22.2.17

Dallas

Plantei temporais? Colherei calmarias?
E se tiver lei do retorno, o que tu me dirias?
Um tiro frio e cortante no meio do meu peito,
Sofisticado como um texano de Dallas por direito,
Eu vi em sessenta e três no Dealey Plaza,
Mas não fui eu que matei Kennedy, estava em casa.
Se você não gosta deste texto,
Espere um pouco que ele mudará.
Deep Ellum na contra cultura da minha oração,
Eu sou o filho da morte e senhor da escuridão.
Um tiro frio e cortante no meio do meu peito,
Comer fora às vezes não é nenhum defeito,
Eu vi em sessenta e três no Dealey Plaza,
Mas não fui eu que matei John F. Kennedy.

Queria ter meus cabelos compridos, e ser mais feminino.
Queria poder andar nas ruas pregando aquilo que ensino,
Para erguer minha cabeça que anda tantas vezes no chão.
E não queria ter uma arma sobre a minha mão,
Por que tenho rosas e feridas sobre as palmas,
Tenho calos sobre os pés,
Por que andei, andei, e andei, sem chegar a lugar nenhum.
E não queria derrubar meu império, nem dizer adeus,
Por que eu ainda tenho fé e acredito em Deus,
E ele está acima de todas as coisas,
Está embaixo também,
Ele habita o meu corpo indivisível e inerte.
Você não precisa dizer, você só precisa acreditar,
Por que meu anjo da guarda me disse! Isso é arte!
E Deus disse que anjos não mentem,
Se não forem corrompidos pelo pecado.
E eu sou o pecado, mas sou a iluminação,
Sou a pomba de Cristo e toda devoção,
Por que eu pareço muito com o domingo de Páscoa.
Se protestante ou hispânico e católico,
Eu não quero mais ser simbólico,
Nem quero mais ser ornamental,
Eu quero tudo que eu tenho,
Por que cansei de não ser real.
Eu abri meus olhos, acendi as velas que devia,
Dallas no oeste do que eu não poderia,
Dizer que era a pura realidade,
Eu tenho sangue sobre mãos,
Mas não matei o presidente,
Eu matei os princípios, pulei andares do prédio mais alto,
Que é feito de vidro e tem janelas e reflexos,
E me perdi nos reflexos, me perdi nos gritos,
Entre o mundo da arte e dos meus próprios vícios.
Eu não plantei temporais. Semeei sonhos, pavimentei estradas,
Colori os meus cabelos que não prestavam para nada.
Mas não fui eu que matei John F. Kennedy.
Estava em sessenta e três, lavando louça na pia,
Por que queria andar de cabeça erguida e sem pudor.
O que cruzou foi uma bala cilindra e fria,
Que me causou uma terrível e imensa dor.
Enterrem o presidente,
Enterrem aquilo que eu já fui,
Eu sou um texano sofisticado,
Se este texto for um crime,
Eu me considero culpado!
Mas não fui eu que matei John F. Kennedy.
Crime? Crime é não se amar!
Deep Ellum, Dallas.

By: Vinicius Osterer
Feito em 09 de Fevereiro de 2017.

21.2.17

San Diego

Você voltará para a minha costa,
E eu a defenderei como em uma batalha naval,
Pacífico humano, sentimento animal,
San Diego, Costa Oeste.
Com todo o amor que tu não me deste,
Eu ergui uma cidade de letras,
Com fundos brancos e cores pretas,
A minha Califórnia modesta.
Você não presta!
E eu sou um pouco grosseiro.
San Diego, meu travesseiro,
Conversa e coisa já tão ultrapassadas.
Você voltará para a minha costa,
E ela já estará ocupada,
Por outra pessoa bem amada,
Que erguerá prédios onde você abriu buracos.
E não se importaremos com nossos fracassos,
Por que nossa cidade é habitável para dois,
San Diego do agora e do depois,
Costa Oeste do meu coração.
Esse é o nosso refrão,
Em uma linda música dos “The Papers Kits”.
Não trajando a minha roupa de desabrigado,
San Diego é você materializado,
As minhas praias dos sentimentos de verão.
San Diego, Costa Oeste, uma canção,
Estou em um ponto estratégico para a guerra.
Não lhe darei mais pouso,
Nem abrigarei você em minhas ruas,
Traçarei outro traçado nas palavras que eram suas,
Abracei demais o meu medo.
Se não vingar o meu enredo,
Estarei bem próximo de toda a felicidade.
Oh! Costa Oeste do meu coração. Como eu te amo.

