30.6.16

Utopia

Eu quero sorrir mesmo que isso seja na imaginação,
Dentro da minha utopia de balas e chicletes cor de rosa.
Eu quero construir dentro de minha cabeça e do coração,
Um belo texto em forma de poesia ficção de uma prosa.
E hoje eu sou a constelação mais distante que tenta brilhar,
Tenta não ser ofuscada pelos cometas e pelas pessoas rancorosas.
Sou o sentimento mais leve de amar a vida e se amar,
Sem diferenciar e catalogar as pessoas dentro de classes horrorosas.
Eu não sou um catalógo de estilos e formas físicas e gostos,
Eu sou uma matéria bruta que é lapidada dia à dia.
Eu não sou mais um entre tantos e tantos rostos,
Sou mais do que um momento registrado em fotografia.
Utopia, Utopia...
Parece que ninguém mais ouve ninguém e nem respeita,
Dormem com a cabeça carregada de peso moral de consciência.
E a comunicação está tão apressada e tão estreita,
Que hoje se valoriza mais a ação e não mais a inteligência.
Tenho medo de ler e só ver palavras e mais palavras,
Tenho medo de que um sorriso seja vendido no mercado,
E se eu afundar dentro de meu peito de águas profundas e bravas,
Sem ninguém por perto ou sem ninguém ao meu lado?
A vida não pode ser um lindo balão colorido?
A vida não pode vir dentro de uma casquinha de sorvete de morango?
Por que a utopia é um pensamento tão dolorido?
Eu sou um garoto quadrado inserido em um planeta distorcido e losango.
Utopia, Utopia...
Eu tenho fome de música, quero ser pintado como forma de protesto.
Essa canção tem o cheiro doce da maresia de olhos tranquilos e retos.
Cada nota musical é uma letra e uma palavra, estou sendo honesto,
Escolhendo cada palavra não sabendo quais são os caminhos certos.
Eu quero abrir a minha boca e sorrir!
Hoje eu quero isso, eu quero essa única certeza que me resta.
O mundo não pode mais me destruir!
Hoje eu quero isso, e estou escrevendo a minha escrita indigesta.
Estou fingindo viver dentro de um mundo de sonhos,
Um mundo bonito daqueles que a gente cria.
Sem os medos e os crimes que são tão medonhos,
Sem pessoas de coração vazio e mente fria.
Utopia, Utopia...
Mamar o leite do universo sideral que é desperso,
Virar a partitura musical de uma orquestra de um verso,
E sonhar cada dia mais com a minha doce utopia.
Um lugar sem classes, sem nomes e sem padrões,
Utopia, um mundo doce cheio de tantas ilusões.
Eu quero sorrir mesmo que isso seja na imaginação,
Dentro da minha utopia de balas vermelhas de canhão,
Que me lançam para o espaço, que me fazem um pedaço,
De um garoto quadrado inserido em um losango.
Eu sou um homem chipanzé orangotango.
Utopia, Utopia...

By: Vinicius de Góis
Feito em 26 de junho de 2016.

