16.8.17

Rosas Brancas

As rosas brancas aqui de casa são sinestésicas
Me lembram o gosto de vodca misturada,
E uma sexta feira qualquer em que saio para beber.
Não precisa de cores, rosas brancas enérgicas
Com um aroma de flor tão dissimulada,
E uma bebida que parece doce para me estremecer.
Dores, tremores, amores, morangos, vitaminas
Eu passei a beber água somente em uma taça.
Ainda continuarei com minhas pernas finas
Achando você sem nenhuma relevância e graça.
Rosas brancas dissimuladas,
Sinestésicas e muito amadas.
Deve ser por isso que são comidas por anjos.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 03 de Julho de 2017.

15.8.17

Tratamento de Canal

É triste quando dói um dente,
Um molar superior ou inferior,
Abrindo um buraco profundo
Que a radiografia já mostrava:
Isso não é amor é inflamação!
Dói bem menos do que o coração,
Para tudo se dá um jeito.
Primeiro você abre o peito,
Escancara o problema com a boca aberta
Porque mexem naquilo que dói.
Depois você trata com medicamentos
E mata um pouco de seus sofrimentos
Na esperança que o dente não caia...
Se cair, a dor é maior para um implante.
Você pensa: e essa dor que é pulsante?
Quando é que ela para?
Ela não para se não fizer canal,
Ela não para se não tirar a cárie
Que infestou o mais profundo
Perto da raiz do mundo
Perto do que é uma idealização
Mas não é amor, é inflamação!
“Podemos marcar o procedimento?”
- Sim, tire tudo que tem aí dentro!
Faça uma limpa do que não presta
Preencha depois o que me resta
Com material odontológico de restauro.
Não vou perder um dente por você
Estou tratando todo o seu estrago.
Analogia de merda.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 03 de Julho de 2017.

12.8.17

Ultimato

Não reme contra a maré

Se ama, ame
Se é, seja
Se gosta, goste
Você tem este direito.

Não jogue com outras peças,

Se quiser, queira
Se doer, que doa
Se pensarem, que pensem
Mas não tire o direito de ninguém.

Então reme, não ande contra a corrente,
O vento e a chuva não são mortais para você,

Se curta, imagine
Desligue o celular e conte estrelas.

Leia um capítulo, escreva uma carta
Saia e observe, absorva
Se chorar, chore
Se cair, caia
Se perder, perca
Nem sempre tudo é tão brilhante.

Não volte para o armário,
Não seja silenciado.

Coloque tudo no lugar
Compondo o seu ultimato.

Não seja cego, surdo e mudo.
Nem amargo, rancoroso e pessimista.
Se beber, beba
Se falar, fale
Não entre em rodeios, indo por círculos.

Se escolher, escolha
Se errar, erre
Se descabele
Dance até faltar ar.
Mas ame, é bom amar
Serei lembrado como o colorido?
Ultimato dolorido
Faça, faça, faça.

Se estiver na ruína não entre em desgraça
Eu não sou um festival, vendaval, opção e estilo
Nem uma arma carregada para matar.
Feche os olhos, sonhe com aquilo
Não lembre daquilo
Tudo é tranquilo
Um dia eu entro na demência?

Beije, abrace, reconheça
Mas ame, ame, se ame, dê valor
O que seria a vida sem o amor?

Você tem este direito.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 02 de julho de 2017.

6.8.17

Escolha Um Sorriso

Eu pensei: escolha um sorriso!
Escolha uma palavra bonita,
Escolha alguém especial,
Penteie os seus cabelos,
Faça valer a pena.
Eu fiz: saí para beber e ver pessoas,
Com meu cabelo bagunçado,
Me sentindo um bagulho estranho,
Desorganizado, com cólicas na cabeça.

Eu pensei: ame sem limites!
Escolha dar amor sem receber,
Faça o bem se manifestar,
E alguma coisa acontecer,
Seja leve e seja menos dramático.
Eu fiz: depositei meu coração no lixo,
Me senti em um precipício,
Perseguindo minhas ilusões,
Acabando comigo aos poucos.

