27.1.17

Drama

O ser humano se reergue na tragédia,
Certo estavam os gregos por enaltecê-la,
Viver uma grande e bela comédia,
É o mesmo que viver a vida e não à tê-la.

By: Vinicius Osterer
Feito em 30 de Novembro de 2016.

*As poesias dos anos 2010 e 2011 voltaram na integra ao blog. Ano que vem as de 2012 e assim sucessivamente. Obrigado! :D

22.1.17

Tão Simples

Você quer um tênis caro, uma taça de champagne,
Eu quero meu All Star e meu copo de vodca.
Você quer alguém com dinheiro que lhe acompanhe,
Eu só quero uma atenção sincera e menos metódica.
Você quer alguém que lhe banque e lhe faça uma plástica,
Eu quero apenas um sorriso e um prato de macarronada,
Eu nunca quis uma mudança drástica,
Sempre quis me sentir uma pessoa amada.
E eu só quero o que é verdadeiro de fato,
E a minha vida de merda. Um quarto-sala barato.
Você não quer alguém que não tenha nada,
E eu quero um pouco mais disso tudo tão simples:
Um dia de chuva e um filme, um brigadeiro de panela,
Um sorriso leve, uma janela aberta, uma rosa na lapela,
Eu não sou uma compensação de seus palpites,
Estou bem acima dos seus limites,
Eu não preciso mais de você para viver.
Você é como os outros olhos, imperceptíveis,
Como todos os meus gostos fracassados,
Seus gestos são mecânicos e invisíveis,
E seus argumentos são tão fracos e ultrapassados!
Não esperei suas respostas, nem chorei no banheiro,
Enchi minha cara por três dias, que passaram ligeiros,
E não mudei a cor dos meus cabelos,
Mesmo sabendo que você odiava ruivos e loiros,
E odiaria qualquer cor que viesse de mim.
Eu não tenho o carro dos seus sonhos,
Nem o corpo que você deseja, pois enfim,
Eu não preciso mais de você para viver.
Eu quero ser ruivo, e ser o seu ódio, ser irritante,
O homem da capa da revista de negócios do ano,
Usar um preto mórbido e vibrante,
E mandar uma mensagem por um mero engano.
Eu estou fumando por que você odeia cigarros,
E mantenho meu vermelho e meus gostos bizarros,
Por que eu quero ser o ódio da sua vida.
Adoro bater na sua cara e tocar seu cabelo,
Por que você fica brabo instantaneamente, bem rápido,
E quando eu me olho no espelho,
Eu penso: “Que porra é essa! Eu sou fantástico!”
Eu sou bom demais para alguém como você.
Apague a minha foto. Esquece o que lhe mostrei.
Termina mais um ano repentinamente.
Você é só mais um alguém que desejei,
Amar no peito, amar no presente.
Você dirigindo seu carro emprestado,
Como um menino sem um homem ao seu lado.
Já me falaram que eu mereço coisa melhor.
E vê se me chama de amigo, sou um homem masculino.
O homem das coisas mais simples.

By: Vinicius Osterer
Feito em 26 de Dezembro de 2016.

20.1.17

Minha Almofada

Quero você em algum lugar distante,
Longe dos meus problemas e da minha madrugada.
Quero você, e tem que ser neste instante,
Por que cansei de abraçar a minha almofada.
Isso é algo nem um pouco romântico,
Parece um emoji do macaco tapando a visão,
Por você eu viveria em uma ilha do Atlântico,
Sem perder a sanidade e a minha razão.
O louco de tantos gatos, que ouve a mesma música,
Aquele que não usa sapatos, e vive de uma forma lúdica,
É, esse talvez seja eu.
Você pode me ensinar a mandar “nudes”?
Você entende que estou bem perdido?
Perdoe as minhas palavras tão rudes,
É que você às vezes é muito convencido.
E eu não quero acreditar no horóscopo,
Não quero acreditar nas suas palavras.
Seu olhar me leva para um lugar inóspito,
Me deixa com as pernas bambas e suadas.
É, não quero mais minhas almofadas!
Eu quero abraçar você de noite!
Prenda a respiração, deixa fluir o sentimento,
A poesia pode ser uma magia ou encantamento,
Pise fundo, passe o copo, vamos beber e comemorar!
Eu só quero o teu amor, sentar ver o sol e meditar!
Ficar no banheiro ouvindo minha “JoanneVibes”.
Com minha dose de loucura incendiada por “insights”.
Te imagino com o emoji de “beijo e boa noite amor”,
Aquele com o coração do lado da boca.
Ás vezes eu quero te mandar o de chuva pelo calor,
Que você me faz passar, mesmo com pouca roupa.
Essa almofada é você. Ela é bem mais delicada!
Ela não diz coisas para me ver, com a aparência desleixada.
Você me deixa com a cabeça virada,
Igual aquele filtro do snap, que já mandei para você rir.
Queria te abraçar até você explodir,
E virar um monte de corações vermelhos cor de sangue.
Mas sabe, este sou eu!
E eu não sei nem o que me aconteceu!
Quero você, e tem que ser neste instante,
Por que cansei de abraçar a minha almofada.
Ás vezes você é bem irritante!
Mas não consigo não te amar, não posso fazer nada.
E este, muito prazer, sou eu!
Observação: não vou mandar “nudes”!

