31.5.17

O Homem Que Cansou de Maio

Eu sou como vós, e vós não existe no seu dicionário,
Estava até com um espírito visionário,
Mas não queria ser como esse punhado de pão com ovo,
Eu quero amor, quer que eu explique isso de novo?
Cansei de Maio e da minha educação...
Quer me odiar? Que entre na fila então,
Não justifique o seu caráter pela sua opção,
Para aguentar, me vê mais uma dose de tequila!
Tesão e sexo é muito normal, mas não sou argila,
Que você pode moldar com os dedos,
Que você pode colocar a sua forma.
Que você pode desvendar todos os segredos,
E quebrar a minha rotina e minha norma.
E chega de papo furado, conversa fiada,
Cadê a minha caneta que peguei emprestada?

O homem aqui, cansou de Maio.
O homem aqui, cansou do fracasso.
O homem aqui, não vai voltar nenhum passo,
Por que o homem aqui não é mais o mesmo.
E por homem entende-se alguém com:
“Um metro e oitenta centímetros de altura,
Beirando seus 46 quilos,
Doente crônico,
Nascido em 14 de Maio de 1993,
Exatamente 17:45 minutos,
Com sol em Touro, lua em Peixes e ascendente em escorpião.”
Um homem que não desiste! Não, isso não!
Um homem do sexo masculino,
Endividado, pouco amado,
Alfabetizado, com ensino superior completo.
Um homem simples e discreto,
Que faz o seu próprio perfil padrão.
Um homem que aprendeu a ter coração,
Beirando seus vinte três anos e quarenta e poucas derrotas.
Já dei inúmeras e grandes voltas,
E sempre acabo escrevendo com a cor vermelha.

Essas gotas de tinta vermelha preencheram a página?
Devo escrever de vermelho e no papel,
Seria uma desonra envolver esta ideia nas teclas,
Daquela máquina de computação parcelada e paga.
Eu não precisava sentir mais nada,
Apenas ficar sabendo daquilo que mais odiava,
Que eram os trinta e um dias do mês de Maio.
Mês da queda e do meu desmaio,
O mês que nunca foi bonito na literatura,
O mês que espero um dia bater as botas.
Já dei inúmeras e grandes voltas,
E continuo sendo o sangue da minha mãe que chora.

Eu sou como vós, e vós não existe no seu dicionário,
O homem aqui já cansou de Maio,
Brilhante e elétrico como um grande raio,
Que cruza meu corpo e me dá a vida.
Vou devolver a caneta, e todo o sentimento,
Quando você saber soletrar reciprocidade.
Por enquanto lhe atenderei no momento,
Que me tratar como “Vossa Majestade”,
O rei soberano da literatura da decadência,
Ser humano em demasia, vibrando na existência,
Da sua matéria simplória e nefasta.
O homem aqui cansou, já basta!
Tire daqui essa palhaçada toda e me deixe quieto.
Estarei lhe esperando com meu coração aberto,
Mas se quiser me odiar que entre na fila!
Eu quero amor, quer que eu explique isso de novo?

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 25 de abril de 2017.

21.5.17

US.ou

Queria justificar este pedaço que me falta,
Preciso muito mais do que uma excitação.
Sintetizando música, de barriga farta,
Colocando um pouco de vida e de coração.

Um corpo eu pago, eu faço, eu modelo,
Como se fosse argila, sem nenhum desespero.
Incremento com um punhado de tempero,
Faço aquilo que eu mais quero, espero, tão belo:
Maldito coração como refrão!

Passo na tela do meu celular com os dedos:
Este corpo não, esta fisionomia não se encaixa,
Se o amor entrar ainda nesta faixa,
Vai ser com um:
“Maldito coração é uma ova!
Maldito é quem entra e não sai dele...
Eu cavei a minha própria cova!
E assim acabei me enterrando nele...”

Por tanta coisa já passei,
Quantos livros ainda serei?
Tudo isso eu não sei.
US.ei ou me US.ou?

A mãe dele só chamava ele de maconheiro desgraçado.
Então ele me disse que iria compor uma música sobre isso.
Eu disse: “Meu coração está tão despedaçado!”
Ele falou: “Não se estressa, eu me encarrego disso!”
E pegou um lápis e um violão,
Dizendo: “Maldito coração!”
E ele me US.ou como um condenado,
Fez sua música e me deixou de lado,
Foi brilhar sozinho nas telas do cinema!

