31.8.16

O Homem Ilusão

Não querer ainda me impressiona,
Geralmente as coisas demoram à chegar,
Quando realmente chegam, quando tudo não é ilusão.
O mundo é uma ilusão, e está caindo,
                                                                       Caindo,
                                                                                      Caindo,
Nada mais está acontecendo. A vida toda morreu.
E eu acho que morri com esta vida toda.
Eu quero sorrisos e menos rotinas.
Quero o sol em um dia nublado.
E todo este querer e este não querer,
É a memória de alguém fragmentado,
Eu dei as costas para o Sol que se centralizava,
Sobre o palco e sobre o teto em brasa,
A energia ruim estava toda concentrada no banheiro.
E eu não vou limpar o fogão e a frigideira,
Eu não vou passar frio aqui fora,
Eu não quero e nem preciso de todas essas coisas.
Ontem, antes de dormir, eu cogitei mais um fracasso,
E então eu dormi, não dominei nem o espaço,
E sonhei com a vitória, que também é ilusão.
Acordei no almoço com a vontade de chorar reprimida,
E com a irritação cada vez mais constante.
O que é essa incerteza pela vida?
Por que não faço um verso mais reconfortante?
Pulei as etapas do garoto sonhador,
Fiquei preso ao homem amedrontado.
E isso é o máximo que alguém como eu consegue.
Eu não quero mais nada, só dormir,
Cansei de nadar dentro da minha própria miséria.
Por que as pessoas aumentam e as coisas diminuem?
Quem sabe nunca foi o que eu procurava nesta e noutra vida,
Por que as coisas não fazem mais nenhum sentido.
Não basta apenas querer. Não basta apenas sorrir.
Tem que se provar as coisas para si mesmo e para os outros.
Não devo mais ter o hábito de censurar tanto as palavras?
Quem sabe virei um doutor da ciência da censura.
Eu já fui um punhado de sonhos,
Hoje sou mais um punhado de ilusões e realidades.

By: Vinicius Viniver
Feito em 19 de Julho de 2016.

20.8.16

Texto Sem Vergonha

Pervertido, sem vergonha... Que sujo!
Você não quer jogar comigo um jogo?
Um jogo de espadas e lábios,
Um jogo de encaixar as peças?
Quente, bem quente, estou fervendo,
As palavras chegam e quando vejo estou escrevendo,
E acho que eu sou um ser humano desfrutável.

Pervertido, sem vergonha... Que sujo!
É errado querer transar?
Um sexo sem o compromisso de amar e gostar,
Só uma trepadinha rápida e instantânea?
Quente, bem quente, não estou me reconhecendo,
Os desejos estão longe de tudo que acabei prevendo,
E acho que eu sou um ser humano desfrutável.

Por que é tão estranho falar que se quer isso?
Por que isso não pode ser descrito como sexo selvagem?
Por que as pessoas tem medo de expor o que fazem,
E colocam sempre a palavra respeito e pudor na frente?
Por que ser desfrutável é horripilante aos olhos,
Aos ouvidos e ao próprio hálito fresco que vi se instalar?
Está quente ou está frio? Onde é que vamos chegar?
Pornografia, perversidão, divertimento animalesco,
Um sexo brutal de um enredo carnavalesco,
Neste texto sem vergonha, sem pé, sem cabeça ou começo.
Você não quer jogar comigo um jogo?

Mulher querer é sem-vergonhice, me diga por que?
É propício sempre ao homem ser o garanhão sexual?
Por que viver em uma sociedade machista afinal?
Se o sexo é feito por duas pessoas, não é masturbação,
É um homem e uma mulher dependendo de sua orientação,
Pode ser homem com homem, mulher com mulher,
Ou juntar tudo isso e esperar pelo que vier,
E como vier, para dar o que der. Não existe manual padrão de sexo.

Pervertido, sem vergonha... Que sujo!
Acho que eu sou um ser humano desfrutável.
#SQN (só que não!!!!)

By: Vinicius Viniver
Feito em 28 de Julho de 2016.

19.8.16

Franrábicofobia

Paris, quand les feuilles tombent
Votre coeur ne vit pas un mensonge,
Je ne veux pas que vous ayez d'englober
Je veux vivre avec toi un songe.

Paris sans terreur.
Oui, je vous en prie.
ليس كل من يعتقد نفسه.

