28.2.15

Nem Mais e Nem Menos

Feito em 28 de Fevereiro de 2015...
O cansaço me agarra e me prende,
Com seus tentáculos me faz ser menos do que eu sou.
E os meus problemas não são maiores e nem menores,
Do que os seus problemas ou do que lhe restou.
E não é resto que lhe resta,
E não é pouco que me move,
Deixei uma fresta entreaberta,
Que me inspira e me envolve.
Nós nascemos enjaulados e temos medo de expressar,
Medo da voz que chega e medo de não poder falar,
Mas não nascemos grudados,
Nascemos aprisionados, alguns sem a chance de vitória,
Mas não sou menos e nem sou mais dentro desta história.
Deixei os meus medos e assumi alguns riscos,
E caí de cabeça perante os meus grandes vícios,
Viciei em um jogo que não é de cartas,
Apaguei o meu passado de todas aquelas marcas,
Eu vivi para poder escrever o meu relato,
Talvez eu enlouqueça. Com um tiro eu me mato,
Mas este é o meu primeiro passo,
A preguiça me domina e me vence pelo cansaço.
Os tentáculos estrangulam e me puxam com força,
Para uma certeza, que estou em um jazigo morto,
Enlouquece-me a cabeça e espero que me torça,
Que me governe por um caminho que não me deixe louco.
Eu padeço de um mal e isso não é pouco,
E não é pouco que me move, eu estou solto, tão solto.
A vida é uma caixa de incompreensão,
Um pedaço de um nada em lugar nenhum,
Estou entrando de cabeça nesta escuridão,
Eu não faço sacrifícios e nenhum jejum.
Um pedaço de um nada em lugar nenhum,
E não é resto que lhe resta, você não é comum,
O cansaço que me agarra,
O sacrifico que me prende,
Se tomar mais uma dose, não faço nada que lhe surpreende,
A fresta de luz, o tentáculo que aperta,
Um caminho que se caminha com a mente aberta.
Não existe mais ou menos. A minha opinião nem sempre é certa.

By: Vinicius Osterer

27.2.15

Mil e Uma Vidas

Feito em 27 de Fevereiro de 2015...







Sim. Eu estou cheio de cabelos brancos,
Mas eles são brancos naturais e meus cabelos brancos,
As minhas vontades de ser bem mais natural.
Estou conseguindo manter-me fiel a um propósito,
A uma vontade interior que não mais me sufoca,
Que liberta de mim as piores fases da minha vida.
Às vezes devemos nos preparar internamente,
Para as coisas boas feitas de nossas boas escolhas,
Das coisas boas e positivas que nós mesmos plantamos.
Devemos juntar as nossas forças para colher as safras,
De certezas e convicções de que os dias melhores chegaram,
De que as coisas e os problemas mudaram,
De que as ideias criativas germinaram e brotaram,
De que todos os esforços se uniram e somaram,
As batalhas e as incertezas se acabaram.
Estou mais satisfeito com o que eu me tornei.
Eu sou essa mistura de solidão com o mistério,
Com as coisas que eu faço e as coisas que eu quero,
Com tudo aquilo que eu sou sobre as cortinas fechadas,
Sobre o meu mundo fechado de palavras manipuladas,
Expressões artísticas e belezas que são mascaradas.
O meu amor não é materializado sobre o plano físico,
Não é um amor único com um dado específico,
Nem um amor doentio atribuído à outra pessoa.
Eu amo viver e ter a minha cabeça louca,
Louca e cheia dos meus cabelos brancos naturais,
Mais brancos e mais vividos do que a dos meus pais,
A brancura que me fez envelhecer e acelerar um processo,
Um processo de libertação que me prendia à tinta de cabelo,
Aos tons de preto, de azul, de verde e de vermelho.
Eu não desperdicei o meu tempo. Ele não foi vago.
Eu não me juntei com a nova era e fui um mago.
Eu não me viciei em um hábito sombrio e fui amargo.
Hoje eu vi feliz que eu tenho olheiras profundas,
Que estou bem mais magro do que o habitual,
Mas não tenho dor crônica ou sentimentos destrutivos,
Ou as minhas velhas vontades de mil e um cabelos tingidos.
Eu sou todos os fios brancos e as expectativas,
Todos os alter egos que somam mil e uma vidas.