E sabe, quando ligo para você me arrependo,
Não quero saber se foi isso que te fez ser alguém.
Pouco lhe importa se eu estava morrendo,
Você nunca se importou com mais ninguém,
Apenas com seu violão e suas notas musicais,
Os seus desastres e as crises com os seus pais,
Me US.ou e me deixou pelado na América,
Perdido no meio de uma guerra bélica,
Perdido dentro daquele seu refrão de merda!

“Maldito coração é uma ova!
Maldito é quem entra e não sai dele...
Eu cavei a minha própria cova!
E assim acabei me enterrando nele...”
Mandei uma mensagem dizendo: “Te odeio seu FDP”
Ele respondeu: “Vou fazer como sempre, e ignorar você!”
Disso tudo que eu sentia, você é apenas um fragmento...
Só lamento!
Hoje quem escreve grandes composições sou eu!
Me US.ou? Perdeu!
Preciso muito mais do que uma excitação e orgasmos.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 21 de abril de 2017.

19.5.17

US.ei

Eu lhe usei como desculpa para meus fracassos,
Peguei e ajuntei todos os meus pedaços,
E amontoei aquilo que nunca prestou,
Eu Us.ei? Você me Us.ou?
Criei a minha própria madonna de adoração,
Mudei de foco na minha convicção,
Aprendi a cantar sozinho o refrão:
“Quando chegar a noite eu vou descer do universo!
Serei o seu pedaço de desesperança.
Feche os olhos por que eu quero ser perverso,
E lhe tratar como merece, sua criança!”

Mergulhado dentro do desprezo e da solidão,
Uma dose de vinho para o meu coração
Poder afogar os últimos sentimentos.
Se Us.ei, apenas gritei aos ventos:
“Tome amor, tome rosas e poesia!”
“Tome um pouco do que faço todo dia!”
“Vê se pega e vai embora, é pedir muito?”
“Deixa quieto, outra hora, em outro assunto.”
Eu tenho mais o que fazer, oh como tenho!

Eu prefiro a morte, a desgraça e a vodca,
Um litro de amargura, uma tristeza módica,
Um sentimento vazio e raso.
Eu não quero criar um caso...
Gosto de sentimentos gratuitos.

Para. Pensa. Viva. Faça.
Ruína? Desgraça?
Deixa de graça!
Ficar se esmigalhando por tão pouco...

Eu Us.ei? Você me Us.ou?
Talvez. Mas por que lutar pelo que restou?
Amar, sim amar!
Amar a si mesmo, acima de todas as coisas.
Pegue seus versos e vá viver seu sonho,
Em outro lugar, distante de mim.
Para mim já chega!
Se é por falta de adeus:
Tchau, até mais, não volte!

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 21 de abril de 2017.

18.5.17

Complexo de Frankenstein

Sim. Talvez eu nunca existi.
Ele pode ter razão.
Ou quem sabe eu nem deva.
Opinião é opinião.
Minha irmã disse com convicção:
“Frankenstein!”
Sim. Eu sou um Frankenstein,
Todo aos pedaços.

Sim. A palavra é cortante.
Ele pode ter razão.
Ou quem sabe eu nem deva.
Raio e um trovão.
“Doutor cadê o meu coração?”
“Não sei, Frankenstein!
Não sei, Frankenstein!”

Talvez não seja a hora de comprovar minha existência?
Parar de reclamar e sair da decadência.
Lapidar alguma virtude que não seja a paciência,
Ir na luta contra tudo, neutro entre religião e ciência?

Eu sou um punhado de adjetivos bons e ruins,
Sou um punhado de palavras e significados,
Sou um punhado de versos e sentimentos unificados,
“Eu não sou um monstro Doutor! Não sou um monstro!”

Estou cansado de todo drama,
Levantar com insônia da cama,
E tentar provar alguma coisa para o mundo.

Estou cansado da humanidade,
Cadê meu remédio de imunidade?
Eu não o tomei e acabei moribundo.
Sobrevivi bem lá no fundo!
Eu tenho o hábito de prejudicar a mim mesmo.

Sim. Talvez eu nunca existi.
Ele pode ter razão.
Talvez não seja a hora de comprovar minha existência?

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 01 de Maio de 2017.