By: Vinicius Osterer
Feito em 16 de dezembro de 2016.

19.1.17

Quinta Feira Negra

Não sei exatamente se é isso,
Mas sabe que também não quis levantar,
E pensei duas vezes antes de ir fazer o almoço,
E por fim decidi que iria fazer qualquer porcaria,
Qualquer coisa que satisfizesse a fome da minha família,
E não a minha.
Acho que é a falta do sol ou a deficiência de vitamina,
Eu penso muitas vezes para não cometer uma besteira.
Quinta feira.
Não sei exatamente se é isso.

By: Vinicius Osterer
Feito em 22 de Dezembro de 2016.

18.1.17

Mente In Caos (Algum Lugar)

Em algum lugar longe do meu horizonte,
Longe da grama do meu terreno, que foi cortada.
Em algum lugar distante das estrelas e do sol poente,
Longe dos meus problemas e da minha madrugada.
Longe do meu celular, do snap e do meu primeiro amor.
Longe da minha vida e deste dia de calor.
Eu sei que parece tão longe.
Como um paraíso em que não falta pão,
Não falta cobertor e nem mesmo alento,
Em que nada pode valer mais do que existe dentro,
E onde não se faça a rotina violenta da bala de ferro,
Em algum horizonte distante e tão belo,
Não é feio chorar quando se está deprimido.
As coisas parecem não fazer mais sentido?
Os pássaros voam em bando para algum lugar.
Lua cheia invade o céu,
E descubro que não era uma estrela e sim um planeta,
Está escrito na galáxia e neste tiro de escopeta,
Você é melhor e pode mais do que essa guerra.
Ser humano é desgraça por sobre a Terra!
O som da cigarra é melodia agressiva,
Bate nos vidros dos automóveis de uma forma depressiva,
E eu estirado na grama agradecendo e implorando,
Pelas nuvens do céu que parecem que estão girando,
Indo descarga abaixo sem um controle,
Eu sei que parece tão longe, mas isso é perto,
É perto da minha boca e do meu dente quebrado,
Perto do calor do meu corpo e do meu pecado,
E longe dos azulejos marrons do meu banheiro.
Tenho grama até entre os meus cabelos.
Algumas coisas não necessitam de controle.
Mente In Caos.
Toda esta matéria escura preenche o espaço,
Entre pontos e mais pontos que cintilam na cidade,
São luzes e são corpos que deturpam espaço,
E são coisas aleatórias que me vieram de relance,
O que tem nesta imensidão vazia de espaço?
Mente In Caos.
Desconecte a rede social. Eu não quero ser imaginado.
Eu quero ser lido e ser publicado.
Eu quero ser realidade neste mundo vazio de emoção.
Mente In Caos afetou o meu coração,
E eu quero chorar, eu quero.
Eu quero gritar, eu quero.
Eu quero viver, ah como eu quero!
O que me importa se você quer ser virtual?
Eu quero amar, quero tocar, quero beijar, de um jeito normal.
Quero ver o seu rosto sem o filtro de bichinho,
Sentir a sua mão fazendo-me carinho,
E não receber mensagens dizendo “bom dia”.
Em algum lugar...
Não se explica o que se tem na cabeça.
Eu não quero que você me esqueça.
Quero você em algum lugar distante,
Longe dos meus problemas e da minha madrugada.

By: Vinicius Osterer
Feito em 15 de dezembro de 2016.

11.1.17

Texto Abstrato

Meu guarda roupa está amarrotando minhas camisetas,
E a janela do meu quarto não abre para o horizonte.
Por que o horizonte está grudado sobre meus olhos,
Como esparadrapo que gruda nas feridas calejadas.
Minhas cortinas estão todas desalinhadas,
E as paredes estão escuras pelo mofo.
Eu não sou o mesmo moço. Não fui fazer o almoço,
Eu queria beber água e tomar meu remédio para dormir.
As coisas estavam fora do controle, eu queria sumir,
Queria encharcar outra coisa além do meu rosto.
Eu era uma pintura abstrata.
Onde foram os contornos coloridos dos seus olhos?
E todo aquele cabelo desajustado e bagunçado?
Para onde foram as linhas tortas e sem sentido,
Quando estávamos sem ninguém do nosso lado?
Minha mesa só cria poeira. Poeira alérgica e não sideral.
Que me incha os olhos, por que tenho renite,
Eu perco os sentidos por que isso é normal,
Normal para alguém que é um losango.
Permita-me mudar de sentido e de ângulo,
Cansei de ser o quadrado da hipotenusa,
Eu quero a minha dor que é densa e reclusa.
Neste texto abstrato e sem cor,
Eu não preciso lhe amar para fazer sentido,
Eu não preciso chorar para provar o sabor,
O sabor de todas as cores que eu não tinha lido.
Eu sou um pano molhado que limpa a sujeira,
E sou a velha mania de só dizer besteira,
E um copo de vinagre azedo e incolor.
Eu não preciso manter a compostura e o pudor,
Por que as coisas estão enfileiradas como pares de cartas,
Uma trinca milionária de Las Vegas, o cavalo luminoso,
Desce da montanha e me deixa vaidoso,
Por que estou na vertical e emoldurado,
Como um Botticelli ou um afresco de Leonardo,
Um cubo perfeito de seis lados,
Cheio de arestas e fórmulas matemáticas.
Devo destruir as palavras
Vou colocar dinamite na semântica.
E todas as palavr...
E todas as pal...
E tod...
E...
Elas acabam.
Elas acabam como um cavalo de fogo de Las Vegas.
Todas as .... vão para o nada.
Um retrato .... foi emoldurada.
O que foi? Foi a palavra.
E todas as pal...
Acabam.
Dentro de um texto abstrato de frases perfeitas.
Meu guarda roupa está amarrotando minhas camisetas.

