12.12.17

O Homem Rubi

O Homem Rubi subiu a rua que tinha
Um punhado de nada, sem sentido.
No fim estava convencido
De que aquele punhado de coisas só seriam
Mais um punhado de coisas e outras coisas.
O Homem Rubi passou maquiagem,
Coloriu a roupa para sair.
No fim da rua um campo de soja como imagem
E um desejo de viver e partir.
O Homem Rubi endureceu a voz
Ficou grossa como um som de trovão.
E foi com os pés, com as mãos e de cabeça
Dentro da sua própria incompreensão.
Não eram duas avenidas
Nem a fuga espetacular que ocorreu.
Nem as palavras não proferidas,
Ou o sentimento de que enfim aconteceu.
O Homem Rubi não tinha ferramentas.
Como um beijo do lado esquerdo,
Um abraço que é negado
Um copo de vidro vazio
E um dente da frente quebrado,
Como um rio estreito como um fio
Um besouro preto que entra na sala,
Um amor que nunca existiu
Apertar o gatilho e meter uma bala.
O Homem Rubi subiu a rua e disse:
“Espero que fique!”
Fica. Eu posso te dar todo o amor que carrego.
O Homem Rubi subiu a rua,
Na rua que tinha seu nome, escrito em uma placa.

By: Vinicius Osterer
Feito em 12 de dezembro de 2017.

7.12.17

"Predador Sexual" Primeiro Romance


Fico feliz que este ano tenha produzido grandes feitos para meu amadurecimento na maneira de encarar o que escrevo. Um desses grandes momentos do ano foi a concretização do meu primeiro romance chamado "Predador Sexual". Queria ter publicado ele meses atrás (quando digo publicado, não digo por uma editora, sem tempo para isso ultimamente, e sem dinheiro, com um desalinhamento mental severo), mas como havia inscrito ele na categoria romance, do prêmio Paraná de Literatura, não podia publicá-lo antes do resultado do concurso. É um feito muito grande para mim ter escrito este livro, e conseguido por ser o meu primeiro que não tenha só poesia e poesia e mais poesia. Até o fim de Dezembro, em dias alternados, publicarei um capítulo do livro. Não é grande coisa, mas é parte de um processo. Me sinto preenchido de um sentimento ainda não sentido... Quer ler sobre um punhado de fofocas? 

Por separar poesia neste blog, desde o dia 05 de Dezembro, comecei a publicar os capítulos do livro no blog "O Senhor da Madrugada". Para quem ainda não o conhece colocarei o link abaixo, e para quem quiser acompanhar segue o mesmo link. Todos os dias ímpares até a virada do ano um capítulo novo desta narrativa sobre o amor e suas formas modernas. Muito Obrigado!

3.12.17

Mamãe, Estou Louco

Eu nunca mais vou escrever um verso,
Versátil e simpático
Com afeto e forma.
Eu nunca mais vou escrever um verso,
Bonito e redondo,
Com padrão e norma.
Eu nunca mais vou escrever um verso,
Lindo como os olhos
Livre como o céu
Camaleônico, que muda.
Palavra que parece com chuva
E vai
        Chovendo em mim.

Eu nunca mais acenderei um cigarro,
Eu nunca mais prestarei atenção
No meu erro de português e pontuação.
Se seu nome tem dois éles, ipsolon, dabliu, jota.
E vai
        Chovendo em mim
                                      Sem volta.

Ei, peraí.
Levante do chão e pinte o seu rosto.
Com as cores essenciais de seu desgosto.
Ei, peraí.
Esmague os comprimidos e grite bem alto...

No dia que este nasceu
O outro de mim morreu
Era uma morte consciente
Trazendo luz ao meu desconhecido.
No dia que este outro morreu
O outro de mim nasceu
Era um nascimento inconsciente
Colocando visibilidade ao que deveria ser escurecido.
Fugir não dava, nem construir barreiras, era interno
Era um sentimento bom, irregular e fraterno
Que acabou me escondendo de mim mesmo
Criando um ego esquerdo, depois direito
Nunca centralizado.
Umas horas nítido, em outras horas denso
Um buraco negro espiralado
Se a poesia me jogou
Fiquei imóvel e fragmentado
Como um peão rodando, produzindo energia e não saindo do lugar
Me jogando na incerteza do ato falho que é criar
E me perder, se ver sozinho, então começar a sufocar
Agora entendo que aquele moinho não era movido pelo ar
Nem pelo sabor de compor, pela beleza de amar...

Voltei. Aonde foi que eu parei?
Volta Vinicius, volta.
Consciência segura, talvez não escreva
Talvez escrever? Por que eu não deva?

O mundo machuca
Uma faca machuca
Mas um tapa inconsciente não.
Não é mais seguro andar sem visão.
Sem cores nos cabelos, 
Sem medos e traumas.
Mamãe, eu sumi.
Mamãe, estou louco.
Mamãe eu vou parar de escrever, 
Vou parar por um tempo.
E Vai
          Vai...
                  Vai chovendo em mim.
Antes a chuva que a corda no meu pescoço.

By: Vinicius André
Feito em 03 de Dezembro de 2017.

17.11.17

02:12

Belo espetáculo para alguém que não sabe o que quer.
Abriu uma taça de vinho tinto e seco, fechou o coração.
Deitou com um homem, beijando uma linda mulher,
Travou os dedos no teclado, os olhos no céu, era uma oração:
- Quem acredita nas estrelas uniformes?
Estrelas não tem um formato de cinco pontas?
Para onde foi meu lápis de cor amarelo?
Bebi demais, e se ainda quero
Construir com linhas o meu castelo
(Deixei a bebida um pouco de lado).

Amanhã de manhã verei o que não vi.
De tarde escreverei o que nunca escrevi,
Contrariando a ordem da minha terapia passada
Como não escrever mais sobre nada?
(Tomei mais um gole e esvaziei a taça)
Escrever sóbrio não tem nenhuma graça!
Blablablá, palavra que já perdeu o tom predestinado
Mulher, mulher! Um homem? Eu não sou culpado!
Esse complexo ainda vai acabar me matando.

Belo e sinuoso nas suas curvas mentais,
Sem sexos, pensamos mais que animais,
E não guinchamos como porcos despudorados
Nervos na pele tão sensibilizados
Amando sem um celular e uma penetração
Muito mais do que uma marca no pescoço e masturbação,
Poesia contrária a ordem social proposta,
Tudo vira bosta (desliga Rita Lee, que já está tarde).

Louca. Como me disse para não escrever?
Mais louco sou eu que não consigo prever
Os passos que ele dá contrariando minha vontade.
Como um homem castrado de ti, saudade me invade.
(Bosta, sequei a garrafa) Quif! Quif!
De longe ele é o meu desmaio.
De um signo do mês de Maio?
Acabei de expor o que eu sinto.
(Onde foi que guardei a outra garrafa?)
(Chega por hoje, vai querer ser um alcoólatra?)
(Seu animal)

By: Vinicius Osterer
Feito em 17 de novembro de 2017.