Eu pensei: falta pouco para enlouquecer,
Estou escrevendo no modo aleatório,
Ouvindo uma música triste de velório,
Tentando viver sem ser um derrotado,
Encarando de frente o que me foi dado.
Eu fiz: escolhi um sorriso,
Tentando evitar perguntas,
Deixando que tudo aumentasse de proporção,
Quebrando as partes do que eu já fui.
E eu fui um punhado de coisas e nomes,
Hoje quero apenas ser leve,
Sem causar destruição e impacto,
Com opiniões cada vez mais tempestuosas.
O mundo é bonito, mas estou tão quebrado,
E na falta do que fazer,
Vou tentar escolher um sorriso não sincero,
Um daqueles que não transpassam a grandeza do olhar,
Cada vez mais apático e cinzento,
Um olhar de um arco-íris sem cor,
De um homem que cansou de lutar,
Um homem que escolhe sorrisos.

By: Vinicius Osterer
Feito em 01 de Julho de 2017.

3.8.17

Só Quero Matá-lo!

Você estava sorrindo com um ar sombrio,
Um daqueles que me dá medo do que está por vir,
Quando sinto o cheiro de tempestade no horizonte,
E coloco na cabeça algumas músicas da década de oitenta,
Ou uma cena de um filme expressionista alemão,
Ou de um Psicose, no banheiro do Bates Motel.

Então peguei minha tesoura na mão,
E lhe ataquei até você perder o ar e cair,
Fazendo brotar a vida e a cor que eu não tinha,
Preenchendo minha vida tão monótona com poesia,
Com o seu sorriso mortal de um jovem precário,
Dormindo dentro do seu próprio armário,
Mais fresco do que as frutas da feira na sexta de manhã.

Meu amor não me quer, e eu só quero matá-lo,
Cruzar a linha que é o limite para não amá-lo,
Ajardinar os meus versos com flores e não matos,
Colar todos os reflexos quebrados dos meus cacos,
E tentar ver se ainda assim consigo virtuar-se na forma,
E não apenas em mais imagem invertida e desfocada,
Tornar-se a minha pessoa tão amada,
Colocar outros pesos e outras cores nas coisas.

Só quero poder chorar, e chorar em paz, não por você,
Dentro dos meus fracassos e limites, não é para entender!
Porque eu sou um ser humano mutável,
Eu sou um personagem de mim mesmo.
Esse amor não é apenas Setembro e a chuva da primavera,
É a beleza que existe dentro de mim, uma fera,
Um homem que parece o verão amazônico.
Seus genes estragados e camaleônicos,
Você acabou como um rio de sofrimentos.

E se o criminoso for eu?
Querendo ser o Romeu e brincar com o sentimento,
Você Julieta, e mais um vidro de cianeto,
Sabendo no fundo que eu não quero o veneno,
Apenas matar o seu sorriso anêmico, castanho, enojado,
Um alguém repugnante que se sente afortunado,
E vazio como o espaço entre dois corpos,
Onde não vejo matéria visível e palpável.

Eu não gosto de você...
Queria que fosse apenas meu personagem secundário,
Que eu posso matar e colocar no obituário,
Como um jovem desprezível e fracassado,
Mas meu amor, isso não é louvável,
Porque poderia estar criando uma cena icônica,
E isso seria uma coisa irônica,
Então peguei minha tesoura na mão,
E fiz você sangrar na minha poesia,
Só quero matá-lo.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 30 de junho de 2017.

19.7.17

Melhor

Chora baixinho para ninguém escutar,
O mundo não pode saber que você também chora.
Respira fundo mesmo que lhe falte o ar,
Pense no que é bom para você agora:
A lua no céu, o sorriso manso, o amor que não deu,
Tudo aquilo que você mesmo prometeu,
A existência dos seus últimos vinte e quatro anos.
Quando virá o vento derradeiro
Que me varrerá da face da Terra?

Eu sou o meu melhor trabalho,
E todas as cores e tonalidades possíveis.
Estou melhor, bebendo o orvalho,
De todas as palavras que são visíveis,
Quando a luz do sol rompe a escuridão da noite,
E meus olhos percebem que chorei de madrugada,
Porque sou um padrão de cor e de nada,
E sou o melhor daquilo que posso ser.

Chora baixinho, não faça barulho,
Cubra a cabeça com medo do escuro,
Espere o sol romper a barreira,
Que te prende ao pé da cama.
Não é a última e nem a primeira,
Das tantas vezes que chorei por ser alguém que ama,
Pela existência dos meus vinte e quatro anos.
Mudar de cor e mudar de planos,
Chorar na poesia para ninguém escutar,
Fazer um milagre para poder me amar,
E continuar sendo o meu melhor trabalho,
Então chore!

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 26 de Junho de 2017.