الحب هو أكبر من أي شيء.
الحب النبات وليس الحرب.

By: Vinicius Viniver
Feito em 14 de julho de 2016.

17.8.16

Poesia

Fazia poemas e não poesia,
Fazia o que achava que era a palavra em fogo e não a palavra pacata,
Que vem quando quer por que é bem ingrata,
E percorre os dedos até as teclas do meu computador
Fazendo tic, tic, tic, tac, plum...
Não sei o som que emite, mas acho que isso é o de menos,
Ou o de mais?

No meu caminho tinha Drummond,
Uma poesia poeta que não se separa por catálogos,
É inseparável como a matéria viva da alma,
E como todo o meu drama, mas isso é o de menos,
Ou o de mais?

By: Vinicius Viniver
Feito em 25 de julho de 2016.

8.8.16

Almoço da Existência

Não é por uma questão de ser consciente ou igual,
Nem mesmo pela percepção de que você é um complemento,
Mas pelo valor próprio, pela luta própria,
Por querer que lhe procurem e não o contrário.
Não posso usar a mesma arma e golpear meu amigo,
Golpear alguém da minha família e circulo de convívio.
Nós bebemos a mesma bebida e provamos do mesmo alimento,
Só eu que penso desta forma e não ao contrário no momento?
Onde se esconde o Sol sobre minha cabeça?
Onde brilha a minha patética estrela universal?
Cansada de lutar pela minha matéria insaciável?
Um buraco negro de informações que não valem nada.
Eu não posso fazer refeições com as mãos cheias de sujeiras,
De desvios de caráter, de mudanças de personalidade.
Eu preciso prender os meus cabelos compridos,
Para os meus olhos chorarem enquanto corto mais cebola.
E eu vos alimento todo dia, realizo seus sonhos e não os meus.
Sou a sua vagabunda, a sua meretriz que lhe satisfaz de graça.
Sou aquele em que você pode confidenciar sua vida,
E esparramar todas as minhas confidências para ter assunto.
Sou o seu doce que lhe tira da realidade,
E a sua bebida que lhe encharca madrugada adentro.
Posso falar sobre as coisas que você gosta,
E ouvir tudo aquilo que não gosto de boca fechada.
Mas isso tudo é propício ao meu próprio valor pessoal?
Onde é que eu me escondo dentro deste corpo vazio?
Eu recolho a sua roupa enquanto a minha está lá fora no varal,
No meio da chuva torrencial que inunda a minha cidade.
Eu lhe preparo um bolo quando sei que não posso comer,
Por que estou colocando tudo para fora no vaso do banheiro.
E você me troca pela oportunidade segunda,
Pelo convívio extra e social, isso não deve ser normal!
Onde está a minha vontade maior de ser?
Não preciso da rotina, do almoço que faço todos os dias,
Sem ouvir um obrigado, só ouvir uma obrigação.
Por que eu devo prostituir as minhas vontades,
E me tornar omisso, me importar cada vez menos comigo, o poeta?
Eu quero parar de dar. Quero passar a receber.
Quero parar de me oferecer. Quero passar a me resguardar.
Não quero coisas de segunda mão, nem sentimentos moderados,
Quero o amor por completo, eu quero todos os lados.
Eu não preciso preparar cozidos e cortar temperos,
Para fazer uma sopa mental de consciência.
Preciso de pessoas completas e não aos meios,
Que deem valor para a minha existência.
Não quero mais ser conscientemente o amigo complementar,
Mais uma pessoa para se chamar de familiar,
Eu quero existir dentro da minha própria vida.

By: Vinicius Viniver
Feito em 20 de julho de 2016.