21.6.16

O Mal

O mal caiu sobre minha casa, atingiu em cheio a minha família toda, pegou a gente desprevenido, e não tinha mais como escapar! Meu pai rezava o rosário, pedindo para Deus alguma coisa, e eu já havia acendido um punhado de incenso, já havia ouvido um punhado de mantras que aprendi a gostar. E é tanto mal, mas tanto mal, que já nem sei se quero viver, não neste mundo, e nem desta forma. O mal está se espalhando para todo mundo poder ver, e isso parece estar dentro de um estatuto e de uma norma. Minha irmã foi fazer exame ontem, parece que tem o que tenho, e ela não merece um diagnóstico desses. E quem merece? Eu me sinto um desgosto e então me empenho, para não lembrar as palavras, de um pai para um filho que padece: "Podia ter feito a vida, se não gastasse sempre com doença". E isso não me dói vindo do meu pai, me dói vindo da vida. Meu pai é um homem bom e não merece tudo isso. Para completar a desgraça acompanhei na TV a despedida, dos mortos na boate de Orlando, e não posso ficar omisso. E toda essa história de que no Brasil não existe político honesto? O mal está é se espalhando, não está apenas no meu ambiente doméstico, é tanta gente querendo o mal e o desejando. Ninguém mais consegue se ver como um ser humano igual. O homem é o próprio predador do homem. O homem é o seu próprio mal. São as próprias vitórias que eles consomem, o seu próprio fracasso de espécie. E eu sou um entre tantos desses humanos fracassados. Um homem de 23 anos, branco e brasileiro, que não se esquece, que acima de tudo é um ser humano com os pés amarrados, um humano igual ao negro, igual ao pardo, igual ao gay ou ao muçulmano. Eu sou um homem que preza muito o ser humano. E eu não consigo parar de pensar naqueles que morrem, pela homofobia, pelo racismo e pelo ódio cultural, não consigo pensar que há os que dormem, morrendo de frio nas ruas, isso é normal? Tenho medo desse mal que cerca todos e a tudo. Esse capitalismo mortal que faz o rico e faz o pobre. Sou mais um covarde hipócrita inserido neste mundo, que se justifica pela fobia de um jeito esnobe. Sou um covarde que faz jus a minha espécie fracassada. E esse medo ou fobia não deve ser uma justificativa, não posso revolucionar apenas com uma palavra pensada, tenho que propagar tudo isso em ações de minha prerrogativa! Deixei esse mal se apossar da minha cabeça, de homem bissexual e socialista. Está na hora de parar de ver televisão, tenho que ler um pouco mais para não ser apenas um idealista. Me recuso a acreditar que a humanidade não tem jeito. Me recuso a aceitar que o mal vá mudando as formas. Existe mais amor do que ódio, e isso é perfeito, começo por mim algumas boas reformas.  Não discriminar, não ficar apenas falando mas fazer. Existe muita coisa para se falar e amar, existe tanta coisa boa para acontecer. Existe o mal mas existe a esperança. Esperança de que um dia o homem se reconheça como uma classe, e que dentro dela aconteça uma grande mudança, ninguém seja somente alguém que nasce, homem, mulher, LGBT ou negro, seja apenas um humano por direito, um humano por dever, nem maior e nem menor do que nada, sem defeito, exatamente igual a tudo aquilo que é de matéria e tem que ser. Esse mal entrou na minha casa, mas não vai corromper o meu coração.

By: Vinicius de Góis
Feito em 14 de Junho de 2016.