By: Vinicius Osterer
Feito em 03 de Fevereiro de 2017.

19.2.17

San Antonio

Com a caveira do “El Diablo”,
Andando na River Walk.
Espero que sí, porque yo hablo,
And you just want me to talk to talk.
Publicaram no Express-News Jornal,
Mas eu só queria minha margarita:
“That man is immoral, he's abnormal”,
“Pero hasta que él tiene una cara bonita”.
Quente e tão mexicano, San Americano,
San Antonio é um rodeio.
Eu não sou assim tão feio!
Me pinte o rosto para o Dia de los Muertos.
Eu cruzei tantos desertos,
E passei pela fronteira,
Mas o mundo não é brincadeira,
Andando nesta River Walk.
Não quero ir para a guilhotina,
Sólo quiero comprar una catrina,
Para me proteger do mundo dos vivos.
Preciso beber e depois ir até o “El Mercado”,
Mandar uma carta para não ser apedrejado,
Por que o presidente não gosta do meu sangue latino.
"Você é a sujeira do meu sapato.", ele diz.
River Walk. Latino de fato, eu falo.
Para quem eu peço mais um drink desses?
Margarita, guarda-sóis tão coloridos,
Os meus mistérios estão resolvidos,
Resolvi tirar umas férias.
Publicaram no Express-News Jornal!
“Remember The Alamo!”, todos diziam.
Hoje todos são de uma grande nação.
Andando nesta River Walk.

By: Vinicius Osterer
Feito em 01 de Fevereiro de 2017.

12.2.17

Phoenix

Peguei meu cavalo e fugi para o Deserto de Sonora,
Encontrei Phoenix, a cidade efervescente.
Depois de uma insolação, precisava ir embora,
Queria ser um americano mais diferente.
Não tenho visto no passaporte,
Fugi de um coiote atravessando a fronteira,
Perdido no Arizona, me deseje sorte,
A dois passos de fazer uma besteira.
Grand Canyon, suicídio,
O amor não está em voga.
South Mountain, um alívio,
Phoenix entrou na moda.
Com os espíritos Hohokam,
Encenando a minha arte dramática,
Na terra árida do Tio Sam,
The Desert Star, encenando na prática.
Eu não preciso sorrir e ser um personagem,
Eu posso não falar e odiar minha imagem,
Preciso cavalgar em terras forasteiras,
Cruzei inúmeras das fronteiras,
O plano está todo desregulado.
Meu subúrbio de iguais,
Deixei para trás meus pais,
Eu quero viver meu sonho americanizado.
Dentro de um deserto de matéria,
Acreditando na ostentação virtual,
Você quer alguma coisa séria?
Preciso destilar meu veneno mortal?
Como um velho lobo da montanha,
Eu acompanho a sua boca falando,
Os seus dedos que estão me ignorando,
Por que não tenho nada para agradar,
Perdi a noção do que posso lhe mostrar,
Nesta cena quente e desidratada, sem embalagem.
Embrulhe minha comida para viagem,
Estou com meu cavalo andando pelo deserto,
Phoenix está tão perto,
“The Desert Star” cansou de encenar.
Vim de longe, de um passado sem lei.
BANG. Me passe os seus doláres.

By: Vinicius Osterer
Feito em 29 de janeiro de 2017.