3.8.16

Sou Só Um Alfinete

Queria pegar um foguete e sair da Terra,
Parar de ouvir a opinião tão megera,
Que destrói a paz dos meus melhores dias de vida.
Que me traz para os piores dias de morte.
Eu me sinto tão pequeno que não preencho as palavras,
Elas são tão grandes, precisam expressar coisas maiores,
Mazelas maiores que não cabem dentro do meu mundo interno.
Eu não sou homem suficiente para mudar o mundo.
Eu não tenho a honra de escrever sobre o mundo.
Como eu posso ser a palavra do mais fraco?
Como eu posso expressar o que só se pensa?
Eu sou a desonra de um poeta já farto,
Do mundo ultrajante do ódio e da violência.
Queria não ser desta raça imunda que ocupa espaço,
Que machuca por palavras e por armas.
São poucos os que praticam o amor de fato,
Sem mostrar as suas verdadeiras garras.
Eu sou um miserável que enche a cara de quinta à domingo.
Esquecendo de tudo que existe lá fora da minha vida.
Eu não estou querendo me enxergar mais tão lindo,
Por que eu sou também a desgraça da minha geração perdida.
Preciso viver na poeira do espaço,
Por que não gosto de dizer que fracassei.
Explodir em um foguete até não sobrar nenhum pedaço,
Que comprove que um dia eu inventei ou que viverei,
Dentro desta ideia absurda de que o mundo verá o que sou eu.
Eu não consigo mais viver desta forma pragmática,
Dentro desta escrita sem forma e sem gramática,
Preciso beber e fugir da minha vida de homem honesto,
Por que nem para escrever eu presto,
Imagine então o resto! Imagine então o resto!
O que sou eu perto de Drummond e sua antologia poética?
Eu nem sei definir o que significa a fonética!
Como quero ser um marujo em um mar traiçoeiro?
É cheio de letras e de animais que me engolem por inteiro,
Por que para se publicar um livro precisa-se de dinheiro,
E eu não tenho dinheiro, não tenho nada para me segurar,
Por que meu pai você ainda é obrigado a me sustentar?
Eu não sou homem suficiente para mudar o mundo,
Mas sou persuasivo o suficiente para mudar a sua opinião,
Quero dar valor a minha matéria neste exato segundo,
Eu sou só um alfinete mas faço barulho como um trovão.
Queria pegar um foguete e sair da Terra,
Parar de ouvir a opinião tão megera,
Que destrói a paz dos meus melhores dias de vida.

By: Vinicius Viniver
Feito em 15 de julho de 2016.

2.8.16

Medo? Que Medo! Tem Medo?

Eu não sou poeta, não sou escritor,
Não sou arquiteto e nem um filho homem.
Eu não sou o melhor amigo, nem o melhor amor,
Não sou a palavra e nem o significado do meu nome.
Quando a caneta escreve no papel,
Eu não sou mais nem eu mesmo,
Não sei o que escrevi no meu passado.
Oh mundo não me ame! Que Medo!
Oh mundo não me queira! Medo?
Mundo? O que é este mundo? Tem medo?
Está virado com tanta sujeira.
Eu não quero idolatrar as palavras,
Fazer com que o poema desfigure o significado,
Uma arte concreta também é feita da simplicidade,
Dos traços mais finos sem idolatria.
Pulsa-se o sangue encharcando o corpo avermelhado,
Unhas, cabelos, pele, tudo isso não é mais meu,
Não sou eu, mas é a parte significativa deste enredo,
Tem Medo!                                                           Tem Medo!
Não sei o que cativar, para onde não devo ir?
Como poderei realizar uma linguagem ruim de engolir?
Está cada vez mais alto, do pico de uma montanha com neve,
Você não se atreve!
Sim se atreve!
Isso é dinamite nas veias!
Tem medo?                                                          Tem medo?
Deixa fluir, como um rio que goteja o conjunto das gotas,
Deixa chover e deixa molhar, você não é este papel,
Você não é esta caneta, você não é um ser humano!
Sim você não é poeta!
Sim você não sabe escrever!
Sim, sim, sim, sim, sim, sim, sim, sim,
Deixe que chova sobre a sua vida.
Deixe que a água limpe os seus sapatos,
Os mesmos que andaram por lugares distantes do seu eixo central.
E vá! Vá embora daqui, você não é o meio termo,
Você é o termo inteiro, não sabe o que pode descobrir?
Tem medo?                                                             Tem medo?
                             Do que você tem medo?
      Deixa chover!                                             Deixe fluir!
Medo?                             Que Medo!                        Do medo?
Você é a partícula menor e a partícula maior da esfera.
Deixa o peito aberto, escancara a sua roupa e diz vem,
Abaixe as armas e desarme as suas defesas.
Deixe virar, deixe fluir, deixe fluir, deixe fluir. Medo?

By: Vinicius Viniver
Feito em 21 de julho de 2016.