17.6.16

A Ruína de Um Garoto

Domingo ás vezes é frio dentro da alma.
É um passado dentro de um cemitério em que se enterra um corpo,
Pedaço do seu, pedaço da sua própria consciência espiritual.
Domingo é sol, é uma tarde tranquila e calma,
É um passado não distante de um menino que está morto,
É a libertação de palavras que não fazem nenhum mal.
Eu não estou impossibilitado de sair daqui.
Por que eu sou aqui. Eu sou eu mesmo e estou cheio do que me cerca.
Sou o que eu escrevo e sou aquele que escreve.
Estava cheio de mim mesmo então resolvi e sai,
Tenho dentro de meu peito uma angústia que me aperta,
Eu sou doce como açúcar e gelado como neve.
Eu hoje resolvi ser a ruína e ter anos de história.
Eu resolvi abrir um sorriso e cantar sobre o muro.
Eu resolvi resolver tudo que ainda não resolvi.
E peguei o meu caderno cheio da mesma memória,
Aquele que eu sempre guardei em um lugar bem seguro,
E queimei para fazer fogo e com isso sorri...
Os últimos vestígios daquele menino que eu já fui.
Eu não posso aceitar um mundo que mata o meu igual.
Eu não posso aceitar que se ache que o amor de um vale mais,
Eu não posso aceitar que o amor de outro não seja aceito.
Eu tenho que mudar as constantes para mudar o final,
E não me importa se você sabe quem são os seus pais,
Eu te considero o meu irmão de sangue mais do que perfeito.
Meu coração é antigo como a terra em que eu piso,
E estou mais leve com o meu pensamento,
Menos apreensivo sobre o que pode dar errado.
Apreendi a me aceitar de cabelo enrolado e não liso,
Em ser magro e estranho sem precisar do julgamento,
E quem sabe o meu coração não seja assim tão gelado.
Eu sou o meu corpo deitado na grama se aquecendo,
E sou o meu corpo quando está sangrando e doendo,
Por que eu sou uma matéria bruta da via láctea universal.
Eu sou o meu chá e a minha casa,
Sou o fogo e também sou a brasa,
Sou a derivação da palavra salário, sou o sal.
Domingo é frio, é sol, é corpo, é um garoto que já fui.
E também é aquilo de que eu sou formado e o que eu sou.
É um dia da semana que começa ou que termina?
Você não vê que a energia de você me contamina e flui,
Que faz de mim tudo o que me restou,
Este pedaço de nada, espaço cheio de ruína?
Preciso urgente procurar um médico da cabeça.
Estou ficando louco com o passar dos meus dias,
Falo sozinho e sinto que aos poucos,
Estou perdendo o amor pelas minhas velhas manias.
Não arrumo os cabelos, não saio de casa,
Nem me olho no espelho com tanta frequência.
Não falo com estranhos e não cumprimento conhecidos,
Estou andando aos gritos e sem nenhuma paciência.
Eu resolvi acordar sendo bom para a minha pessoa,
E resolvi não pensar em mais ninguém e ser mais egoísta,
Resolvi ler um livro e ficar um bom tempo à toa,
E me libertar dos vestígios do garoto vigarista,
Que roubava a minha paciência de homem adulto e nu.
Mas, domingo ás vezes é frio dentro da alma,
E hoje resolvi ser a ruína e ter anos de história,
Por que eu sou uma matéria bruta da via láctea universal.
Domingo é um porre... 1,2,3, mais calma...
Domingo é ressurreição sobre a morte, é vitória,
É a libertação de um garoto que já me fez muito mal.

By: Vinicius de Góis
Feito em 12 de Junho de 2016.

12.6.16

O Que Sabia Enquanto Gullar

Uma rosa mística pegava fogo enquanto eu lia,
E não sabia mais o que fazer com os meus pensamentos,
Eram torrentes de água que não mais me enchia,
O que ele escreve com seus inúmeros tormentos?
Não me diga que você não foi com aquele pássaro voar,
Que não pisou no nada e não viu cadáveres mortos?
Por que este homem teve que me desafiar,
A pensar na morte e na criatividade dos corpos?
O que eu sabia enquanto Gullar escrevia?
Por que azedou a minha boca e eu suspirei com meu arrepio?
Seria alguma magia de sua doce bruxaria,
Ou a minha esquizofrenia mental que me persuadiu?
Minha cabeça estava a prêmio em uma guilhotina,
E vi um homem dentro de uma cabana castigada,
Deitei na grama com o amor em uma sintonia fina,
E senti o vento com a minha pessoa tanto amada.
Isso é o que eu sabia sobre Gullar,
E o que ele podia causar dentro da minha razão.
Gullar a sua poesia-arte me deixou sem ar,
E estou pulando como um menino sem chão.
O tempo e a mística dos sonhos que iam e vinham,
Eu não sabia mais o que era poesia e o que era arte.
As palavras tinham um sentido que não permitiam,
Que se entendesse alguma coisa imaginária a parte.
Isso é o que eu sabia sobre Gullar.

By: Vinicius de Góis
Feito em 03 de Junho de 2016.

