30.3.17

Poesia em Prosa

Sua voz mais sincera é egoísta,
E seu desejo é meio masoquista,
Você é lento quando as atitudes deveriam ser práticas!
Um belo aperto no peito, um puxão de cabelo,
Um amor maior pelo que existe por primeiro,
Por que o primeiro parece ser essencial a todo homem,
Mas não tira o mérito de um segundo ou terceiro,
De um quarto ou último lugar,
Egoísmo maior é ter amor e não amar,
Por que caras e bocas não enchem a página,
Nem apenas a vontade de escrever por escrever,
Qualquer porcaria que se escreva por causa da agenda,
Por causa do mau tempo, do vento no rosto e do horizonte.
Poderia escrever sobre o que agora?
Sobre o homem que me olha ou sobre aquela senhora,
Aquela velha que anda de guarda-chuva solitária?
E eu achando que era espontâneo e diferentão,
Fernando Pessoa já era outro há maior tempão,
O primeiro desta essência,
O segundo é decadência,
E eu gosto de ser o segundo, o terceiro, o último,
E por quantas vezes eu acreditar neste carnaval de baboseiras,
Vou na missa quase todas as quarta-feiras,
E esta não vai ser uma exceção.
Estava lendo uma coletânea de Ignácio de Loyola Brandão,
E percebi que isto era um conto, era poesia, simples rima,
Então coloquei um pouco mais de auto-estima,
Se eu era uma decadência ainda assim teria do que me orgulhar,
Só era um perfeito egoísta na maneira de pensar,
Por que meus pés descalços nas pedras irregulares sustentavam,
Minhas pernas cruzadas e sentadas em um banco de concreto,
Só era tão imperfeito e secundário,
Não aprendi a ser normal no primário,
Nunca precisei de um armário,
Sempre estive fora dele, me aceitando,
Às vezes quieto, triste e chorando,
Nas outras altivo, vigoroso e feroz,
Ampliando a situação aguda da minha voz.
Voz sincera e egoísta.
Parada estratégica para responder minha rede social,
O que já virou moda e é até habitual,
Por que não invadiria a baixa literatura?
Aquela literatura porta de cadeia e bem vagabunda.
Estou na melhor decadência,
Quase oito anos de experiência:
Literária, da vida, das pessoas e formas,
Dos gêneros, desgostos, semântica e das normas,
A língua portuguesa é deficitária?
Se melhor ou pior, será minha mortalha!
É com ela que deixarei minha vida viva depois de morto,
É com ela que provarei que eu não sou tão louco,
Só quero tanto que isso não tem mais grandeza,
É secundária, é terciária, é a língua portuguesa?
É exatamente o que deve ser,
Dentro de seus nomes exagerados, adjetivos impronunciados,
Advérbios, substantivos e verbos de doutores e letrados,
Do realismo ao romantismo dos tantos autores publicados,
Isso pode ser música? Ser Rap? Ser Pop? Ser cultura?
É poesia em prosa de uma forma simples e madura?
Eu fico melhor na decadência,
Coberto pelo sol da demência,
Sonhando com Ayke, Maverick ou um diabo qualquer,
Um escritor secundário, um autor salafrário, que ninguém quer,
Mudança de cabelo e de perspectivas,
Dentro das minhas grandes expectativas.
Substituir velhos amigos por amigos melhores,
Se alegrar pelas coisas que são menos piores,
Estou nos meus melhores dias,
Poderia escrever sobre o que agora?

By: Vinicius Osterer
Feito em 22 de Fevereiro de 2017.