16.7.17

Um Caso de Paris

Aconteceu em Fevereiro, quando fui para lá em visita,
E espero contar o que muita gente não acredita,
Era conhecido como o estranho caso de Paris,
A pobre menina que ao respirar assobiava pelo nariz,
Deixando seus pais envergonhados,
Indo embora para um subúrbio, desolados.
Minhas tias que nasceram com saltos nos pés alertavam:
“Não vá visitar aquela família”, pois os outros falavam,
E não queriam ser faladas na cidade,
Pegava mal a duas senhoras naquela idade,
Como se o fato de pensar já provocasse contra gosto,
Fizesse a pessoa ter vergonha e esconder o próprio rosto,
Eu não entendia o que haveria de errado,
Não era uma doença ou alguém amaldiçoado,
Então joguei meus cabelos para trás, sentei na minha bicicleta,
Fui atrás da menina que parecia tão secreta,
Escondida nos subúrbios de Paris não turística,
Não haveria em outro lugar uma história mais verídica.
Me descobri nas ruas estreitas de alguns lugares,
Entrei em restaurantes e bebi em vários bares,
Gente de todo tipo que falava sobre o caso,
Sobre a menina que deveria ser um atraso.
Se eu a achei? Não posso afirmar positivamente,
Nesta busca eu me perdi e me entreguei cegamente,
Aos fatos que não pensei que pudessem existir,
E as pessoas que não conhecia e passaram a sorrir,
Quando dizia a eles que perseguia uma curiosidade,
Sobre a menina que assobiava pelo nariz com naturalidade.
E um dia depois de procurar algo que para mim não existiria,
Eu vi uma mulher passar assobiando pelo nariz no fim do dia,
Então entendi que coloquei a força necessária na busca,
E não aproveitei para olhar nas coisas aleatórias e avulsas,
Só então fiquei conhecido como o estranho caso do menino com assas,
Com fogo nos olhos e o peito em brasas,
O menino que queria voar como um passarinho,
Que pegou sua bicicleta e saiu do ninho,
E um dia ganhou assas e planou,
Vicenzo, prazer, aqui estou,
Talvez eu volte para dizer como foi que aconteceu,
A menina que assobiava já morreu,
Mas me deixou um belo par de assas!

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 26 de junho de 2017.

15.7.17

Spectrum

Você me machucou, estou ferido e agora?
Acabei virando o homem que esconde o rosto e chora,
Aquele mesmo ser humano recuado e fraco,
Sem o sorriso, o rosto fechado e sensato,
Que gosta de empregar a razão essencial de tudo.

Você foi a minha melhor invenção,
Não se ama uma idealização,
Estou apenas criando alguém para ser amado?
Até que ponto é criação o que foi publicado?
Talvez me amar seja mais complicado,
Por que sempre acabo sendo o padrão de mim mesmo.

Você foi a minha melhor estação,
Abrasadora como um calor de Agosto,
Eu lhe criei com outras cores no coração,
Sem pensar naquilo que era desgosto,
Fiquei com cores no rosto,
Por que sempre acabo com cores no espelho.

Você foi aquela coisa toda que eu amava,
Parava para escrever quando sabia que você detestava,
Eu tenho alguns dias em que não me dou bem com valores,
Quando carrego nos meus olhos todas as cores,
Todas as lembranças das senhoras e dos senhores,
Por que sempre volto a amar, e amar, depois amar.

E este spectrum brilhante que enxergo erguido,
Sem marcas que o deixam bem nascido,
Como alguém que ainda não viu outro século?
Ninguém nasce com um chifre único na testa,
Nem faz só aquilo que lhe convém e presta,
Só queremos viver e não ter dores,
Um arco-íris de amores,
E este spectrum do tempo?

Não precisa ser muita coisa para estar na esquina do meu coração,
Uma pitada de humor com outra dose de ilusão,
E fica pronto o negócio, lhe dou uma carona no que posso,
Mas não brinque com alguém que é armado,
Faço jogos psicológicos sem me sentir culpado,
Fácil para o amor e difícil para a guerra,
Melhor como aliado do que como inimigo sobre a Terra.
Também pudera, você foi a minha melhor invenção,
Hoje é apenas um spectrum de nada.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 25 de junho de 2017.

14.7.17

Revolução Subtropical

Para quando sentir dor,
Estarei aqui pensando em preenchê-la,
Com um pouco a mais de cor,
Eu gostaria sim de poder vê-la.
Mais cor, mesmo que você não queira,
Ainda é uma quinta-feira,
Mas há tempo desapeguei dos dias da semana.
Para quando levantar da cama,
Mais cor, mais cor e mais cor.