9.6.16

Poesia Para Um Humano

Hoje eu quero flertar com o ser humano,
E mostrar que o amor é bem bacana,
Isto não pode parecer apenas um sonho,
Eu sou um homem que também ama.
Quando você cruzou a porta eu pensei,
Que você fosse feito para mim,
Um ser humano sem retoque eu bem sei,
Você foi feito para mim sim.
Como posso imaginar que você sou eu,
De outra forma e com outro gênero?
O meu corpo me diz que eu sou teu,
De uma forma completa sem nada efêmero.
Porque eu estou flertando com você ser,
Estou lhe amando por estes poucos minutos.
Agora eu adoraria lhe ouvir me dizer,
Que você adoraria me ter com pensamentos brutos,
Porque eu estou sendo submisso a você estranho,
Mesmo não sabendo quem e o que você é.
Eu nem sei com isso o que é que eu ganho,
Este sentimento não está mais dando pé.
Eu me afundo na sua face e na sua voz,
Com outro ser humano que é seu companheiro,
Mas este sentimento que criei de nós,
Me apossou e me dominou por inteiro.
O que posso fazer se não é meu teus olhos?
Se a posse de seu coração é de outro ser?
Eu posso lhe ter em meus sonhos?
Quando o seu compromisso fiel se desfazer?
Eu vi que pertence a uma família nova,
E que isso não é coisa que alguém sensato faça,
Eu acabei cavando a minha própria cova,
E implantando em mim uma grande desgraça.
Os seus sonhos são por outro, suas declarações por outro,
O seu filho é de outro, isso eu não poderia lhe dar.
Um ser humano que me deixa bem louco,
Escrevendo sobre o amor e o amar.
Não quero ter filhos, e não quero ser pai,
Quero ter você por apenas um momento.
E isso não é uma coisa que simplesmente se esvai,
Eu lhe quero por completo até em meu pensamento.
E que se foda a sociedade, que se foda a religião,
Eu quero sua boca na minha e o seu sorriso.
Eu não quero saber a sua opinião,
Eu quero você, isto é o que eu preciso.
Não me deixe louco pelo seu jeito tímido.
Não me faça querer saber o que você quer.
Justo eu este ser humano híbrido,
Que não olha nos olhos de um qualquer,
Você não é um qualquer, você não é um sonho,
É uma realidade fora de cogitação.
E este seu jeitinho de ser humano pidonho,
Me arrebate e me deixa com o coração na mão.
E não sei mais se isso é certo,
Não sei mais se você é um encanto,
Mas eu lhe tive assim tão perto,
Mas optei por lhe olhar de canto.
Você é perfeito, ser humano,
Você não sabe que é uma poesia?
Eu flertei sem nenhum plano,
Nesta linda manhã de sexta feira fria.
Você é minha poesia....
E eu o seu amante mais que secreto.

By: Vinicius de Góis
Feito em 03 de Junho de 2016

8.6.16

Coração Erótico

Coração erótico de um verme solitário e noturno,
É assim que eu vejo enquanto eu penso e desfaço,
A barca da morte me parece um meio bem seguro,
De agraciar as fagulhas que encharcam o meu espaço.
Bem molhado como a sua boca que é meu doce,
A droga do inverno que governa a minha realidade.
O vento gelado do seu corpo que me trouxe,
A paz imersa em um oceano raso de profundidade.
Eu despejo o meu veneno para destilar o meu ódio,
Eu sou um vencedor orgulhoso e às vezes um perdedor nato,
Eu não quero correr para subir em um pódio,
Prefiro chegar em último dentro de meu anonimato.
Cinco brindes para você que ainda sente,
Que a poesia é um rumo que não deve ter forma,
Nem um significado que lhe entre na mente,
Por que ela é abstrata como um Gullar que me adorna,
Que preenche os meus vazios mais sombrios de outras vidas,
Que faz de mim alguém melhor mesmo sem eu saber,
E que apesar de suturar as minhas angústias sofridas,
Consegue me emacular e ao mesmo tempo me entreter.
Sou o garoto de 23 anos que pula na cama e sonha com um desenho,
E o menino ainda novo que já fazia previsões maduras sobre o tempo,
Eu sou o homem que tantas vezes não coloca o mesmo empenho,
Naquilo que mais admira e que parece ter algum talento.
Vou fazer café, vou fazer um texto, vou fazer uma poesia intimidada,
Por que eu quero provar para minhas tristezas que só você me importa.
Eu posso cruzar a fantasia que me deixa com a cabeça tonta e atordoada,
E desenhar um caminho obscuro e sujo de uma pessoa crua e torta.
Por que o meu coração erótico é selvagem,
Ele pula toda vez que lhe toco desnuda sobre minha cama.
Por que o meu coração erótico é selvagem,
Toda vez que você desnudo de pudores me diz que me ama.
Estou bem molhado como você e seu suor,
Estou prevendo que o erotismo é sem tamanho,
E não me intenda mal por ser um adulto e não fazer melhor,
Do que aquele dia em pequenos trajes de banho.
Você não pode me comparar com aquele moço,
Aquele príncipe que habitou por anos o seu sonho.
Eu sou um poeta que parece um pouco mais grosso,
Mas continuo com a aparência de um jovem medonho.
Um jovem com um imenso coração erotizado, que carrega uma cruz.
Um homem que reza pelos seus próprios pecados, perdão meu Jesus.
E mais cinco brindes para você que ainda sente,
Que este mundo tem alguma salvação,
E que você embarcou na minha clandestinamente,
E que adorou o meu sexo e meu coração.
Você devora o meu coração como uma fera,
Você aquece o meu órgão sexual,
Com você eu posso viver na primavera,
De um sexo grande e bem casual.
Deixe eu andar sobre você, pular com você nisto,
Meu coração erótico não pede mais nada,
Quero morrer com você e nisto sim eu insisto,
Desnudo e sem forças na beira de uma estrada.
Por que o meu coração erótico é selvagem,
Ele pula toda vez que lhe toco desnuda sobre minha cama.
Por que o meu coração erótico é selvagem,
Toda vez que você desnudo de pudores me diz que me ama.
Homem ou mulher, isto é para ser o final,
Coração peludo e selvagem me perdoe por ser assim.
Não existe nenhum prazer que seja anormal,
Quando alguém me diz que isso vai chegar ao fim.