20.3.17

Tempos Modernos

Na severidade dos tempos modernos,
Os homens triangulares e seus ternos,
Riscados com giz, costurados com ouro,
Marcados pelo poder, como brasa no couro.
Na severidade dos tempos modernos,
Os homens redondos com seus infernos,
Levados em fileira até a beira do abismo,
Hábitos sombrios que beiram ao cinismo,
Hábitos sutis dos tempos modernos.
E todas aquelas luzes, que acendiam na cidade.
E aquele gosto de vodca barata,
De sentimento barato,
De coisa que não presta?
Todos os homens que tem a minha idade,
Estão com mesa farta,
Enchendo o seu prato,
Escrever é o que me resta...
Superar este fato é superar a mim mesmo.
E superar a mim mesmo está acima das expectativas.
Não posso superar a minha própria existência.
Riscado com giz, como um corpo morto no chão,
Cenário de um crime dos tempos modernos.
Alguém pulou daquele prédio em construção!
Os homens redondos com seus infernos!
Preencheu o asfalto com uma decepção,
E um punhado de carnes sem significado,
Quem sabe pediu e estendeu a mão,
Mas ninguém o ajudou a superar este fardo.
Com todos os documentos e o salário no bolso de trás,
“Tire a mão daí rapaz!”
“Larga que isso não é seu, é do morto!”
E o morto vivo não conseguiu roubar para comer,
Por que roubar para comer ainda é crime,
Ainda é crime roubar para comer e não morrer,
E morrer passou a ser um crime hediondo.
O homem que se jogou é redondo,
Não é triangular e severo,
Da política da mão de ferro,
Era um operário desacorçoado,
Dentro de casa? Que casa? Morava de aluguel,
Vivia levando sua miséria cada vez mais periférica,
Longe da máquina da cidade e da civilização.
O ser humano é a própria máquina da destruição,
Na severidade dos tempos modernos.
Eu sou o Tarzan batendo no meu peito,
Tentando fugir desta selva de arrogância,
Desviar do trânsito de ganância,
Só quero ter uma casa barata, um salário, o que comer,
Pensar em política? Sim, desligar a minha TV,
E voltar a me alienar dentro de todo este sistema.
Na severidade dos tempos modernos,
Os homens triangulares e seus ternos,
Riscados com giz, costurados com ouro,
Marcados pelo poder, como brasa no couro,
“Que vá para a puta que o pariu!”
Tempos modernos, aqui no Brasil?
Aqui é só corrupção!
Modernidade é coisa de primeiro mundo.
Será?

By: Vinicius Osterer
Feito em 24 de Fevereiro de 2017.

19.3.17

Sem Nome

Eu conheço todas as minhas manchas,
As de caráter ou as de sol no corpo,
As de nascença ou os hematomas escuros,
As cicatrizes dos lugares que não eram seguros.
Eu peço perdão a minha terra, pátria mãe adorada,
Para o chão de onde nasci, Francisco Beltrão.
Dos fins de tarde com o horizonte em brasa dourada,
Do sudoeste do Paraná, um coração.

A cultura não passa a ser universal,
Por que é presa dentro de uma caixa quadrada,
Dentro de um espaço geográfico limitado,
Pelas fronteiras, pelas barreiras, pela desglobalização.
É político incitando o terror contra o terrorismo,
Em um planeta encharcado pelo suor e seu cinismo,
Arma contra arma. Opinião contra opinião.
Terra muito amada, diferente é Francisco Beltrão?

Daqui se vê a arrogância do Sendeski, agente imobiliário,
Se vê o povo do “Padre Ulrico”, sobrevivendo com um salário,
Me subiu um calafrio. Minha família não tem nome,
Na cidade onde vivi, “André” não era sobrenome,
E antes de ser um “Vinicius Osterer” publicado,
Eu era apenas um “Vinicius André” julgado,
São coisas da minha terra, pedaço de chão muito amado.

Desta mata de araucárias, pintada por Carmes Franciosi,
Erigiu a cidade, sua torre central e seu sino,
Badalando sobre o calçadão central como um hino.
Terra que nasceu pelo decreto de Getúlio Vargas,
E pelas mãos de Júlio Assis Cavalheiro e Luiz Antônio Faedo,
Foram construindo o seu grande enredo,
Tu és o meu berço terra adorada,
Me viu crescer nas tuas ruas da década de noventa,
E me viu tentar fazer o que muita gente sempre tenta,
Um punhado tão grande de vezes!
Eu peço perdão à minha terra, Francisco Beltrão,
Do sudoeste do Paraná, um coração,
E um amor que é universal pela escrita,
Terra muito adorada, terra tão rica!
Diferente é a Francisco Beltrão do futuro?

By: Vinicius Osterer
Feito em 21 de Fevereiro de 2017.

18.3.17

Literatura?

Queria estar sereno e que isso fosse poesia,
Ser menos proza, e poder escrever todo dia.
Mas não é bem assim que funciona, não é mesmo?
Literatura não paga as minhas contas,
Nem paga meus pecados, não apaga decepções,
Não ameniza os meus sonhos e minhas ilusões.
Estou envelhecendo? Por fora quem sabe,
Ainda sou o mesmo menino covarde,
Com medo de sair do seu esconderijo e ser achado,
Um homem crescido, mas nunca amargurado.
Eu gosto das coisas fáceis e doces.
Literatura.

