30.12.17

Poema da Madrugada

Um palavra escondida dentro de uma cuba
Na última sexta do ano
Na caçapa da mesa de sinuca
No vômito escorregadio entre um ponto e outro
Nas rodelas de limão que descem e sobem no copo
Dentro de cada corpo, perto e longe da saída
No movimento e na ausência,
Ferindo o direito autoral da expressão “Bandido Gourmet”
Que alguém disse e queria deixar ela escrita.
No cabelo amarrado, o coração que palpita
Pelo som emanando eletricidade instantânea.
Me pergunto, baseado no meu critério:
Existe lugar para a poesia no amarelo,
Sentado logo em frente, do lado direito?
A bola oito bateu no peito,
Desliga a cabeça e vai para a rua!

By: Vinicius Osterer
Feito em 30 de dezembro de 2017.

28.12.17

"EU" Lírico

Sensível. Aflorado. Florescido. Enalteça!
Amor que se desloca dentro da cabeça...
Nos contornos de onde existo e você não é.
O que não pode mais ser mudado,
Um sentimento velado e enterrado,
Quando foi que você virou uma viada lírica?

Estava escuro e eu em hipnose repetindo:
- Cadê você? Eu não estou lhe ouvindo!...
E rodava na ponta dos pés já calejados,
Por todos que nunca foram e não serão amados,
Pela remissão de todos os pecados,
Crucificado em um pé de Cerejeira.
Na sombra de araucárias, cor vermelha,
Perdido dentro do peito e do espaço,
- Mulher de pouca fé, o que é que eu faço?
- Catarse meu filho, catarse – ruí por dentro.

Na tarde, sem nenhum grande sucesso,
Voltei a praticar o sentido reverso,
Tentando desmontar e fabricar a imagem
O som e toda a minha paisagem,
Que não anulasse os meus outros sentidos.
O vermelho com gosto de decepção,
O azul com um punhado de imensidão
Tão escura que lembra uma sopa.
O amarelo querendo gritar,
O verde não mais querendo amar,
E os meus olhos ficando tão míopes...
Me diziam: - Não veja todo o processo!

E eu caí em retrocesso?
Expirando, expirando, espiralado,
Onde é que está o culpado?
Me dê um tiro sobre a testa
Porque acabei como naquela festa
Em que sentei e fiquei magoado.
Amor amado, amor amando,
O que não era para ser velado,
Acabou acontecendo e me arruinando.

Parado! Nem mais um passo...
Pegue ele e coloque na cadeira.
Amarre bem para não soltar o laço,
Ele sempre acaba cometendo uma besteira!
Me passa essa arma, adeus filho da...
Um cão raivoso passou a escrever deste lado.
Com pedras e paus, seu filho da...
Abstração no sentido figurado...
Enterrem o cadáver com flores e versos,
Enterrem o cadáver com o amor do mundo.
(BANG) O homem que fui está morto.

O homem que eu seria estava lá.
Sem tinta nos cabelos, de pé e parado.
Do lado da cova do Homem Amor enterrado.
Talvez seria um Homem Rubi?
Olhando para a lua atrás da montanha,
Uma montanha com pastilhas de um branco,
E ficou olhando de cima à baixo, ouvindo o canto
Do fim do que o “Homem Amor” seria.
Será que depois daquilo choveria?
Foi um tiro no peito? Poesia de sobressalto,
Configurando-se em 1,2,3...

AS COISAS QUE DIZEM SAÍRAM DA MINHA BOCA,
A VIADA LÍRICA, MELODRAMÁTICA E LOUCA.
Repleta de enganos, mergulhada na brisa marinha.
Então peguei três ovos e deixei a coisa solta,
Saboreando o meu omelete de palavras na cozinha.
- Tio Vini, você sabe onde está o sol?
- Mas é noite, não tem sol Maria!
- Não é isso, Tio Vini!
O sol era o codinome do amor.
Os meus olhos não são como cachoeiras?
Estupro Coletivo.