By: Vinicius de Góis
Feito em 02 de Junho de 2016.

7.6.16

Astrologia Sagrada

Batem-se os tambores e jogam-se as runas,
O futuro foi lançado e traçado na palma da minha mão.
Por que eu não me jogo contra o vento?
É rápido de mais para eu permitir que este texto seja livre,
E que pertença à um refrão de uma canção universal,
As minhas poucas esperanças sobre os resultados do que se vive,
Acabam com os meus problemas pondo um grande ponto final.
E por que eu me permito ser um homem violado?
Por que as cartas não podem acertar o meu futuro?
Por que acreditar nesta astrologia que me deixa frustado,
Pendendo para lá e para cá em cima de um muro?
Talvez errada seja a cultura daquilo que se faz acreditar,
Que dentro de uma economia você só faz por que você gosta,
Queria ver se você estivesse em outra situação e lugar,
Vivendo em um mundo fragilizado de bosta.
Você pode não querer exatamente o dinheiro, mas quer ser lembrado,
O que lhe faz por breves instantes um sujeito como eu, homem violado,
Por que não se presta ao serviço de fazer e de criticar menos?
Ou quem sabe parar de pensar na arte e no “Nascimento de Vênus”.
Existem coisas reais, maiores que a astrologia e que as cartas,
Um mundo empobrecido que cada vez é mais individualista.
E não adianta se embriagar de uma filosofia sobre lagartas,
Se continuar a ser um grande ícone exibicionista.
Eu coloco à venda as minhas palavras e o meu pensamento,
Por que eu vivo de uma economia capitalista de mercado,
Este é mais um relatório astrológico de um sagrado sacramento,
Que chegou para acabar com o meu atual estado,
Eu estou dentro de meu maior e penoso isolamento,
Bebendo água santa para redimir o meu pecado,
E se isto tudo tem a haver com o meu sentimento,
Eu peço desculpas por que não posso ser mais o culpado,
Por que é que eu não me jogo contra o vento?
As runas já me alertaram deste nascimento,
Sou eu nascendo dentro de mim e da minha solidão,
O futuro foi lançado e traçado na palma da minha mão,
Por que as cartas não podem acertar o meu futuro?

By: Vinicius de Góis
Feito em 01 de Junho de 2016.

