar nada certo?
Não é de hoje que percebo que estou sozinho em um universo,
Alguma coisa em mim está se habituando ao diferente,
Estou bem mais aliviado e um pouco mais inteligente,
Pois sei que ainda existe uma solução fora deste horizonte parado,
Eu não sou um ser nojento, meu coração está enjaulado,
Não quero ofender mais ninguém com minha grosseria,
Eu queria esta paz que nós chamamos de poesia,
Por que estou com raiva e isto está me fazendo mal.
Eu não posso mais escrever sobre isto,
Eu não estou autorizado a matar ninguém neste momento,
E estou por aqui parando por raiva e não por falta de talento,
Por que não aguento mais usar um nariz de palhaço para o circo,
O circo dos horrores, que me ofende todo dia,
Quando eu acordo e vou dormir, acho que isto é covardia!
E não quero mais agradar a ninguém, pois não sou agradado,
Quero mais que tudo exploda, e que você esteja ferrado,
Por que odeio a sua maneira de querer tirar o meu tapete,
Criança volta para o play para tomar o seu sorvete,
Estou sem vontade de continuar este monólogo,
Estou sem vontade de desperdiçar o meu tempo,
Por que estou com raiva sem motivo,
Por que estou calado neste momento.
Monólogo é feito de um, monólogo você não é isento,
E nesta troca de cadeiras, alguém ficou sem o assento.
Quase vomitei na sua cara esses dias atrás,
Como pode piamente ainda acreditar nos seus pais,
Mas chega, por hoje eu acho que chega se não eu não me recupero,
A minha tristeza virou raiva, e brigar é o que eu não quero,
Desejo a sua pessoa um bom dia!
Não sei aonde eu irei dormir, talvez no sofá ou no colchão na sala,
Queria tanto uma arma para me dar um tiro na cara,
Ninguém deveria viver obrigado a aceitar,
Queria poder morrer para parar de reclamar.
Sou um idiota por tentar agradar o que não se agrada,
Acho que é isso. Fim de monólogo. Página virada.

By: Sebastien Cavendish

18.10.14

Memória Curta

Feito em 17 e 18 de Outubro de 2014...
Meu nome é Sebastien e essa é minha história,
Isso tem haver comigo e com a minha curta memória,
Eu posso reiterar que existe um ponto em que não sou normal,
Apenas um ponto que anda me fazendo muito mal.
Eu luto contra um pensamento que já havia sido planejado,
E não consigo entender como eu encho tantas folhas,
Acabei por mudar tudo que era perfeito e tão bem pensado,
Mas quando foi que apareceram as múltiplas escolhas?
Não se pode mais nem prever o futuro,
Não se pode mais confiar em ninguém do passado,
Dentro da minha casa eu me sinto tão seguro,
Eu virei um objeto sem valor e quebrado.
E não consigo mais responder nenhuma pergunta,
Quando foi que apareceram as múltiplas vontades?
Parece que tanta coisa ruim sempre vem junta,
E não consigo esconder minhas múltiplas personalidades.
Teve um momento que isto tudo passou a ter algum sentido?
Talvez eu pudesse ouvir um pouco mais do que eu digo,
Minha vida não é tão medíocre ao ponto de eu não acreditar,
De que seria um imenso prazer ser feliz e poder me amar,
Pois toda e qualquer coisa tem uma hora e tem um lugar,
E neste ponto eu sou um espectador que não pode nem julgar.
Aonde as coisas chegaram? Aonde elas poderão chegar?
Não se pode ver a justiça e não se pode mais nem questionar!
Não se pode tanta coisa, já não se pode nem mais falar.
Não consigo esconder o medo que tenho das pessoas,
Das coisas que eu faço, da opinião que eu recebo.
Eu tenho um trauma decorrente das minhas escolhas,
E às vezes eu falo e eu nem mesmo percebo.
Sempre fui um alvo tão fácil, e hoje eu estou segurando a mira,
Com receio por temer tantas coisas inaceitáveis,
Nada mais me derruba e você não é mais a mesma mentira,
Você agora é real, e busca por coisas inabaláveis.
Eu não me permito e a minha religião também não,
E não faz mais sentido ouvir apenas a minha razão,
Prometi não pecar e nem mais falar sobre isto pelo momento.
Por que tudo é tão difícil e eu não tenho sentimento?
Existe tanta coisa maior que a minha boa compreensão,
Não sei se peco em meus planos ou se mantenho a direção,
Por que não posso conviver pacificamente na dualidade,
E se não gostar? E se gostar? Que haja uma neutralidade!
Não sei onde começam ou onde terminam as escolhas,
Tenho tantos medos, receios e minhas vergonhas.
Não me permito sentir tudo aquilo que eu sinto,
Às vezes eu sorrio baixinho, entre choros, e eu omito,
Não preciso escrachar a realidade, eu sou um mito.
Como posso ser extremo? Eu sou o silêncio e tenho dito.
Não consigo mais pensar estou com a memória curta,
A minha boca está fechada enquanto minha cabeça surta.
Verdade que é verdade nunca poderá ser absoluta,
É em parte uma mentira, é uma pedra ainda bruta.
Eu não posso esconder que foi embora o meu talento,
Eu tento escrever e tento criar e só reinvento,
Nada mais é como antes, minha memória é como vento,
Vai e vem com um sentido, vai se indo e já é tempo.
E por que meu deus eu tenho que escolher?
Por que não posso apenas fugir e me esconder?
Por que não posso ficar com tudo isto que eu sinto?
A minha mente está furiosa, é um cão raivoso e faminto.
Ainda sou Sebastien? Acho que sim é minha memória,
Isto tem haver comigo e com a minha vida e história,
Como posso não acreditar que ainda existe alguma vitória?
Um dia na lama, um dia de cama, no outro dia a minha glória.

By: Sebastien Cavendish