By: Vinicius Osterer

23.2.15

Solidão da Felicidade Pessoal

Feito em 23 de Fevereiro de 2015...
Quero guardar este momento em que estou com pouca luz,
Sentado na cadeira da cozinha com a casa fechada.
Acabou a chuva e o sol chega até a mim,
Pelo vidro canelado fechado da janela.
Estou ouvindo ARTPOP e sentindo uma brisa fresca,
Que vem da porta na minha frente.
Parece que um mundo desabou. Mas eu fiquei em pé.
E já ouvi três vezes todas essas músicas hoje,
Estou feliz. Sim, estou feliz.
Acordei e passei tinta azul no meu rosto.
Sim hoje eu estou feliz.
Por um dia esqueci-me dos meus problemas,
Resolvi me fechar para escapar da chuva,
A chuva que cai lá fora e na minha vida.
Eu apenas quero isso. Essa felicidade solitária e pessoal,
Esse sentimento que eu agarro com as minhas duas mãos.
E eu não faço rimas, eu faço momentos únicos,
Em que eu estou sozinho de tarde “na minha casa”.
Eu choro, mas de alegria. Eu tenho vontade de viver!
Como tudo isso sempre me faz pensar e crescer,
Eu às vezes sou maior do que a minha própria vida,
Eu me encontro em um lugar que não existe,
Cercado por luz, por alegria e felicidade,
Como uma aura positiva e brilhante,
Uma sensação grandiosa e pulsante,
Que me faz querer mais, sempre mais e muito mais.
Eu levantei e eu deixei a luz entrar pela janela,
Que agora está aberta me passando informações,
Que tudo está mais verde lá fora,
Depois da chuva, dos ventos e das depressões.
Eu amo viver, eu amo ser esta pessoa que eu me tornei.
Por que hoje eu estou condicionando-me a solidão,
Mas a uma solidão de felicidade,
Para a minha solidão de felicidade pessoal,
Repleta das coisas que eu mais gosto:
Do escuro, de música que me faz bem, vontades aleatórias,
De textos estranhos, poesias sombrias e muitas vitórias.
E todo aquele vento sacudiu as folhas e fez meu mundo fechar.
Fechei-me para os fracos, para os invejosos e para a vontade de reclamar.

By: Vinicius Osterer

22.2.15

Cigana Rosa

Feito em 22 de Fevereiro de 2015...
Eu vi em sua mão um caminho incompleto,
Repleto da incerteza e sem ninguém por perto,
Para onde foram as suas linhas da felicidade?
Eu caí dentro da toca de uma cobra,
Que devorou a minha vontade de escrever,
E não consigo mais pedir para a cigana Rosa,
O que iria me acontecer.
Uma bebida que não é chá é me servido.
Eu comerei ou eu serei comido?
Eu sou a refeição ou eu sou o seu convidado?
Jogarei as cartas e todos os meus búzios,
Esse texto é para ser complicado?
Melancólico, triste ou macambúzio?
Eu não sou a arte, eu sou a presa acuada,
Sou um monte de linhas que não chegam a nada.
Porque cigana qual é o meu pecado?
Porque essa linha tem que ser a minha estrada?
Cigana maldita você fez um estrago,
O mundo é meu e serei apagado.
Porque cigana qual é o meu pecado?
Viver com pouco ou viver amado?
Existe um espaço vazio e consumido por um mal,
Um ser que me devora, que tira de mim a minha cor,
O covil de uma cobra que me ama e me adora,
Um momento maior do que a minha dor.
Eu preencho com cartas, com previsões e com certezas,
Todas falsas sobre as minhas maiores fraquezas,
Um herói que não devora as suas presas,
Mas é devorado pelos seus medos e seus horóscopos,
O zodíaco das oferendas para Plutão ou para os inóspitos,
Os inóspitos lugares que guardam a bola de cristal,
Que guardam as previsões de cigana Rosa,
Um nome fictício que eu criei com esta prosa.
As linhas do meu corpo tendem a ir para o meu coração,
Está pulsando alguma coisa que dá vida a emoção,
Num ritmo estrelar de um baralho cigano,
Se errar a sua previsão foi por um engano,
E se não devorar você será devorado,
No ninho das cobras com um beijo roubado.

By: Vinicius Osterer