6.6.16

Ereção Mal Amada

Ei cara! Eu me apaixonei por sua bunda,
Porque todo mundo hoje tem cara de bunda,
E você não é nenhuma exceção meu caro!
Ei moça, os seus olhos são mais azuis do que uma piscina de fibra,
Com toda aquela água tratada com cloro e turva,
Com gosto de sal marinho e transparência que chega a dar nojo.
Todas as bocas que se beijam hoje têm o mesmo gosto,
De cigarros e de bebida sem gelo.
São como uma meia ereção,
Ou uma breve e rápida ejaculação precoce.
Cansei de comer a mesma carne,
E ter os mesmos desejos sexuais, pelas mesmas pessoas.
E este breve coito que interrompe meu almoço,
É bem melhor do que uma salada mal temporada,
Apenas com sal de 1,50 e vinagre azedo e tinto.
Hoje eu simplesmente acordei querendo que o mundo inteiro,
Vá para merda, vá para a merda de um lugar bem longe,
Distante desta galáxia, para outro universo,
Vá para a merda! Como isto é libertador!
E merda parece uma palavra frequente no meu vocabulário,
Sujeito de merda, vida de merda, cidade de merda, tudo à merda!
E eu sou uma pessoa de droga, sem religião definida.
E eu sou uma pessoa à toa. Alguém que faz pelo sentido,
Faz por acreditar e não por querer alguma coisa em troca.
Eu vejo por todos os lugares os amores que não quero ter,
Aqueles que são superficiais como as piscinas infantis,
Que mal molham as canelas e não refrescam o nosso corpo.
Gosto dos amores profundos e densos dos oceanos,
Daqueles que não se encontram nos livros,
Por que não são fictícios e rasos, mas escassos e exclusivos,
Permitidos aos poucos que se deixam levar pela vida,
E não que vão levando a vida pela mercê das consequências.
E hoje eu quero corpos nus na minha cama,
Quero esta totalitária e autoritária vontade de me perder entre peitos.
Quero os braços e as pernas e os cheiros dos cabelos.
Quero provar o que os mercenários provam sem usar os dedos.
Porque as pessoas têm caras de bundas e olhares artificiais,
E se parecem todos tão iguais,
Que às vezes prefiro um livro e uma xícara de chá com bolachas.
Na velocidade hightech desta era tão informada,
Tão medíocre e obcecada por padrões de consumo,
Eu acabo me tornando uma pessoa mal amada,
Que às vezes se perde, então eu acendo um e fumo,
Porque é puxado de mais viver com estranhos por todos os lados,
E vai saber se o estranho não sou eu?
Hoje eu quero mandar à merda quem é contra mim,
E dizer que sim! Dizer que enfim eu existo!
Existe em mim um menino cada vez mais novo,
E um homem cada vez mais maduro.
E estou ficando cada vez mais profundo e turvo,
Que não é feito para alguém que não sabe nadar direito,
E me adoro por que isto tudo é tão imperfeito,
Que se encaixa exatamente naquele pedaço de mundo que eu me tornei.
Sou apenas uma fatia de torta de maça açucarada,
Ou um fio de um casaco quente que usamos no inverno,
Naqueles dias frios de vida e de vontade que nos abate,
Que nos restringe ao combate,
Mas são obras primas de um futuro dia ensolarado de verão,
E de um orgasmo intenso de palavras seguidas,
Por que é assim que eu penso e é assim que eu sou.
Ei cara! Eu me apaixonei por sua bunda,
Porque todo mundo hoje tem cara de bunda,
E você não é nenhuma exceção meu caro!
Vá para a merda! Como isto é libertador!

By: Vinicius de Góis

Feito em 31 de maio de 2016.

2.6.16

Sujeito de Merda!