By: Vinicius Osterer
Feito em 10 de Fevereiro de 2017.

16.3.17

Cruzei a Ponte

Estou morando nas ruas,
Nos olhos cegos do governo,
Que cheio de pressupostos e desculpas,
Defende apenas o seu quinhão.
E eu estou nas palavras tuas,
Ditas com muito empenho,
Quando não se vendem como putas,
Pois tem sonhos no coração.
Eu posso ser trolho, não ser lembrado,
Nasci na miséria de não ser aclamado,
Sem um sobrenome na vida.
Não sou escritor, sou desempregado,
Filho de um pai que não é registrado,
Da classe trabalhadora e vendida.
Me visto estranho, tenho tatuagem,
Sou filho da minha própria imagem,
E eu não posso ser um chaveirinho.
Não posso enfeitar suas chaves prateadas,
Ou acreditar nas palavras enganadas.
Por que eu não sou mais um menininho.
Tenho calos nas mãos? Sou operário?
Eu só tenho o dinheiro do meu salário,
E não tenho gosto algum pela minha profissão.
Tenho um combate e luto por uma causa,
O governo me dá tanta náusea,
E eu não tenho nenhuma obrigação.
Até tenho que pagar os impostos,
Fazer as coisas que eu não gosto,
Se alistar no exército e escolher alguém para governar,
Por que sou obrigado a votar?
Acho que para mudar toda a situação.
Governo não é só corrupção,
Governo também é representação popular,
Por que o gigante acabou de acordar?
Ele estava dormindo?
O que você acabou descobrindo?
O sul também é América!
Peito em fogo, isso é um fato!
Não faço barreiras, não ergo nenhum muro,
Por que isso não me deixará mais seguro,
Eu prefiro construir pontes.
Amar a todos, deixar cruzar os horizontes,
Pois poesia e nação se fazem com amor e não com desprezo,
Eu tenho que considerar a hipótese de ficar preso?
O mundo é um lugar sem fronteiras.
E não é uma parede que irá bloquear meu sonho.
Latino americano com muito amor,
E filho de uma geração que nunca morre.
Dentro da escrita eu não preciso de passaporte,
Você não pode regular o que eu penso.
Amar em um mundo que sempre está suspenso,
Fabrique pontes nas suas orações...
Eu não me importo com suas devoções,
Eu quero igualdade de mãos dadas,
As minorias esclarecidas e aperfeiçoadas,
Por que eu grito, mas sei baixar o tom da minha voz.
Cultura ferrenha, selvagem e feroz,
O mundo não gira em um único sentido.
Latino americano com muito amor envolvido,
Latino americano com muito amor, obrigado.

By: Vinicius Osterer
Feito em 12 de fevereiro de 2017.

9.3.17

TOM

Um homem cheio de princípios, inícios e conclusões.
Que aprendeu ainda cedo com suas próprias decepções,

“Levante essa cabeça menino! Vai andar de cabeça abaixada?”

Dentro de uma vida de contramão,
Eu perco tudo, até meu chão,

“Que brincadeira mais sem gosto, não adianta encobrir o rosto”,
“Tira isso da boca menino, deixa que eu descasco para você”
“Me dê sua mão menino, me dê um abraço apertado”,
“A culpa não é sua menino! Você é um ser humano amado!”

Abri a caixa de tinta para cabelo, coloquei a mistura no pote,
Aquele mesmo pote verde que sempre uso.
Acordei de manhã com uma cobra dando um bote,
E não precisava aguentar mais nenhum abuso.

“Penteie esses cabelos garoto! Você precisa ganhar peso!”
“Deixa de ser assim garoto! Você sempre sai ileso!”

Procure o gato no quintal, arrume a cama,
Beije um belo rapaz que se porta como dama,
E coloque a roupa para lavar na máquina,
Separe as cores para não manchar as claras.

“Ninguém consegue jogar a comida no lixo?”
“Ninguém consegue limpar uma louça?”

Eu não consigo mais pensar sobre o seu vício,

“Feche a porta que ela não estava aberta!”
“Me deixa em paz, por favor! Me deixa em paz!”