16.5.17

Vicenzo Vitchella

Não se faça de sonso, besta, abobalhado!
Levante essa cabeça seu mal educado!
Mal agradecido, mal amado!
Não vê tudo que foi feito para você?
Chega de drama, pare com esta confusão!
Está se atirando direto para o olho do furacão!
Coloque a decadência de molho, no armário,
É você que paga seu próprio salário,
Tome uma atitude! Vergonha na cara!
Eu sou o outro lado do muro e da moeda,
Sou o tapa na cara que você não ousou dar!
Depois desta gigantesca queda,
Eu sou o amor que você não poderá amar!
Vicenzo Vitchella, sem pátria e em comunhão,
Com um punhado de letras movidas pela escuridão,
Dos melhores dias dos piores meses da minha vida.
“Mas Vicenzo, qual é a saída?”
Venha cá, me dê a sua mão!
Levante daí e jogue os comprimidos no chão!
Vai por mim! Ainda terão muitos e muitos dias ruins...
Mas seu sorriso, e que sorriso! Ele compensa!
Vamos! Não me faça ir para a ofensa!
Fale comigo! Eu estou aqui para lhe servir!
Quero lhe ver sorrir,
Tudo em você é grande, você está sendo muito amado,
Se tiver um pouco de amor, não se sinta mais culpado!
Eu sei. Não estou carregando o peso sobre meus ombros,
Não passei na pele aquilo que você passou,
Mas de uma coisa tenha absoluta certeza,
Eu sou um homem que também já acreditou,
Um homem que acabou sonhando,
Escrevendo e concordando,
Com muito daquilo que sempre rejeitou.
Enfim cresceu, agora aqui estou!
E daqui apenas Deus sabe quando irei embora...

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 18 de abril de 2017.

14.5.17

Parabéns Para Mim!

Frases perdidas dentro de fragmentos espaciais
Como os pontos brilhantes das estrelas universais,
Desenhadas na linha da vida
Na palma da mão.
Palavra plantada é palavra colhida
Da poeira espacial eu sou um grão.
Andando no escuro
Sendo iluminado pelo “Caminho do Leite”,
Me sentindo mais seguro,
Não servindo como um enfeite,
Por que tantas pessoas possuem medo da solidão?
Somos da mesma matéria gerada na escuridão,
Parasitas de um pouco de luz,
Que esclareça alguns dos fatos.

Como em um trem bala,
Correndo para a luz do fim do túnel...
Parabéns para mim!
                       
Eu não preciso apenas ser matéria,
Um começo para este fim.
Não acredito mais na minha própria miséria.
                       
Embarque neste carro chamado glória,
Não perca tempo tentando recriar a história,
Dentre um sopro e outro você não é nada
Por que ficar com a sua boca fechada?
Parabéns ao Himalia e aos Montes Urais,
Parabéns ao universo e aos meus pais,
Só não dou parabéns para a genética,
Ela anda elitizada e “esquizoflética”,
Parabéns para mim!
                       
Escreve no céu o seu nome,
Na sua cabeça existem pássaros brancos,
Coma a vida se lhe der fome,
Saia dos seus medos e dos cantos!
Porque o centro de toda coisa é você,
Porque alguém que não lhe viu irá lhe ver,
E isso também é para quem não tem nada e irá ler isso...
Porque as coisas se vão e só fica o alguém,
E eu estou cansado disso!

Parabéns para mim e para toda minha tragédia!
Não é grega mas agrega algum valor.
Eu não preciso estar bem acima da média,
Quando eu me amo e dou o meu amor.

Parabéns para mim! Me livrei de você!
Parabéns para mim! Fiz um grande espetáculo!
Parabéns para você! Você é um grande ator!
E essas palavras chegam como um trem bala,
Correndo para a luz do fim do túnel...
Correndo até mim...
Parabéns até o fim!
E parabéns por você!
Não acredito mais na minha própria miséria,
Sou uma matéria de vinte e quatro anos.

By: Vinicius Osterer
Feito em 23 de Abril de 2017.

13.5.17

Roda dos Renascimentos

Já fui um cristão e um filho,
Já fui um homem sem mal,
Já fui inocente e menino,
Já pareci até ser bem legal...
Já fui o homem amado,
E aquele que parecia ter futuro,
E também já fui o pecado,
E o medo que tinha do escuro.
Já fui o evangelho e a água tofana,
Já fui um garoto que mijava na cama,
E já bebi tantas vezes para esquecer da vida,
Já tentei me matar como uma saída.
E acordei todos os dias renascido,
Aprendi a não ficar mais ressentido,
Por que não sou o melhor, e nem quero,
Sou um pedaço de universo e mistério.