10.2.17

Philadelphia

Quando eu chovo no fim da tarde,
Eu vou para a Pensilvânia buscar minha fé.
E quando eu traço meu objetivo,
Eu sei que é guerra na certa.
A guerra pela minha independência própria.
Estou sendo jogado ao vento,
Na sorte extrema do saber e não fazer.
Preciso de um amor fraterno e não de um conjugal,
City of Brotherly Love, Philadelphia sentimental,
Lutar por alguma coisa sempre faz sentido.
Eu chovi para poder afastar o perigo,
Que abriga a sua tentadora ficção de ser grande,
Não sou tão pacífico como Gandhi,
Mas me custa acreditar em homicídio moral.
Eu tento não ser imigrante, tento ser humano,
Mas o governo não me quer para o seu plano,
Nesta crise humanitária que me restringe liberdade,
Lutar acima das circunstâncias pela humanidade.
Chover na minha cama sem os seus olhos,
Que me tiram desta crise do subúrbio americano,
Um latino, refugiado ou um africano.
Onde fica o pedaço de chão que deve ser meu?
O sonho da vida estrangeira que me acometeu,
Desligou um pouco os sentidos conscientes,
Gravitamos em um sistema de dementes,
A minha Philadelphia da independência,
Sem a força brutal da arte da violência,
Eu só tento pagar as minhas contas!
Sou um produto de exportação, humano irregular.
Desnudo na América, mesmo sendo americano.
Esse punhado de coisas ainda sou,
Ainda estou aqui por baixo das fantasias,
Das letras escritas atrás das decepções vazias,
Dos sorrisos forçados e das falas reguladas,
Dos enigmas sem sentidos, das palavras inventadas.
Philadelphia da memória do que eu já fui.
O amor fraternal nos evolui.
Eu posso ser um socialista moderno,
Sem o medo de queimar no inferno.
Eu tenho a lua nova nos meus ossos.
Não posso chover na tempestade,
Causando um furacão de destruição.
Eu luto pela minha identidade,
Sobre toda circunstância ou afirmação!
Eu vou para a Pensilvânia buscar minha fé.
Quem sabe assim eu proclamo a minha independência!
Estou elétrico como Franklin e a eletricidade,
Chovendo com certa regularidade,
Não se fazem chuvas no inverno rigoroso.
Lutar pela fé do que é grandioso,
Onde fica o pedaço de chão que deve ser meu?
Seus olhos históricos que já desbravaram meus contornos.
Não posso fazer parte da sua geografia e história.
Seu amor não é fraterno, seu amor é animal.
E acaba chovendo, e isso só pode ser mal.
Não quero que você me mate na volta para casa.
Moro no subúrbio, tenho o peito em brasa,
Mas me custa acreditar em homicídio moral.

By: Vinicius Osterer
Feito em 28 de janeiro de 2017.

7.2.17

Houston

Houston, temos um problema,
A arte performática está em cena,
Me leve para a lua de seus olhos,
Quero transpassar a sua atmosfera.
Não interessa a mais ninguém,
Nós dois juntos somos alguém,
Maior do que este sistema solar e era.
Dentro dos anéis de Saturno,
Seu beijo noturno,
Houston, temos um problema.

Houston, o problema acabou,
A galáxia da sua boca me enfeitiçou,
E me sugou como um buraco negro,
Me puxou, me puxou, me puxou.
Eu quero fazer sentido no planeta,
Deixei minha vida exposta e aberta,
Não posso amar como alguém que amou.
Dentro das palavras que são universais,
Eu quero você e seus espaços siderais,
Houston, ele dorme como um anjo.

Senhor da torre de comando,
Estou perdido e sem direção,
Estou parado lhe procurando,
Nas palavras da escuridão.
Estou em crise de identidade,
E não sei se isso é interestrelar,
Pode ser que seja minha idade,
Dizendo que não posso mais brincar,
Houston, me ajude!
Eu preciso de uma coordenada!
Peguei o meu celular e disquei,
Para a ajuda tão aguardada.
911, estou perdendo o contato.

Minha vida muda como as fases da lua,
Uma hora estou em casa, na outra na rua.
Lendo um livro de cultura anormal,
Bebendo na chuva, curtindo o carnaval.
E vão dias, e dias vem.
As coisas sobem e as coisas caem.
E fico parado contando estrelas.
Houston, como é bom vê-las!
Talvez não precise mais performar,
Abrir meus olhos e me odiar.
Eu gosto da arte do desprezo.
Talvez não saia ileso,
Tenho um punhado de meteoros nos bolsos.

No primeiro dia queria me matar,
Estava sufocando e sem ar,
Tinha muito para lhe dar dentro do peito.
No segundo queria esquecer,
Tinha muita coisa para fazer,
E não estava pensando direito.
No terceiro me arrependi,
Chorei, e fingindo eu sorri,
Quando fiquei com você em um momento.
Depois, os dias foram os mesmos,
Estrelas e chuvas de cascalhos,
Viajando por espaços revolucionários,
E por ideias que não deveriam ser ideias.

Houston, temos um problema,
Não sei para onde vai este foguete!
Como eu devo me apresentar?
Isso tudo não tem mais volta.
Houston, ele dorme como um anjo,
Para toda a eternidade.

By: Vinicius Osterer
Feito em 28 de janeiro de 2017.