Deixe de ser tão óbvio, sim, bem você.
Você não vive apenas uma aparência que finge ser a realidade?
O que você esconde dos outros mas não esconde do espelho?
Tem haver com a opinião? Você não aceita um conselho?
Não é desta forma que o mundo funciona,
E ele não deixa de girar em sua rotação por você,
Você não é o centro da nossa galáxia, e nem sabe tudo,
Você não pode saber de tudo, por que ninguém sabe de tudo.
E você é mais um ninguém, um ninguém sem voz.
Deixe de ser tão óbvio, sim, bem você.
Não adianta se esconder de você mesmo,
Por que para mim isto não é sincero, eu sei ver o que há atrás.
Pegue o seu buquê de flores mentirosas,
Nenhuma possuí a cor da verdade que é transparente como o sol,
Como a chama da luz que ilumina e transpassa os corpos.
Você não pode enganar sua mancha de inverdades,
Por que elas aparecem e elas não são autênticas.
E deixe de ser tão óbvio. Como ainda alguém caí nesta conversa?
O seu amor de mentira não é vida que se viva!
A sua falta de vontade não motiva a verdadeira fé.
Você vive pelos aplausos que nunca teve,
Na sua família, com seus amigos, pela sua aparência.
E deixe de recriar as minhas palavras, dizendo ser o que você pensa.
Deixe de ler o que escrevo e dizer que é sua inspiração.
Você pode muito mais do que isso. Abra a venda que tapa a sua visão.
Sim, bem você! Eu sei o que você anda fazendo!
Não me pergunte como, nem por que eu sei. Isso é um segredo!
Mas deixe de ser óbvio cara. O que mais você quer de mim?
Este seu sadomasoquismo pelo que eu faço é estressante!
Coloque nome nos bois, dê o nome para quem realmente cria,
Para quem faz e não copia,
Por que de obviedade já basta a sua presença neste mundo.
Você diz por aí que me admira pela vida que eu tenho,
Você faz com que tudo não passe de admiração,
Mas convenhamos que isso já é obsessão,
Por que você não tenta fazer alguma coisa sem a minha presença?
Sem as minhas palavras lhe fazendo pensar que eu sou triste,
Que eu não tenho uma vida feliz ou que não posso fazer melhor do que isto.
Não preciso de suas permissões ou confirmações para ser bom.
Eu sou bom e pronto. Eu sou bom por que eu quero ser bom.
Eu quero ser eu mesmo. Eu quero ser isto tudo que eu sou.
E você? Por que não se aceita e me deixa em paz?
Eu não preciso de você, de sua obsessão e de seu desejo,
Pelas coisas que eu tenho, pelas coisas que eu faço.
E por fim lhe agradeço, mas este é o meu espaço!
Deixe de ser tão óbvio, sim, bem você.
Você finge que não, mas eu sei que me vê.
Você não é o centro da nossa galáxia, e nem sabe tudo,
Você não pode saber de tudo, por que ninguém sabe de tudo.
E você é mais um ninguém, um ninguém sem voz.
Deixe de ser tão óbvio, sujeito de merda.

By: Vinicius de Góis
Feito em 27 de maio de 2016.

1.6.16

Recado para Ninguém!

Pessoas é o seguinte. Como percebem os meus textos mais antigos foram excluídos ou "despublicados"... Isto vai acontecer todo fim de ano... E espero que mais frequente. Como eu uno todas eles para formar uma obra, os que possuem pouco acessos são excluídos ou retornados para rascunho! Espero que compreendam. Ainda tenho três livros para editar e publicar no site "Clube de Autores", livros autônomos já que não possuo condição de lançar por uma editora e não acho que sejam assim tão bons para alguém achar que deva ser publicado... Mas... Tudo bem. Sei que falo sozinho, não recebo nenhuma manifestação ou comentário ou algo do gênero. Então fico falando aqui sozinho, como tentando explicar coisas para coisas que nem devem ser explicadas. Quem sabe para mim mesmo. Hoje eu largaria todos os meus sonhos por isto. Largaria o mestrado, a pós graduação, a arquitetura e tudo mais... Eu simplesmente amo a literatura! Como isto é sensacional! Bom. Chega de falar sozinho... E as obras no site "Clube de Autores" são meio salgadas, mas eu não tenho nada a ver com isto, como são feitas sobre encomenda, apenas quando solicitam, elas ficam caras mesmo... tem livro lá que ganho 1,50 então acho que menos que isso eu não cheguei a valer ainda... Pois bem. Obrigado pela visita e por conhecer um pouco mais deste meu mundo que parece tão estranho para mim. Espero que volte sempre, e que comente ou estabeleça algum contato... Estou receptivo a toda e qualquer crítica, mesmo que anônima! :)

At. Vinicius Osterer :)