By: Vinicius Osterer
Feito em 08 de Janeiro de 2017.

6.1.17

Confissões InBox

Confesse o seu pecado, com água morna no corpo,
Abra a porta do Box e se sinta leve e solto,
Aqui não tem olhos sobre o que você faz ou pensa,
Apenas uma pequena fumaça espessa e densa,
E as paredes frias que lhe abraçam saudosamente,
Seu segredo é tão belo que te torna envolvente,
Como um rio de pecados carnais e escurecidos.

Reze uma oração de joelhos,
Lava bem os seus cabelos,
Um bom banho demorado e agora gelado,
“Perdoe-me meu Deus pelo meu pecado!”,
Eu insisto no erro, por que errar é humano,
Com sabonete até o pescoço, sim eu não me engano,
Eu me toco pensando no amor não realizado.

Não precisa ser público, me chama Inbox no privado,
Quero com você o meu desejo tão idealizado,
Me mande fotos, eu estou sobre os azulejos,
Meu Senhor, perdoe os meus piores desejos,
Estou me afogando nesta coisa que é turva,
A água descendo do cano sobre minha cabeça ruiva,
Agora sim eu sei o que é estar vivo.

Feche o registro, poupe água e o sofrimento,
Deus perdoa o que você é por dentro,
Confesse a si mesmo o que é verdadeiro,
Coloque mais sentimento em você por primeiro,
Pegue a toalha se seque e se vista,
Se coloque como prioridade na lista,
Mas você pode me ter inbox no privado.

By: Vinicius Osterer
Feito em 11 de dezembro de 2016.

2.1.17

Muro de Berlim

Substituindo o “te” por “me”.
Eu sou meu próprio Muro de Berlim.
O amor tapa a visão e a gente finge que não vê,
Que apenas somos nós mesmos no fim.
É difícil ter que deixar ir embora,
Há um mundo tão grande para ser habitado!
Uma hora cansa quando a pessoa nem dá bola,
Deixar ir, faz com que eu fique bem mais aliviado.
Eu confesso no banheiro: queria muito ter te amado!
Quem sabe em outra vida esse amor será ainda concretizado.
Oh como eu me amo!
Sou a Alemanha da Guerra Fria separada,
Deixe ir para o outro lado, minha pessoa amada,
Ainda existem muros para nossos próprios preconceitos.
Não quero ser correto, pois tenho sim meus defeitos,
Oh como eu me amo!
Eu não arrumo meus cabelos para você,
Eles são escovados todos os dias para mim ser melhor,
Melhor para mim, só você que não vê,
Que vivemos um ciclo de mudanças muito maior,
Maior do que tudo que deixei partir.
Pois hoje eu quero sim cair,
Nem sempre se deve estar lá tão no alto.
Estou sublime, isso é a morte?
Vem chegando devagar sem contar os passos.
Eu ainda devo contar com a sorte,
Para me desvincular de você e cortar os laços?
Você pode cercar os meus limites, querer derrubar meu império,
Mas o amor que eu não te dei é tudo aquilo que eu ainda quero,
Por que não posso desejar você por completo,
Oh como eu me amo quando você não está por perto!
Seus olhos...
Oh como eu me amo!
Sua voz...
Quem sabe eu que me engano!
Volta para o meu lado mas não ri da minha cara,
Por eu parecer tantas vezes tão patético e perder a fala,
Quero te amar na violência de sua arma e sua bala,
Que me transpassa e me transporta para uma guerra violada,
Minha Alemanha ancestral, terra oh muito amada!
Tanta vida. Por que insisto em dizer que estou sozinho?
Por que queria a sua presença e o seu carinho?
Eu já manchei o meu banheiro com lágrimas e desejos,
Recolori com todas as cores os meus novos azulejos,
Eu confesso que queria muito mais do que simples beijos,
Eu confesso que queria muito ter te amado!
Oh como eu me amo quando eu não estou do seu lado!
Quando você irá derrubar o muro que me separa de você?
Cansei desta Guerra monótona e fria.

By: Vinicius Osterer
Feito em 13 de Dezembro de 2016.