28.9.15

A Grande Mágica

Eu sou depois deste processo,
Uma libertação espontânea e tranquila,
Sou uma quinta-feira de recesso,
E umas cinco doses a mais de tequila.
Eu sou uma cor e depois eu sou outra,
Sou a vodca e o cigarro da sexta,
Eu sou o incenso preso e a fumaça solta,
E sou o apocalipse e a tão falada besta.
Eu sou rebelde, sou pop, sou rock e sou clássico,
Sou moderno, atrasado, egoísta e teimoso,
Sou Bowie, sou Gaga e o que acho fantástico,
Mas também sou original e poderoso.
Depois do perdão, do julgamento e da revelação,
Eu sou uma história censurada pela igreja.
E se a arte comeu o meu coração,
Eu quero que você seja e depois me veja!
Sou a aberração e sou o garoto sentimental,
Sou um crônico um pouco desbocado,
Sou a infância e o amor maternal,
E a obsessão pela concepção do que me foi dado.
Eu sou o amor, a doença e a tristeza,
E sou aquilo tudo que você diz,
Mas sou o senhor da minha própria fortaleza,
E acima de qualquer coisa eu sou feliz.
Sou as palavras que não existem e o diferente,
Sou o senhor das trevas e da escuridão,
Sou um homem crescido e atraente,
Sou a luz que ilumina a minha razão.
Sou minha casa vazia e sou o meu equinócio,
Sou inglês, icônico e uma masturbação artística,
Será que sim? Será que eu posso?
Sou a vela em uma cerimônia ritualística.
Sou a forma não igual de se amar,
E a forma igual do julgamento,
Sou desprezível, egoísta e sei atuar,
Na minha teledramaturgia diária de talento.
Sou um filho, um camaleão e o antagonismo,
Sou o amigo, o irmão e o idealista,
Eu sou o meu próprio princípio de organismo,
E sou a criatura estranha e o artista.
E você? O que você é?
O que você pensa quando coloca a cabeça no travesseiro?
Você é um santo de altar?
Ou você é um demônio desordeiro?
Enfim eu posso ver o que eu não via,
Minha liberdade nunca foi tão espetacular,
E se tinha alguma coisa que você não sabia,
Eu acabei de escrever para lhe mostrar.
Minha cabeça está em uma bandeja,
Minha alma está iluminada,
E não me prejulgue apenas quero que você veja,
Que ser o que somos é ser uma pessoa realizada.
Estou enfim encerrando um ciclo de descobertas,
E você, qual é o seu parecer?
Deixei as minhas portas todas abertas,
Você ainda irá se esconder?
Só se vive uma vez na vida,
Já publiquei esta frase tão clichê,
E apesar de abrir a minha ferida,
Queria poder dividir com você.
No fim, quando meu ato final chegar,
Quero sentir este mesmo sentimento,
Poder enxergar como é bom me amar,
E ser feliz por cada mísero momento.
Lua de sangue, você fez o seu trabalho,
Agora me livre dos julgamentos,
Eu não quero ter um salário,
Se eu não puder mostrar os meus talentos.
Vida, como você é perfeita!
Vida, como você é fantástica!
Peguei a caneta com a minha mão direita,
E acabei fazendo uma grande mágica!

By: Vinicius Osterer
Feito em 27 de setembro de 2015.