E eu já vos alerto que era tudo da boca para fora,
Não queria que ninguém o levasse embora,
Nem que ele sumisse de noite e morresse,
Talvez fosse eu mesmo que merecesse,
Pagar com minha língua as palavras pesadas,
Por tantas vezes criatura tão desprezada,
Só era mais um simples gato da família?
Eu não posso escancarar meu peito sem o fato,
Por que hoje é um simples e singelo gato,
Mas amanhã o que será do meu dia?
Você merece uma poesia,
Você não merece menos do que o amor.
Brincadeira sem graça, eu sinto uma dor.
Por que nós somos tão iguais em anonimato,
E eu só queria sorrir sem enterrar o meu gato.

“Tire o uniforme, limpe o sapato!”
“Come toda a comida do prato”,
“Nós não podemos ficar com o gato!”

Nós não podemos é brincar com a vida!
Tom morto no fim do quintal...
Acenda uma vela em oração,
Para Deus que é a força da criação,
O homem não pode estar tão perdido,
Ser humano também é mulher, isso tem sentido,
Ser humano e homem não é masculino de gênero.

“Procure uma convicção, piazinho de merda tão efêmero!”
“Mas mamãe, meu gato está morto no quintal!”

Pegue uma pá e cave a cova.
Cubra até em cima com a terra revirada.
Você não pode pisar em uma terra estrangeira,

“Olha ali menino! Não diga mais besteira!”

Eu quero estampar a notícia da semana.
Procure o gato no quintal, arrume a cama,

“Levante essa cabeça menino! Você é um homem barbado!”
“Escrever não lhe garante nenhum ordenado”
“Você é louco e vive cheio de ilusões!”

Ponto. Um homem cheio de princípios e inícios. Perdi o Tom.

By: Vinicius Osterer
Feito em 17 de Fevereiro de 2017.

8.3.17

Amor Cristão

Eu fui lavar a minha boca, por ter dito o seu nome.
Seu nome verdadeiro, que acendem as velas não terminadas.
Tentei desvendar os seus começos e os seus términos,
E todas as suas palavras ditas e as não faladas.
E só ouvi o amor. Só ouvi o bem. Parei para rezar e agradecer.
E fui beber a minha água sagrada, na matriz central,
Amar a Jesus Cristo e não pensar em nenhum mal, só agradecer.
Para cada facada nas costas, eu tenho um abraço,
Por mais amor em qualquer lugar e espaço,
Seus olhos não são azuis marinhos,
Mas são redondos e tão sozinhos,
Queria adotá-los como meus.
As armações de seus óculos combinam com seu rosto,
Rosto novo, pensamento envelhecido,
Como um bom vinho que deve ser bebido,
Depois de anos da sua colheita e fabricação,
Tentei entrar dentro da sua condição,
E sua condição às vezes é assustadora.
Nos seus braços de uma forma acolhedora.
E se você for um milagre? Quantos não enxergarão?
Precisarei citar a bíblia dentro da minha pregação?

“Sobretudo, amem-se sinceramente uns aos outros,
porque o amor perdoa muitíssimos pecados. 1 Pedro 4:8”

E todo aquele garoto, tão novo e tão dedicado,
Acabou se tornando a besta celestial do pecado?
O anticristo que prega um pouco mais do amor,
Sobre todas as perspectivas e acima de toda dor?
Mais amor por favor! Mais amor por favor!
Seus olhos fazem milagres,
E como eu queria os seus olhos!
Você já é o vinho e me restabelece a visão,
Me faz andar sobre as águas e perder o chão,
Se isso é errado? Não entrarei nesta contradição,
Mas amar não é pecado quando se é um bom cristão.

By: Vinicius Osterer
Feito em 20 de Fevereiro de 2017.

7.3.17

Netuno Na Casa 3

Está tudo explicado!
Netuno seu desalmado!
Por que estava na minha casa 3?
As ideias que vem do nada,
A intuição um pouco apurada,
Esse gosto azedo pelas coisas simples.
Está tudo explicado!
Netuno bem aspectado,
Dentro do meu mapa astral.
Expressado pelo símbolo de Netuno,
Essa metáfora que me deixa noturno,
Essa coisa toda das emoções não faladas.

Está tudo explicado!
Netuno estava iluminado,
Querendo que eu nascesse na criação.
Em um mundo paralelo, escrever é o que eu quero,
Viver dentro das escritas e da imaginação.
Vinicius, deixa de falar sobre bobagens!
Esse troço de Netuno nem existe!
Ele é um planeta, seu abestalhado!
Ainda bem que está bem aspectado,
Netuno na casa 3.

By: Vinicius Osterer
Feito em 13 de fevereiro de 2017.

