10.11.15

Só me Sinto Mais Um

Eu não me sinto normal,
Também não me sinto especial,
Só me sinto mais um,
Mais um garoto doente e sem saída.
Um doente a mais, sem uma vida.
Eu queria ser um garoto saudável,
Menos amargo e mais adorável,
Menos egoísta e mais tolerável,
Um garoto comum que ninguém inveja,
Sem cólicas ou dores...
Não me poupe a vida,
E nem me poupe mais o viver.
Eu não preciso mais rimar,
Eu não preciso me estender.
Uma única coisa é certa,
A vida nunca irá me cativar,
Quando eu morrer que seja uma festa,
Enfim me libertarei para não mais voltar,
Como um viajante do tempo,
Que faz as suas malas e não volta,
Como o inevitável que não se explica,
Como o inexplicável que não se evita,
Cruzando um buraco de minhocas,
Uma caixa de estrelas interconectadas,
Um punhado grande de borboletas,
E um tanto de anjos frios e sem assas.
E como a lâmina de um assassino,
Eu serei cortante e me venderei,
Posso ser mais um menino?
Não posso não, eu já madurei.
Sem certeza, sem golpismos,
Sem soluços ou invernos furtivos,
Sem sombras, sem ter que me esconder,
Isso vai bem, eu sei que vai melhorar,
Eu não quero só aparecer,
Eu quero poder lhe transformar,
Tocar-lhe sem medo,
Deixar-lhe atordoado,
Partir para o inevitável escuro,
Que para a escrita até é complicado.
Deixe-me ser o que eu sou,
Eu não preciso de sua aprovação,
Eu não sou um produto preciso,
Com marca, símbolo e inspeção.
Sou tempestuoso, sou vulgar e amargo,
Sou um crônico filho da mãe,
Um estudante repulsivo e irresponsável,
Sou a poeira interestelar,
Sou o grito de uma madrugada escura,
Sem culpa por não ver no céu mais nenhuma lua.
Estou na beira da loucura,
Tudo está se desestruturando,
E esse texto tem muita doçura,
Só me sinto mais um, que acabou sonhando.
Sim, eu estou quase acabando.
Um terço de medo, dois quartos de paz?
Fechei um ciclo que nunca se fechava.
Adeus ao passado. Até nunca mais!
Eu encontrei o que eu tanto desejava.

By: David Bowiekowski
Feito em 31 de Outubro de 2015.

8.11.15

Por que Ninguém Nasceu Perfeito...

Parece que eu estou em um hospital,
De noite, quando a luz afeta os sentidos,
E quando sei muito bem que eu estou mal,
Fisicamente nada em mim é perfeito.
E quando se apagam as luzes eu sou normal,
Apenas mais um paciente com os seus motivos,
Um verdadeiro sobrevivente de sua moral,
Que tentou corrigir o seu problema e defeito.
Por que ninguém nasceu perfeito...
Não, ninguém nasceu perfeito.
A luta do bem contra o mal tem sentido,
Somos luz e somos a nossa escuridão,
Se eu perdi a fé e não fiquei envolvido,
É que eu cresci vivendo dentro da minha percepção,
Onde as coisas são o que são,
São o que são, por que nada é perfeito.
Por que ninguém nasceu perfeito...
Não, ninguém nasceu perfeito.
Estamos nus e somos nossa própria obsessão.
Por que ninguém nasceu perfeito,
Por que não existe perfeição.
Por que sentei por um momento e me envolvi com a escuridão.
Os meus olhos não dizem tudo o que eu quero dizer,
E as minhas pernas correm por uma nova direção,
O que ainda irá me acontecer?
Sofrer não é sinal de uma salvação.
Parece que eu estou em um hospital,
De noite, esperando por uma cirurgia,
Que me deixe um pouco mais normal,
Como numa história infantil regada com magia.
Por que ninguém nasceu perfeito...
Mas ah! Como eu queria!...
Tomo cinco comprimidos para manter minha dignidade,
Para ser parte da multidão sem inspiração.
Tomo cinco comprimidos para vencer a minha maldade,
E acreditar no que ninguém mais acredita por desilusão.
Ninguém é perfeito, e não existe perfeição,
Estamos juntos acorrentados ao sentimento de autodestruição.
Prazer! Sim. Eu não existo.
Eu sou uma sombra que finge apenas escrever.
No final eu percebo que eu persisto,
Em um emaranhado de sentimentos que querem me enlouquecer.
Não me acorde! Estou operando o que é feio em mim.
Aquilo que não lhe agrada. Aquilo que não é usual.
Eu não quero ser perfeito, quero ser um bom sujeito,
Um sujeito bacana, um sujeito normal.
Fisicamente nada em mim é perfeito,
Mas com o tempo eu me endireito,
Sim, com o tempo, com o meu tempo.
Uma sombra sem dúvida, tentando mostrar o seu talento.
Prazer! Sim. Eu não existo.

By: David Bowiekowski
Feito em 07 de Novembro de 2015.