A Presunção


Se eu estiver sozinho, triste sem percepção,
O que faria com a minha vida? O que faria com meu coração?
Isso não me cativa, escrever é minha libertação,
Eu sou contra a sua má vontade e a sua aceitação.
Eu acho que me olho no espelho como um retrato de alma,
Presumindo o que me faz pior ou o que me faz manter a calma.
E nesta presunção meio um pouco inconsequente,
Eu aprendi a viver, aprendi a ser mais gente.
Mais gente? Gente nem sei o que é.
Gente? Não é gente? Deus sabe o que faz,
Se eu tiver um pouco mais de fé,
Olharei para frente e não mais para trás.
Eu tentei. Por inúmeras vezes, e eu nunca desistirei,
Tracei um plano para continuar e não desistir.
E se Deus quiser, eu sei que eu ainda viverei,
Em cada linha que eu vi surgir.
Eu tenho fé em mim. E isso é o mais importante,
Eu posso mais do que isso, eu posso ser o que eu quiser.
E eu cansei de meias palavras e de ser redundante,
Eu tenho atração por homem e por mulher.
Diga-me se existe algo tão vexatório,
A ponto de não poder nem mais me expressar.
Eu sempre passei por um interrogatório,
Por que eu amo diferente e por que eu amo amar.
Eu sou hoje a libertação da estranheza,
Eu amo a vida e eu amo a beleza,
O que me importa se não é do jeito convencional,
Eu amo amar e isso é tão normal!
Demorou a isso acontecer?
Você errou em suas apostas!
Eu sou normal e não irei me prender,
Apenas lhe darei as minhas costas!
Eu quero um mundo mais aceitável e tolerante!
Amar é um sentimento, eu amo e isso é normal!
Não importa se um homem ou uma mulher, um semelhante,
Eu amo o que eu sou, amo ser bissexual!
O que muda com tudo isso?
Eu ainda serei o mesmo, serei igual,
Farei e agirei da mesma forma,
Se arrogante, egoísta, frio e calculista ou anormal.
Se eu estiver sozinho, triste e sem percepção,
O que eu faço com a minha vida?
Primeiro eu abro o meu coração,
Para dissipar essa grande ferida,
Depois eu amo o que eu sou e o que me tornei,
Aquilo tudo que eu faço e tudo aquilo que realizei,
E me aceito como eu sou, da maneira mais real,
Eu amo o amor, sem conotação sexual.
É bom encontrar a aceitação dentro do nosso próprio peito,
E se depender de mim a sua injúria não terá proveito,
Por que o amor pela minha vida é maior,
E não ser tão “convencional” não é ser pior,
É ser exatamente aquilo tudo que a gente é,
Um punhado de mesma carne, com algumas crenças e uma fé.
E isso é verdade? Isso é uma aceitação.
Eu busquei dentro de mim esse punhado de emoção,
E nesta presunção meio um pouco inconsequente,
Eu aprendi a viver, aprendi a ser mais gente,
Mais gente? Gente nem sei o que é.
Gente? Mais que gente? Deus sabe o que faz,
Se eu aceitar-me e tiver mais fé,
Olharei para frente e não mais para trás.
Apenas lhe darei as minhas costas!
Você errou em suas apostas!
Eu não sou um rótulo de seu sadomasoquismo verbal,
Amar é um sentimento, eu amo e isso é normal.
Que em cada linha você veja o amor e não o julgamento,
Eu sou um artista fraco, sem uma reputação e sem talento,
Mas estou envolvido neste fascínio que é a liberdade,
Se aceite como é, não seja mais um covarde!
Os olhos cansaram, a sua língua deu um nó,
As suas opiniões se esgotaram e você não vive só,
Todo o mundo que você criou como uma barreira,
Não o deixa livre para se manifestar,
E não existe mais proteção, mesmo que você queira,
Você sempre foi assim, é o seu jeito de amar.
A vida? É maravilhosa! Tem cores e tem felicidade,
Enfim acabei esta prosa, sobre mim, a aceitação e a liberdade.

By: Vinicius Osterer
Feito em 03 de Agosto de 2015.


27.9.15

Gay Enrustido

Estou celebrando estas palavras miseráveis,
Coisas que já cortaram o meu coração,
Aqueles olhares e palavras indesejáveis,
Que me faziam sempre olhar para o chão.
Estou falando abertamente sobre sexualidade,
Sobre aquilo que eu julgo correto no amar,
Não quero mais se lembrar da sua maldade,
Do seu jeito de rir ou do seu jeito de me rejeitar.
Eu nunca fui gay e nem enrustido,
Nunca amei um sapato ou um vestido,
Nunca me travesti de mulher escondido,
Nunca toquei em um homem na minha vida.
Cansei da injustiça, por isso escute o que eu digo,
Nunca me envolvi ou me envolverei com um amigo,
Eu até já me importei e fiquei deprimido,
Mas esta nunca foi uma boa saída.
Neste tempo todo eu sempre fui a vítima,
Hoje eu não compadecerei deste papel,
Eu sou um vencedor apesar de sua crítica,
Precisei me perder para encontrar o meu céu.
Eu não sou enrustido e não tenho nada a esconder,
Abertamente eu publico a verdade sobre mim,
E espere que você ainda irá se surpreender,
Serei verdadeiro até chegar o meu fim.
Estou abrindo esta ferida, pelo sofrimento que passei,
Pelos rostos medíocres que já assombraram minha realidade,
Hoje eu sou forte, por isso eu me libertei,
Daquele período em que era menos e covarde.
Eu não sou aquilo tudo de beleza,
E nunca fui nada mais do que inteligente,
Nunca havia presenciado um ato de gentileza,
Dos meus colegas de um período decadente.
O que eu não fiz para ser aceito?
O que eu não fiz para ser “perfeito”?
O que eu não fiz para ser um garoto direito,
Que jogava futebol sem ser estranho e nojento?
Eu amei, eu vivi, eu sonhei e eu sofri.
Já tomei comprimidos para nunca mais acordar.
Então abri os meus olhos e consegui sorrir,
Por que eu era maior do que qualquer um podia achar.
E o gay enrustido ficou verde, azul e vermelho,
Passou a se amar e a se olhar no espelho,
E virou um homem sem pudor e sem medo,
Mudou de personagem e escreveu o seu enredo,
Uma historia bonita e feliz para ser contada,
Amou uma mulher e se sentiu uma pessoa amada,
E perdoou todos os rostos que eram do passado,
Aquelas crianças e adolescentes, jovens inconsequentes.
Por isso escrevo sobre a verdade e está acabado,
Passei por drogado a um escritor com frases decentes.
Estas são as minhas cicatrizes curadas,
Não sou metade daquilo tudo que eu já ouvi.
Perdoem as minhas falhas passadas,
Eu sou um novo homem e eu evoluí.

By: Vinicius Osterer
Feito em 06 de Setembro de 2015.