O verso tinha gosto de bala de uva,
E de um vento de Junho redondo.
E a asma que eu já fui,
Me sufocando...

Então o homem que sou escreveu:
- Sim. Uma bala na sua testa
  Como um vibrador de plástico
  Enfiado no cu daquele miserável.
  Em um momento prático
  Você é meu desuso memorável.
  Você não é um acaso.
  Me joguei no tão profundo,
  Por alguém que era tão raso.
  Floresci com cravos e margaridas
  Criando outras barreiras.

A VIADA LÍRICA, MELODRAMÁTICA E LOUCA.
O verso tinha gosto da sua ejaculação precoce,
Da minha cueca box vermelha listrada,
E da lembrança repulsiva da catarse mental.
Descanse em paz, sua piranha,
A Viada Lírica chegou.

By: Vinicius Osterer
Feito em Agosto, Setembro e 28 de Dezembro de 2017.

24.12.17

Ordem de Natal

Primeiro coloco a árvore, depois os enfeites e todas as luzes. Bem no topo daquele punhado de verde sintético uma estrela, com um punhado de cores para todos os lados. Vejo por ordem que a mais cativante é a dourada, daquelas bolas todas que juntas já são um perigo, então imagine juntas!
Depois vem um punhado de gente, de todos os lados, dizendo com um sorriso: Feliz Natal! Comem adoidado, bebem como se não houvesse o amanhã, trocam presentes e lembranças. A vida vermelha e branca tem compaixão por sorrisos que sejam abertos e explícitos.
Como tudo isso está desorganizado?
Coloco a roupa mais bonita que tenho, aquela que comprei na liquidação do natal, com um preço para lá de camarada! Talvez paguei com meu décimo terceiro salário, talvez nem comprei e ganhei de amigo secreto, talvez ainda nem tenha lembrado que ela estava lá, e resolvi virar as roupas e achar o que estava bem no fundo do armário. Não parece desordem.
Rompido. Quebrado. Natal?
Talvez não perceba que seja apenas a minha fantasia de homem humano que está fazendo eu realizar todas essas coisas. Mas quem me garante que não exista um natal para coelhos, para cachorros ou gatos? Quem me garante que isso tudo fantasiado não é apenas uma maneira tola de lembrar que sem toda esta palhaçada ordenada dentro de 365 dias, eu apenas nasço e morro e mais nada.
E mais nada?
É triste ter depois um nada. É triste porque eu fui tantos dias uma fantasia de ser humano cheio de horários, cheio de roupas, tendências, coisas e mais coisas que não me caracterizavam como outro animal que não um homem, para depois não poder saber nem se o nada é bom, ou se não estou (olha que patético tudo isso!) apenas vivendo dentro de uma ficção inversa, onde quando eu morro eu apareço no lugar de onde eu venho, e que lá é onde eu vivo de verdade, que aqui não era nada mais do que uma celebração de fantasiar saber sobre tudo, ordenar e colocar significado em todas as coisas.
E se eu for mais do que um simples significado?
Se eu for mais do que um ser humano? Não posso ser um Deus, pois se fosse um eu saberia. Não teria que me locomover, me sustentar, e sentir tanta coisa. E sentir não é mais como aquela vez que sentado embaixo da árvore eu olhava para as caixas de presente esperando abri-las, e passava o resto da noite com o que seria meu para todo sempre.
Esse sempre era mentira. Meses depois o sempre não era sempre. Anos depois nem mesmo a caixa tinha os mesmos embrulhos e surpresas. Tinham roupas que me lembravam que fantasiava um homem-homem, que em breve deveria ter sua própria família e convencer seus filhos de que seriam felizes para sempre.
E depois, mais nada?
Jesus não nasceu em 25 de dezembro. Eu também não.
Eu nasci quando descobri que era apenas uma fantasia, ordenada dentro de um dia diferente para cada ano.

Dia 23 de Dezembro de 2017, Vinicius Osterer.