Girando como um caleidoscópio dourado,
Caindo dentro da minha mente quebrada.
Eu preciso ser um homem restaurado,
Escrevendo sobre tudo e também nada?
Estou nas coisas simples que não enxergava,
Já fui uma linguagem simbólica incompreendida.
E aquele amor que sempre aumentava,
Acabou me deixando uma pessoa fodida
Por todos os poros possíveis,
Dentro de todas as crateras lunares,
Com todos os sabores comíveis,
E por todos os piores lugares.

Então parei. Pensei. Comecei a ser a simplicidade.
Escrever com grandeza ás vezes não exige precisão.
E para alguém que tem a minha idade,
Tentar compreender não é uma boa opção.
Sempre pensei na roda dos renascimentos,
Como uma grande roda circular de madeira,
Girando, soprada pelos inúmeros ventos,
Que arrastam misérias espalhando cegueira:
Tapando a visão para você descobrir por si próprio.

Eu sou uma silhueta escura de uma taça de vinho,
Com meu amor do lado, mas me sentindo sozinho...
Por que os olhos dele são apenas solidão...
Renascido dentro da minha decadência e escuridão,
Amor é bom. Amar é o segredo. Quando mútuo e com verdade,
Levante daqui e não seja covarde,
Por que ter medo? Você não está sozinho na humanidade!
Levante a voz e grite alto: você é melhor, seja bom consigo...
Não aprenda da pior forma comigo,
Vamos reavivar a literatura sobriamente intelectual?
Simplicidade é o meu mal?
Já fui tantas coisas e hoje coloco isso,
Eu como isso no almoço,
Eu insiro isso dentro do meu peito,
Dentro das minhas descobertas.
Palavras desmembradas e encobertas,
Não condizem com a minha restauração.
Fragmentando toda esta oração,
Quem sabe eu ressuscite como Jesus Cristo:
“E ecoavam sinos na catedral mental,
Cantando a canção do por que tu me deste a vida!
E fui cicatrizando meu ferimento mortal,
Costurando as versões da poesia já lida”,
Todas as versões daquilo que eu já fui...
E voltei a ser de matéria viva.

By: Vinicius Osterer
Feito 22 de abril de 2017.

11.5.17

Rei da Decadência

Segunda decadente, perderei mais um dente?
Perderei a mim mesmo dentro deste livro.
Ficarei por aqui, talvez bem vivo,
Talvez morto e enterrado,
Derrotado,
Meu reinado,
Eu sou o rei da decadência!
 

REC                                         TEN.
DECA                                 ENTE.
DECAR           SOU            OESTE.
DECADE         SOL          DOENTE.
DECADENTE.SOLIDOIE.DOENTE.
DECADENTE.SOLIDÃO. DOENTE.
DOENTE.SOLIDÃO. DECADENTE.

Não sabia que o fracasso doía tanto,
Se quiser chorar ao menos que seja olhando a paisagem,
Sobre as colinas distantes que completam a minha imagem,
Me deixa quieto aqui no meu canto.
Deixa machucar e invadir o meu peito.
Sim, perfeito!
Já fui um dia tão simbólico...
Meu reinado de palavras acaba por aqui!
Nestas coisas simples e desnecessárias.
Tchau. Adeus. Já vou tarde...
Estou na decadência, mas não estou morto.

By: Vinicius Osterer
Feito em 24 e 25 de Abril de 2017.

9.5.17

EU SOU

E se o mundo machuca? Machuca muito.
Você consegue entender isso que se passa aqui dentro?
Esse punhado de dor e tormento?
Talvez por um momento eu tenha feito a coisa errada,
Mas minha vida é toda errada, e isso pode se justificar,
Não receber e apenas dar,
Muito pouco para se amar,
Do que eu tenho que me orgulhar?
Três passos para trás na minha história:
“Criança por que você chora?”
“Porque esta dor não passa!”
Não estou na ruína nem na desgraça,
Só não vejo mais nenhum futuro.
Um letreiro sobre o meu muro:
“Experimenta!
Quem provou diz que não aguenta!”

Hoje eu sou um homem inútil e amargurado.
Despido de mim mesmo, sem me sentir culpado.
O problema sou eu e essas paredes cheias de vento,
Da grandeza que escapa sobre meus dedos...
Meus fracassos e minhas incertezas...

Automutilação pode ser o meu testamento.
Dia 14 de Maio sem nenhum sofrimento.
Vai ser o meu melhor trabalho.
Selva rubra, unha de gato, trepadeira.
Muro antigo erigido por uma outra civilização,
Em pé ainda, representa de alguma maneira,
O fim da minha raça. A minha grande extinção.