Para quando o sol for embora mais cedo,
Porque estamos no inverno neste hemisfério,
E para quando você não se arriscar e ter medo,
De colorir as suas fraquezas e todo mistério,
Mais cor, mesmo que seja difícil tê-la,
Mesmo que para baixo do trópico seja frio,
Eu gostaria sim de poder vê-la,
Chega de encenar o personagem sombrio.
Para quando estiver se sentindo sozinho,
Mais cor, mais cor e mais cor.

Você viu o que alguém fez com a sua vida?
Pegue ele, você não é uma agressão,
Nem a vítima para se sentir agredida,
Você é a cor que existe em seu coração,
É o punhado de cores que ele representa,
Revolução colorida da década de oitenta?
Revolução Subtropical da existência!
Não quero ser um tom sobre tom,
Não quero ser a peça complementar,
Quero a cor de destaque e não o marrom,
Sou o design e a peça que não vai se encaixar,
Porque não é fabricada com encaixes.
Triture tudo no processador,
Coloque uma pitada de amor,
E revolucione a sua hora do jantar,
Refeição balanceada é aquela colorida no prato,
Não precisa nem gostar ou ser mais exato,
Eu revolucionei com brócolis, cenouras e beterrabas.

Quando a cor petrifica igual a pedra,
E as letras se unem com qualquer merda,
Você entende que não é isolado que acontece,
Não é sobre sentar escrever e ver se desce,
Uma coisa que seja a saída dos seus piores dias de cão.
Para quando for equinócio ou solstício,
Quando não tiver término e nem início,
Para toda e qualquer tonalidade de uma canção.
Me abrace ou me beije, nesta oração,
Mais cor, mais cor e mais cor.

Me beije enquanto estou quente,
Porque sou muito mais gente,
Pipoca em mim o que foi dolorido,
Aquilo que não é digerido,
E acaba colorindo meu rosto e sorrindo,
Me beije enquanto puder me beijar,
Me ame quando puder me amar,
Me liberte para fora que eu faço acontecer,
Não preciso de muito para aparecer,
Por que esta revolução é um evento!
Correndo na direção oposta do vento,
Com todas as cores possíveis!

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 24 e 25 de junho de 2017.

9.7.17

2016

Cansei de garotos. Eu quero um homem de verdade.
Um homem que consiga aceitar o peso do mundo,
Sem ser problemático ou obra de um exagero.

Eu nunca fui tão bom assim, agindo com naturalidade,
E isso pode soar estranho, bem no fundo
Eu só queria um sentimento mais verdadeiro.

E eu não vou deixar você me destruir por dentro,
Você não tem esta capacidade e este talento,
E não quero que você signifique existência.

Embora quisesse que fosse mais que isso,
Você não deve nem saber que eu existo,
Mas vou manter a minha melhor aparência.

Um homem com muitos amores,
Que não aguenta com o peito cheio de ar,
Sonhando com todas as cores,
Em uma linda manhã à beira mar.
É isso que eu posso me dar.
Não tenho tantas coisas materiais,
Eu sou o homem que ainda mente para o pai,
Para beber de uma forma selvagem,
E mudar constantemente a minha imagem,
Por que eu não gosto tanto assim do que eu vejo.

Embora quisesse, isso não deveria mais ser sobre mim,
E nem sobre Saturno ou o ano um astrológico.
Tenho que me manter fiel até o fim?
Que porcaria sensata feita de um modo metódico!
2016.

By: Vicenzo Vitchella / Vinicius Osterer
Feito em Novembro de 2016 / Reorganizado em 22 de junho de 2017.

