18.10.17

Quebra do Silêncio

Diga a eles que estive bancando o louco,
Gritando de noite, explodindo a madrugada.
E diga também que quase e por pouco,
Abandonei tudo e não pensei mais em nada.
É mais madrugada pelo silêncio,
Nem tanto pelo “Senhor” que acabei me tornando.
Madrugada em que eu nem penso,
E acabo escrevendo e não mais me importando,
Se lá fora tenho contas, amores, explosões...
Explosões de bombas, de humores e decepções...
É mais madrugada pelo escuro,
Pelo barulho que as teclas fazem
Quando eu queria estar escrevendo em uma máquina de escrever,
Daquelas com os sons mais estranhos, quebrando a noite
Fazendo adoecer as estrelas
E cantando mais alto do que as corujas e as almas do cemitério.
Porque as almas têm vozes e cantam, bailam sobre os túmulos,
Cheias de seus mistérios, com olhos e bocas... Fazendo caretas...
Endemoniadas, um bando de capetas.
Diferentes das Drags que eu vejo na calçada.

Talvez esteja no discurso da Teoria Queer,
Diga a eles!
Vem para cá e faz do escuro a melhor armadilha
Sem medo da revolução e da reforma em partilha
Diga a eles o que lhe falta,
Não pode dizer porque eles são surdos
São cegos
São plásticos
Aquilo com eles tem alguma verdade?
Diga a eles como se sente!
Talvez você seja um doente
Com crise aguda, querendo ser um homem.
Cadê a minha máquina de escrever?
Não posso ser um escritor sem ela.
Cadê a minha existência?
Não posso ser um escritor sem ela.
O seu vazio foi preenchido, querido?

É mais madrugada pelo silêncio,
Quebra do silêncio.
(Um coito rápido e suave)
Aquele sonho todo era uma mentira.
Desci do carro e voltei a pé para casa na chuva.

By: Vinicius Osterer
Feito em 18 de outubro de 2017.

17.10.17

Numa Manhã, Você se Esconde?

Percorri o mundo buscando no google maps,
Um gosto de sorriso com salgadinho “Treep’s”,
Mas não encontrei e nem descobri
Por que você não está aqui?
Por que você se esconde?
Talvez esteja bem mais longe,
Mas você, sempre você, está dentro de algum lugar.
Não consigo lhe achar,
Só posso lhe colocar na minha epopeia da terça.
Uma xícara de chá que está imersa,
Numa manhã linda de sol.

Perceptível e fora do prumo,
Em um turbilhão de horas regradas,
Então eu esqueço e desarrumo,
Eu guardo um punhado de coisas quebradas.
Por que você não está aqui?
Por que você se esconde?
Te procurei Deus sabe por onde,
Diga a eles que não quero lhe ver,
Caminho-caminho, estrada-estrada,
Há tanto a se percorrer, sem precisar pensar em nada!
Imóvel como as bananeiras, do outro lado da rua e muro,
Um verso curto e escuro,
Numa manhã em que você se esconde.

By: Vinicius Osterer
Feito em 17 de outubro de 2017.

16.10.17

Diga a Eles

Diga a eles que eu voltei,
Que não terei mais nenhum descanso!
Diga a eles que ficarei,
Bem agressivo e não tão manso!
Que se puder cantar eu até dançarei,
Que enojei e peguei ranço,
Diga a eles que eu voltei,
Com um foguete ao espaço eu me lanço!

Diga a eles que eu voltei,
Sem um sorriso sincero no rosto!
Diga a eles que eu mudei,
Estou mais vibrante e menos tosco!
Que se puder falar eu falarei,
Com palavras cheias de meu desgosto,
Diga a eles que eu voltei,
Mais brilhante e menos fosco!

Diga a eles, fale para eles, fique com eles.
Diga a eles que eu voltei,
Mesmo sendo apenas uma partida,
Palavra plantada é palavra colhida,
Diga a eles que aprendi a gostar da vida,
Diga a eles que alguém voltou.

By: Vinicius Osterer
Feito em 16 de outubro de 2017.