Passo Número 01
Não que me importe muito com a relevância destas informações, e muito menos se isso vai contra toda a porcaria que vejo sobre tirar a própria vida. Estou me machucando novamente. Meu número de vida sempre foi o quatro. Não poderia ser diferente na morte. O passo número 1 consiste basicamente em relembrar as coisas que me fazem ser aquilo que eu sou, este homem beirando os 24 anos de idade. Para isso irei me abster de bebidas alcoólicas e meditar uma hora por dia nesta semana. Não quero adiantar o processo. Meu trabalho não pode durar menos do que um mês. É simples: vou me matar na data do meu aniversário. Mais simples: sem ninguém saber nada sobre isso, deixando que o acaso resolva este resultado, dando-lhe alguns dias de tempo.

Passo Número 02
No dia 24 de Abril, segunda pós feriado prolongado, irei tirar do modo rascunho todos os meus textos deste blog. Estarão disponíveis para quem quer que se seja. E neste ponto terei que ser justo: mesmo que deteste aquilo que escrevi deverá voltar a ser publicado. Neste mesmo dia irei arrumar uma caixa de papelão, pintar ela com cores e desenhos bonitos e colocar meus cadernos de rascunhos. Tudo aquilo que eu fiz estará lá dentro.

Passo Número 03
Agendarei todas as publicações futuras deste blog juntamente com as da página “Senhor da Madrugada” no facebook. Os livros continuarão a serem divulgados na progressiva ordem: dois por semana. Os textos deste blog permanecerão sendo divulgados nos dias 16, 18, 19, 21 e 31 de Maio.

Passo Número 04
Organizar um luau de aniversário com todos os conhecidos mais próximos. Este evento deverá ocorrer na madrugada do dia 13 para 14. Se este fato ocorrer, no texto intitulado: “Parabéns Para Mim!” a imagem deverá ser uma foto desta festa, com todos os convidados.

Passo Número 05
No domingo do meu aniversário as 17 horas e 45 minutos (horário do meu nascimento) irei tentar pela quarta vez cometer este ato. Dando-me chances de que se algo não der certo, ainda terei algumas horas antes de acabar o dia, para tentar de outra forma mais dolorosa.

Observação Geral
Não sinta-se culpado por isso. Ninguém deve se sentir culpado por isso. Eu não tinha perspectivas sobre mim mesmo. E em nenhum momento quis tratar isso com deboche, ou com cinismo. Minha morte estava premeditada para daqui a 3 anos. E se me pedir por quê, eu digo que é sobre essa mística envolvendo os 27 anos. Essa mística cega que a indústria do entretenimento me faz acreditar ser bonita, me engrandecer. Porém, não posso esperar por tanto tempo. Minha dor é minha dor, e sabe, eu mesmo acredito que ela nem seja tão grande assim para um ato de extrema... Não seria violência, me perdi nas palavras... Não é também crueldade, por que milhares de pessoas morrem assim todos os dias, sem terem a convicção e perspectiva de que deve ser bonito e sem dor. Então, provavelmente publicarei isto no dia 09 de maio, dando um tempo para segundas ou terceiras chances. Mas eu quero morrer, e isso não me torna mais fraco. Sempre acreditei em sinais. E quero saber se isso de fato é errado. Mas não se sinta culpado! O mundo não foi feito para mim. E até cansei daquela frase: que devo construir um mundo só meu. Eu cansei de construir coisas. Cansei de erguer muros que me levam cada vez mais para lugares distantes daquilo do EU SOU.
Não quero ser lembrado como um suicida. Nem mesmo ser lembrado. Só quero poder saber o que me espera do outro lado, cruzando a linha que me separa desta vida e desta encarnação. Me jogando para o carma da Roda dos Renascimentos, me vendo por fora, como simples matéria decomposta.
E por que meu aniversário? É simples... Posso agradecer sem parecer dramático. Posso pela primeira vez na minha vida não querer aparecer ou deixar alguma marca. Poder morrer dentro da minha própria decadência poética. Dentro dos meus fracassos pessoais e amorosos. Dentro deste ser humano imoral e inútil que acabei me tornando. Dentro desta carcaça feita com ossos, com desprezos e com desejos utópicos. Por que eu gostaria de acreditar nos meus sonhos, vender sonhos, realizar sonhos. Mas o que faço é poesia. E isso é tão baixo, tão falso, tão MIM, tão EU SOU.
Amem por mim aquilo que nunca pude amar, e coloquem sobre mim a escuridão da humanidade. Jogue sobre mim todas as suas tristezas. Enterre comigo seus desejos mais sombrios. Não posso salvar a humanidade, pois assim como a humanidade estou sem salvação. Mas posso plantar flores, abaixar as armas e as pedras da minha mão.
Não sinta-se culpado por isso, só quero não ter mais problemas, não amar aos extremos, não precisar explicar o que sou, como estou, aonde vou... Quero simplesmente adormecer dentro da vida e deixar de ser esta varejeira dramática, com futuro promissor que nunca chega, reflexo daquilo tudo que tanto falo e nunca faço.
Poesia foi para o espaço...
Continuo tentando achar vida onde não existe...
Não é triste...
Apontando meu telescópio para além da matéria...
É isso que EU SOU.
Um punhado bem grande de morte!

