29.8.15

Um Corpo Morto

Um espetáculo que é meu, pois sou dramático,
Jogado no chão de um modo performático,
E uma faca que abre as suas entranhas,
Com os meus hábitos e minhas culturas estranhas.
Um corpo morto, um cadáver exato.
Uma faca sobre a mesa e sangue sobre o sapato.
Um corpo morto que não é constatação e sim um fato.
Uma tarde de fascinação pelo irreal e o anonimato.
Eu procuro as partes que ainda sobraram,
E o perigo eminente de não saber quem eu sou.
E as palavras redefinidas que se acabaram,
Um pouco de mim e daquilo tudo que eu não lhe dou.
Sequei a última das gotas de todo este drama barato,
Hoje é o dia de ostentar a sua morte,
Um corpo morto que não é constatação é um fato,
Um dia perfeito para brincar com a sorte.
Eu não sou absolutamente o que você tanto enxerga,
Por que sou do contra, mas eu sei ser perdedor,
Com os pesos sociais a minha coluna se enverga,
E eu me sustento com o chão e com o vazio de meu horror.
Eu sou um corpo morto, e minha alma está subindo,
Um corpo frio e morto, aos poucos eu estou sorrindo,
E se não for felicidade é sofrimento disfarçado,
Um corpo morto em um chão que estive estirado.
E no fim, como em tantos, acaba a minha apresentação,
Um espetáculo sobre mortos que não possui mais uma razão.
Luz. Um pé direito. Cena 22.
Um corpo morto na sala e a última gota de dor.
“Corta! Quero ver a atuação agora e não depois”,
Meu último espetáculo desse show, eu sou um ator.

By: Corpo Morto
Feito em 17 de julho de 2015.

27.8.15

ROMEO



Existe um mundo desconhecido e secreto,
Que paira ao redor de tudo que é meu,
Uma maneira egoísta, nem sei bem ao certo,
De me tornar um amante e um Romeo.

Olhos que doem, tontura na cabeça,
E uma escrita bem feita antes que eu enlouqueça.
Um punhado de fumaça e um romance sendo escrito,
Isso não é mais uma farsa que eu menti ou ainda omito.

E o Romeo vem com seu punhado de ódio e de amor,
Um Romeo moderno que não ama.
Um Romeo que tem nas drogas e na sua própria dor,
Um pouco do que você glorifica e que tanto clama.

Um Romeo viciado em si mesmo, em amor e romance,
Venha Romeo para mim enquanto eu ainda consigo,
Interpretar um sinal como uma chance,
De olhos fechados com o meu negro sorriso.

E a Valkíria e o Valentim se amam bem lá no fim,
E no final serão dois nascidos apenas um.
Eu posso dizer que isso é um sim,
Sou eu sendo alguém que se fazem dois e mais algum.

E por fim Romeo não é esculpido,
Por que não é uma obra colocada em um museu.
E não foi acertado pela flecha do cupido,
Pois seu coração que é de pedra não amoleceu.

By: Sentimento de Orgulho.
Feito em 12 de julho de 2015.

Quem Sou Eu e do Que Eu Gosto?

Quem sou eu e do que eu gosto?
Será que sim? Será que eu posso?
Eu sou o circo e todo o sol de um verão.
Eu sou um sentimento cauteloso de um dia bom.
Eu sou tiro, metralhadora e sou uma bola de canhão,
Eu sou o grito, eu sou a voz e eu sou o som.
Eu sou a plateia e eu bato as palmas,
Aumentando um pouco a sua autoestima e o seu ego,
Não me confunda com um rio de águas límpidas e calmas,
Por que eu sou um furação em pleno mar e não um cego.
Se me pegarem eu apenas nego.
E se não me fascina então eu me desapego.
Eu fui um raio e uma montanha russa de expectativas,
E eu caí entre amarguras que me deixaram mais ameno,
Assinalei todas as chances e as alternativas,
Que me fizeram sair do mesmo e não ser pequeno.
Eu sou o rugido e o leão,
O pior medo que assusta.
Eu já fui uma pequena canção,
E um pedaço de vida que era injusta.
E hoje eu sou o seu palhaço, eu sou o seu motivo de chacota,
Eu sou um jovem debruçado entre os meus livros, e não tem volta,
Quem sou eu e do que eu gosto?
Não sou nem um terço do que você pensou, eu aposto.
Eu sou a minha vida. Eu sou aquilo que eu sou.
Sou um motivo ainda incerto de um alguém que me restou.
E não é resto que me sobra,
E nem sobra que me resta,
É a vida de um espetáculo que você não olha e que detesta.
Quem sou eu? Com convicção:
“Eu sou um pouco de você e da minha razão”.

By: Sentimento de Sono
Feito em 26 de Junho de 2015.