6.3.17

Limonada

Espremi dois limões, coloquei meu coração de gelo,
Fui procurar um gramado, com meu cão desregulado,
Tentei passar o tempo acariciando o seu pelo,
E tentando me refrescar por que estava muito suado.
Nunca fui fã dos calores de verão,
Mas aprendi a gostar de limonada,
Com duas doses de açúcar e mais nada,
Azeda, bem azeda quanto a minha vida,
Limonada gelada é limonada bebida,
Limão mais açúcar mais água. Limonada.
Um copo vazio e quebrado. Um espelho sem reflexo.
Por que tudo nesta vida parece ser tão complexo?
A bebida, a comida, a leitura, até o sexo!
Eu não quero suco de limão. Eu quero limonada.
Quero estrelas no meu céu, com a lua prateada.
Desejo-te como um pronome oblíquo átono.
Eu não preciso de gramática, preciso de limão,
De uma dose de sucesso e outra dose de emoção,
O “por que” se escreve assim? Quando tem acento circunflexo?
Um copo vazio e quebrado. Um espelho sem reflexo.
Podemos marcar um café se preferir,
Tudo para lhe ver sorrir,
E acabar com esse assunto de frutinha.
Todas as garotas de “piquenique”, como diz minha sobrinha,
Quando ao certo é biquíni, mas ela parece ter razão,
Quem se importa? Um punhado de guarda-sóis cobrindo o chão.
Ah o verão! Ah o verão!
Entre tanta conversa, eu até perdi o meu cão!
Eu chamava, e meu cão nada! Limon, nada. Limon, nada.
Eu chamava, e meu cão nada! Limon, nada. Limon, nada.
Eu chamava e meu cão nada! Limon, nada. Foi tanta aflição,
Até o achar sendo acariciado por outra mão:
“Esse é meu cão! Esse é meu cão!”
Preciso parar de não lhe dar limites.

By: Vinicius Osterer
Feito em 20 de Fevereiro de 2017.

Mais de literatura e arte?
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5.3.17

Poesia de Segunda

Esperava sentado na sala de entrevistas do local, em plena segunda feira de manhã chuvosa. Estava em um banco de dois lugares que não prestava para nada, do meu lado tinha uma folha escrita: “não sente deste lado, banco quebrado”. O que facilitava meu isolamento para pensar no que responder, quando perguntado por que queria aquele maldito emprego. Precisava pagar minhas contas? Resposta sem fundamento. Todos precisam pagar as suas contas. Não sabia qual era meu interesse.
A pessoa responsável do RH era uma mulher de aparelho nos dentes, cabelos loiros e uniforme da empresa. Falava claro, alto, para não deixar perguntas vagas e dúvidas. Eu preenchi minha ficha e fiquei sentado por três horas, até perto do meio dia.
- Então, Vinicius não é mesmo?
- Isso!
- É a primeira vez que você faz entrevista conosco?
- Sim, é a minha primeira vez.
- Bom, vou precisar da sua carteira de trabalho, RG e CPF.
Entreguei meus documentos enquanto respondia as perguntas solicitadas. Minha altura, meu peso, se tinha problemas de saúde e tomava remédios. Queria dizer que tinha grave problemas psicológicos, que tentava ser escritor e sobreviver da escrita, mas fiquei receoso de ouvir coisas como: “é difícil sonhar de olhos abertos”. E era uma brincadeira da minha cabeça, tentando amenizar o nervosismo.
“Tomar remédios para me matar, será que contam?” – pensei em responder. Mas estava tudo bem com a minha depressão esporádica, então só fiz negativo com minha cabeça, negando a pergunta e meus próprios pensamentos.
- Você tem alguma experiência profissional? – ela pediu.
Então respondi:

Eu gosto de ser submisso ao seu conhecimento,
Não sei se é fachada, lhe querer é um advento
Que me encharca todas as partes do corpo.
Quando você fala é tão bom,
Seus óculos no rosto lhe transferem um tom,
De ser humano indomável como o fogo.
Seus assuntos e defesas são consideráveis,
Sua força e sinergia são tão agradáveis,
Você é vida dentro dos meus dias de escuridão.
Gosto do seu gosto Indie, o amor pela solidão,
Gosto da sua fiel e severa opinião,
Do seu espírito ativista por uma causa,
Causa de vida, causa de causa.
E se você é sociopata, se você é esportista,
Eu coloco você como o primeiro da lista,
Da lista de todos os meus amores,
Seu amor é visual e mental,
Me deixa fora do meu normal,
E eu acabo falando coisas desnecessárias,
Sobre o pôr do sol da minha casa,
Das vezes que chutei tijolos,
E tirei as pedras do meu caminho.
Você me disse que gosta de ser sozinho,
E eu posso ser sim o seu moço,
Posso lavar para você a louça do almoço,
Escrever sobre você em alguma poesia,
Fazer você sorrir quando liberta-se com sua arte,
Por que tudo isso também faz parte,
Da sua realidade de causa.
Isso é amor? Isso é interesse?
Talvez seja algo que não me apetece,
Apenas com uma palavra que tu disseste,
Eu já me senti tão submisso,
Não quero mais dar nenhum sumiço,
Quero ouvir com você e de você palavras,
Quero sorrir com você e de você na madrugada,
Sem a propriedade de possessão taurina, que é tratada,
Por que você é alguém sem limites e fronteiras.
E eu agora passei a falar.
É muito bom amar.
Isso conta como experiência no currículo?

- Tenho, mas nunca fui registrado – voltei dos meus pensamentos.
Ela estava preocupada com a chuva. Tinha ido trabalhar de moto e queria acabar logo aquelas entrevistas. Eu queria pagar minhas contas, e viver da minha escrita. O tempo não ajudou muito, ela se molhou na chuva.
- Eu nunca sonhei de olhos abertos! – disse para a recepcionista, quando deixava o local. Saí pela porta da frente, abrindo meu guarda-chuva xadrez. “É só esperar, é só esperar. Ou uma coisa ou outra.” - pensei, voltando para casa na chuva, de roupas secas e sorriso no rosto.

By: Vinicius Osterer
Feito em 13 de fevereiro de 2017.

1.3.17

Animal Que Pensa!

Se eu me masturbei olhando para a sua bunda,
Isso não significa que você deva sorrir para mim,
Dar para mim, ou qualquer coisa ilógica do tipo.
Se eu me masturbei olhando para a sua bunda,
Isso não vai mudar nada entre nós enfim,
Por que eu não nasci para o que não pode ser dito.
Bunda é como rosto e todo corpo completo,
Aleijado dentro da alma, sem membros e começos.
E se eu me despir dentro do quarto indiscreto,
Na janela de Hitchcock com todos os seus preços,
Vaidades, progressos e fracassos.
Um, dois, três ou quatro passos?
Para onde foi a grandeza humana?
Está cercada pelo olho do seu cu,
Um buraco de onde só sai merda atrás de merda.
Dando corda em um boneco quebrado que espera a guerra,
Espera sentado no estilo “Slow Motion”, câmera lerda,
Um pouco mais de amor sobre as coisas da Terra.
Coloque um sorriso no rosto seu filho da puta,
Não pegue em armas, não aperte o gatilho!
Por que não se pode evitar uma boa luta?
Até a santíssima trindade com o espírito, o pai e o filho.
E eu não posso rezar? Eu devo acreditar na sua convicção?
Eu preciso decorar a sua melhor oração?
Onde estão as crianças? Estão presas do outro lado do muro?
Com o terror no poder quem vai se sentir seguro?
Para onde foi a minha bicicleta azul da infância?
Eu preciso saber ou gosto mesmo da ignorância?
E eu posso ter um orgasmo? Posso beijar e posso transar?
Posso parar de deixar que vejam por mim as coisas que não vejo?
E eu posso comer, ter para onde trabalhar? Posso amar?
Posso aceitar alguém diferente, por que eu não sou nem eu mesmo!
Eu sou aquilo que você enxerga com um punhado de expectativas,
Sou um formulário todo pronto com as questões em optativas,
Por que eu sou filho de um pênis que entrou em ereção,
Posso ser fabricado em um laboratório, filho de coração,
Mas sou filho de alguma coisa, nem que seja de Deus,
Nem que seja de Jeová, de Maomé, se for um ateu...
Se você não me quer eu não posso lhe forçar,
Essa cultura de estrupo que violenta minha mente,
Talvez não seja coisa de gente,
Talvez seja coisa ainda da minha parte animal,
Eu não sou melhor por ter um pau,
Eu sou exatamente igual,
Sou um equinócio de setembro.
Despido de toda civilização, eu só sou um animal que pensa!

By: Vinicius Osterer
Feito em 17 de Fevereiro de 2017.