By: Vinicius Osterer
Feito em 17 de abril de 2017.

8.5.17

HOMEM AMOR

Trague a fumaça, segure o cigarro.
Você fechou o braço com uma caveira mexicana?
Dia 14 de Janeiro, não tem como não amá-lo!
Sentado sem roupa e sorrindo na minha cama.

É coisa da data? Catorze me persegue!

Se soubesse que me tornaria um HOMEM AMOR,
Não sofreria por coisas tão poucas.
Teria visto o mar mais vezes, sorrido mais vezes,
Teria amado meus traços e meus contornos.
Teria sonhado em ser exatamente este ser humano.
Se soubesse que seria um homem decadente e satisfeito,
Eu teria me orgulhado da dor de dentro do meu peito,
Faria tudo menos direito, sem cogitar em ser perfeito,
Sendo exatamente a proporção que me foi dada,
Sem chorar, sem estragar mais nada!
Seria cheio das coisas que me preencheriam mais cedo,
Aprenderia a sofrer e a não precisar ter nenhum medo,
Por que não seria fruto de um produto já todo fabricado,
Seria um garoto mais feliz e amado,
Aprenderia a ler outra vida nos livros.

É coisa de nome? Quem sabe seria um Alberto Caeiro...

Somente hoje duas pessoas disseram:
“Seus olhos são maravilhosos!”
Somente nesta semana duas pessoas fizeram,
Votos secretos e muito poderosos.
Mas não é você, não é meu Homem Amado,
E fico apenas sendo mais um HOMEM AMOR,
Profunda dor,
Estou apenas sendo aquilo que eu sou.
Somente hoje pela manhã pensei em você duas vezes,
E de tarde você veio na minha cabeça quando escrevia,
De noite apareceu na minha memória para companhia
E me senti locado dentro deste universo.
E não me importava se a chuva tinha relâmpagos,
Se a minha história fosse feia,
Se este livro não vingasse,
Se o homem que eu fui morresse e não voltasse,
Por que você era um pensamento acolhedor,
E eu apenas mais um HOMEM AMOR...

Quatorze. 14.

Tinha uma roda gigante. Tinha um carrossel.
Tinha uma nuvem bem longe, enfeitando meu céu.
E tinha uma fruta madura suficiente para ser colhida,
Na minha árvore sagrada, semeada pela vida.
Chuva: vai embora!
Homem amado: sai daqui!
Me deixa ser apenas o AMOR.
Eu não quero mais ser tudo isso que sou,
Redigo o que acabei de falar.
É uma tragédia amar!
E amor fica tão bonito nos livros!

É coisa de livro? Quem sabe seja ficção!

Ele cansou de mim e da minha amargura.
Cansou de ouvir eu dizer que gostava de outro.
Pegou sua roupa e me chamou de louco.
Levantei da cama e apaguei o cigarro.
“Você tentou me matar com seu carro!”
Ele não deu bola. Disse que eu era dramático.
É coisa do nome? Errar um nome é sintomático!
Eu acho que acabei lhe tendo como apenas meu...
Logo eu, logo eu!
Um HOMEM AMOR que nasceu no dia catorze.

“Você pode também ser meu amor um dia!”
“Um dia? Não sou sua segunda opção!” eu disse.
Ele virou as costas e me deixou falando sozinho novamente.
Um HOMEM AMOR que está morrendo lentamente...
“Não me importo! Eu só sei lhe amar!”, pensei.
Acendi um céu de estrelas, tragando a fumaça do cigarro,
Eu vi você indo embora com seu carro,
Mas e daí? Ainda tenho os meus livros,
E gosto desta ficção toda.
Logo eu, logo eu!
Estou apenas sendo aquilo que eu sou:
Um amor de homem, um HOMEM AMOR.

By: Vinicius Osterer
Feito em 16 de abril de 2017.