7.7.17

The Wild Man

Meu homem é um perigo constante,
Maior do que uma ameça nuclear,
Com sua língua bifurcada, coração congelante,
E com sua velha mania de não pensar em amar.
Não me deixa olhar pelos seus olhos quadrados,
Com grades cilíndricas e de ferro,
Atrás dos seus muros estão os crimes julgados,
Dono de um paraíso e de um inferno.
Seus olhos são uma prisão,
E dentro deles é que quero permanecer trancado,
Não estou preso aí por uma maldição,
Não fui eu que acabei sendo condenado,
Pagando pelo crime selvagem que cometeu,
“The Wild Man”, foi assim como ocorreu,
Disse que era um obcecado!
Meu homem não mata com armas e truques,
Ele não ama pois talvez cansou de amar,
Nem tem tatuagens e também não tem muques,
Meu homem cansou de viver e sonhar.
Ele disse para si mesmo que valeria o esforço,
Que conseguiria com o tempo apaziguar as dores,
Mas ficou selvagem morrendo de remorso,
Marcando os dias na parede e destruindo as cores.
Disse que era um obcecado!
Trocávamos cartas e visitas esporádicas,
Com poucas palavras que eram muito práticas,
Mas éramos jovens, meu homem e eu,
“The Wild Man”, foi assim que ocorreu,
Um dia cansou da minha desculpa programada,
Me chamou de farsante querendo vingança,
Me puxou pelo pescoço sem pensar em mais nada,
Colocou grades nos olhos verde esperança,
E talvez só assim eu consegui entender,
A culpa não foi minha, ele que era selvagem.
Eu não preciso mais temer,
Por que aprendi a respeitar a minha imagem.
Não tenha medo do que perdeu,
Hoje não é sobre você, esse sou eu,
Com todas as cores mais os tons arroxeados,
Seus olhos foram condenados,
A ter a minha imagem com outro atrás das grades,
Nada justificava seus atos cruéis e tão covardes,
Meu homem não era um perigo, hoje ele é.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 21 de Junho de 2017.

5.7.17

Antes Que Escureça

Então vai florescer!
Então vem, me deixa marrom,
Me deixa roxo de inveja,
Que eu posso ser o escuro mas quero o colorido.
Então vai florescer!
Faz de mim o seu rascunho,
Porque ainda temos tempo antes que escureça,
Então vai, não é ordem, mas obedeça,
A terra engole todo o sol do dia.
Seus olhos cheios de estrelas me arrematam,
Como em órbita com os planetas que passam,
A gritar em mim como uma serra elétrica.
Quem vai se importar com uma métrica,
Quando se tem cor e se tem com o que florescer?
No fim de mundo beirando o entardecer,
Quando a lua da minha alma brilha solitária no céu.
E descortina como uma névoa que desce as montanhas,
Invade esse buraco que chamo de meu lugar,
Um lugar cheio de seus formatos estranhos,
Pessoas peculiares, rostos abatidos em busca de glória.
Então vai florescer!
Plante flores, colha amores, seja belo,
Trepadeiras sobre o muro é o que eu quero,
São espécies que se espalham sem dar grande trabalho,
Sem regas, sem prantos, cortando atalhos,
Talvez eu seja uma trepadeira sem flores e frutos.
É que chove tanto lá fora!
É que tenho tanto a fazer aqui dentro!
Essa casa estava toda bagunçada,
O último que habitou a deixou desgovernada,
Então pisei no freio, então fui florescer,
Deixei brotar para só depois eu entender,
Então vai florescer!
Então vai florescer!
Desce de seu pedestal poeta. Coloque sua roupa florida,
Faça aquela coisa que você mantém tanto tempo escondida.
Se deixe pintar com um tom brilhante de vida,
Você não escureceu no engano,
Nem beijou o primeiro que lhe disse: eu te amo!
Tinha areia em excesso, parecia um deserto,
Em plena avenida central movimentada.
Você me disse: “Ficaria melhor sem pavimento”,
Eu discordei dizendo: “Prefiro pavimentada”,
E então sua negativa de opinião floresceu sobre o asfalto,
Parti desfeito, ele desceu do salto,
E caminhamos de mãos dados por todo o trajeto,
Apedrejados e humilhados, mas muito mais libertos,
Porque ainda temos tempo antes que escureça.
Deixe florescer no céu toda as estrelas...
Então vai florescer!
Então vai florescer!
Eu vi a noite chegar e depois desaparecer,
Eu vi você me beijar e depois enegrecer,
E eu ainda prefiro pavimentado,
No centro da cidade, em um dia movimentado,
Como prova de toda cor que existe fora,
No rascunho da dor que não sinto agora,
Porque você engoliu o sol no entardecer,
Colocou nuvens sobre o céu vermelho do fim,
E antes que escureça,
Antes que você esqueça,
Eu apenas lhe disse: tenha um bom dia.
Porque vai ser um bom dia,
Um dia perfeito para que eu floresça!
Você escureceu mais cedo hoje.
E espero que nada mais nos empeça,
De nos beijar como em um último acorde.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 08 de Junho de 2017