6.2.17

Chicago

Na arte de me odiar, eu me odeio.
No desprezo eu sou sempre o primeiro.
Me coma, me beba, mas me sacie,
Me pegue e leia da forma que lhe vicie,
Eu sou a grande Chitown tonight.
The same Suburbia, but it isn’t wrong,
The Second City in my black song.
Free in America, my conception,
I’m naked in my vertical pressure,
Um pedaço do meu coração,
With the wood and the strange,
The “Black War” that I didn’t understand,
Windy City is my religion.
And, and, and, and, Ahhhhhh…
Eu queria que meus biscoitos me matassem,
E que dessa vez fosse certo,
Um golpe certeiro.
Me odeio.
Olhe bem o que você perdeu,
Um homem desiludido por completo.
Um fracasso como escritor e arquiteto.
Uma grande fantasia imaginada.
Sou todo estranho e todo errado.
Como um branco do subúrbio desajeitado,
Cansei de ser amigo e generoso.
Chega, Chicago! Me dê um litro de bebida,
Chicago não tem saída,
Só tem chegada e chegada.
Eu não sei mais sobre nada.
Não saber é o mesmo que se importar?
Gosto de seu sotaque do interior,
Mas sou da metrópole, você tem que gostar,
E pela arte do desprezo, eu me odeio. O odiar.
Isso nem faz sentido, Chitown onde devo me jogar?
Sobre os trilhos de um trem?
Sobre a coisa que não se esquece?
Essa Bad que sempre vem,
Nada dá certo, mas queria que desse!
Você é mais do que qualquer coisa passageira,
Maior do que a literatura nacional,
E dói no peito essa atitude grosseira,
Chicago, minha cidade natal.
Me odeio, me odeio, chega Chicago!
Um homem não amado e indecifrado.
Me chame de subúrbio agora.
Um golpe certeiro. Ahhhhhh...

By: Vinicius Osterer
Feito em 26 de Janeiro de 2017.

2.2.17

Los Angeles

Desculpe meu pai, estou em Los Angeles,
Eu não preciso da sua proteção.
Peguei seu dinheiro, sou uma negação,
E no fundo sabia que tudo isso estava errado.
Você me transpassou, engatilhou de novo a arma,
Eu não quero ser menino, estou mantendo a calma,
Eu quero ser um homem por completo,
Los Angeles me parece tão certo,
Andei milhas por esta estrada pavimentada.

Quando as luzes se acendem no horizonte, Los Angeles.
Tudo aquilo que já tive, tudo aquilo que eu sou.
Um punhado de cores e fracassos, Los Angeles.
Los Angeles das caveiras e dos ossos.
Hollywood da fama, dos corpos tão moldados,
Recrutados para a guerra, Los Angeles e seus soldados,
Eu preciso de uma Los Angeles mais acústica.

Um coração de cordas, eu não quero o seu dinheiro.
Eu me casei com um abuso, sou filho de um letreiro,
Los Angeles, a capital do meu sucesso.

E no meio do silêncio só crescia,
Não me importava mais se algum dia,
Você fosse perdoar alguma coisa das que eu já fiz.
Um leitor sem rosto e sem forma. Pai da estação.
Andei milhas nesta estrada, em sua direção,
Desculpe, estou em Los Angeles.
E eu não posso mais ser apenas o seu filho.
Sou também filho desta cidade.
Los Angeles, a capital do meu sucesso.
Los Angeles acústica e sem sintetizadores.

By: Vinicius Osterer
Feito em 21 de Janeiro de 2017.

1.2.17

New York

E se eu falasse que iria hoje, e eu não fosse?
E se eu estivesse em um lugar que não estou?
Se eu desligasse o celular e não me importasse,
Com o mundo que eu não sou, mas finjo que sou?
Desliguei. Não preciso destas coisas todas.
Estados Unidos da América. Nova York.
Deseje-me um pouco mais de sorte!
Estou na Broadway, encenando meu espetáculo,
Estados Unidos, muito obrigado?

Eu estou acostumado, tanta gente e sua solidão,
É a cultura da cidade, publicidade e sofreguidão:
“Engula tudo às pressas, o tempo não para!”
Cultura egoísta, que me mete uma bala!
Painéis coloridos, vidros de carros, vitrines em promoção,
Prédios tão altos, capitalismo dos fracos, eu sou sua nação!
Quem quer significar alguma coisa? Mudei a foto do perfil.
Sou mais um latino americano, turista ilegal do Brasil.
Estados Unidos da América. Nova York.
Deseje-me um pouco mais de sorte!
Enquanto eu recebo por aqui em dólar.

By: Vinicius Osterer
Feito em 18 de janeiro de 2017.