23.8.15

Quando a "Persona" vira um "Mito"

Não posso. Quem disse isso? Por que disse isso? Isso eu não sei. Mas sim, eu posso. Bem vindo a este pequeno texto e a este pequeno pedaço daquilo que eu vou escrever, e que não tem nenhum sentido para você que não lê e que não pensa. Até por que se você não lê, que idiotice a minha, nem vai saber do que eu estou falando.
Pensar pode ser mais significativo do que se possa realmente pensar, que estranho não? Isso até embaraçou a minha visão, fiquei meio cego... Pois bem, vou começar a falar sobre conversas. Mais estranho ainda, eu escrever sobre conversas, conversas verbais, mas tudo bem. Este é o novo eu que quero mostrar um pouco para vocês. Um eu que acha tudo muito estranho. Inclusive esta forma aberta de se dirigir sem códigos secretos, rimas estranhas e vocabulário sem compreensão.
Bem, eu conversei verbalmente com alguns amigos (o que antes me parecia algo até impossível). “Viajamos na maionese”, como eu diria na minha infância, e olhe que tenho apenas 22 anos, não sou tão velho e nem tão novo. Bom, nós viajamos entre muitas dimensões (e não usemos maconha, que isto fique bem claro). Viajamos? Sim, eu digo. Por que viver nada mais é do que viajar naquilo que pode ser real para alguns e irreal para outros. E conversar é a melhor maneira para se pensar sobre outros aspectos que não os nossos egoístas e solitários meios de ser o que somos, e viajar entre palavras que são soltas e jogadas no ar. Mas no que viajamos?
Bem, viajamos entre um pouco de tudo: extraterrestres, teorias da conspiração, filmes extraordinários, falcatruas, falta de vontade e demais aspectos correlatos, incluindo Hillary Clinton (sim isso pode parecer loucura, mas são todos da mesma seita e da mesma ordem).
Isso é quase irreal. Mas por que não alimentar um pouco mais destas historias irreais que nos mantém mais felizes e realizados diariamente? O mundo real já é um absurdo, e dos grandes. Se você achar que é normal ser apenas real então essa história não é para você, melhor parar de ler agora mesmo, você não faz parte deste grupo, tchau, felicidades.
Se você pelo contrário não é desses, seja bem vindo, pois escrevo para você que dentro da própria irrealidade reconhece um pouco daquilo que sempre desconheceu, o pedaço de mundo que é só seu. Aquilo tudo que está fora de um círculo de comodidade.
E se é cômodo lhe deixa cada vez mais conformado. E se você é conformado você não pensa e fica na alienação, e se você está alienado você não irá mais ler, e não lendo nem saberá do que eu estou falando de uma forma escrita e não verbal. Sim... Isso já deu. Foi longe. Gosto de ir longe e ver até onde eu consigo chegar, até tudo parecer uma grande loucura. Cômodo, conformado...
Desconheço outra forma mais significativa de retratar o que é a vida das pessoas que eu conheço. Conformismo. Que palavra mais triste. Porque ela ainda existe na língua portuguesa e no dicionário?
Conversei muito com outras pessoas sobre isto. Sobre o conformismo. E apesar de relutarem e esbravejarem que não eram conformadas, bem... Tudo fica mais bonito apenas dito de boca cheia e com todos os dentes!
Quanto conformismo! Quanta alienação! E se no final nada mais der certo Sabino? Estamos vivendo na era da comodidade. E é desta forma que eu quero começar. Comecei...

Tudo Muito: Cômodo.

Fui para a rua no incômodo. Mas, nada muda pela comodidade. Pessoas e mais pessoas e nada parece mudar, pelo menos para mim. Tentar se esconder atrás de uma “persona” de um “mito” de uma “marca”, isso não chega a ser uma surpresa.
E quanta surpresa eu tive quando descobri que era mais cômodo me chamar de Ayke, de sentimento ou de qualquer “persona a quatro” (diabo a quatro, mas não era o diabo). Criei isto, me enfeiticei por isto. E como é prazeroso quando a gente se esconde da gente mesmo. Mas esta comodidade temporal é hipócrita, ainda mais quando se prega a verdade com palavras que você mesmo recusa a aceitar que são suas.
Quando a persona vira o mito, você não deixa ela ser vangloriada, aplaudida e aclamada. Quanta injustiça da sua parte. Não se acovardou dizendo que não era você que escrevia? Cadê a sua responsabilidade? É mais cômodo não dar a sua cara a tapa, não é mesmo?
E marca. Quem não se esconde atrás de uma? Todo mundo tem que sair vestido pelas ruas. Vivemos neste jogo de esconde-esconde, e voltei a falar da minha infância, que não está tão longe de mim.
Bem, conversar com verbos falados e não escritos está me deixando assim. Vivendo nesta irrealidade de tentar fazer alguma coisa que eu posso. Agora estou me contradizendo você pode se perguntar... E acho que sim. A realidade é a alienação e, portanto tenho que me desculpar por excluir você deste grupo. Quem sabe nem exista um grupo. Quem sabe eu que esteja realmente cego e veja coisas onde não tem, e quem sabe esta conversa já esteja na hora de acabar, por que extraterrestres e conspirações são assuntos muitos perigosos.
Eu sei que errei, e sei que nada sei como diria a filosofia, mas nunca ouse dizer que não deixei de ser cômodo, que nunca mudei ou que nunca tive uma visão mais ampla da minha realidade (que não é tão bonita e colorida assim como eu penso, e como eu penso!).
E no fim eu apenas queria dizer alguma coisa que eu já deveria ter dito. Não sou nada especial, acho que estou conformado. Eu sou uma “persona” buscando por um “mito”, e por isso acabo por aqui, assunto encerrado.

Feito em 12 de Julho de 2015.
By: Vinicius Osterer