19.7.17

Melhor

Chora baixinho para ninguém escutar,
O mundo não pode saber que você também chora.
Respira fundo mesmo que lhe falte o ar,
Pense no que é bom para você agora:
A lua no céu, o sorriso manso, o amor que não deu,
Tudo aquilo que você mesmo prometeu,
A existência dos seus últimos vinte e quatro anos.
Quando virá o vento derradeiro
Que me varrerá da face da Terra?

Eu sou o meu melhor trabalho,
E todas as cores e tonalidades possíveis.
Estou melhor, bebendo o orvalho,
De todas as palavras que são visíveis,
Quando a luz do sol rompe a escuridão da noite,
E meus olhos percebem que chorei de madrugada,
Porque sou um padrão de cor e de nada,
E sou o melhor daquilo que posso ser.

Chora baixinho, não faça barulho,
Cubra a cabeça com medo do escuro,
Espere o sol romper a barreira,
Que te prende ao pé da cama.
Não é a última e nem a primeira,
Das tantas vezes que chorei por ser alguém que ama,
Pela existência dos meus vinte e quatro anos.
Mudar de cor e mudar de planos,
Chorar na poesia para ninguém escutar,
Fazer um milagre para poder me amar,
E continuar sendo o meu melhor trabalho,
Então chore!

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 26 de Junho de 2017.

16.7.17

Um Caso de Paris

Aconteceu em Fevereiro, quando fui para lá em visita,
E espero contar o que muita gente não acredita,
Era conhecido como o estranho caso de Paris,
A pobre menina que ao respirar assobiava pelo nariz,
Deixando seus pais envergonhados,
Indo embora para um subúrbio, desolados.
Minhas tias que nasceram com saltos nos pés alertavam:
“Não vá visitar aquela família”, pois os outros falavam,
E não queriam ser faladas na cidade,
Pegava mal a duas senhoras naquela idade,
Como se o fato de pensar já provocasse contra gosto,
Fizesse a pessoa ter vergonha e esconder o próprio rosto,
Eu não entendia o que haveria de errado,
Não era uma doença ou alguém amaldiçoado,
Então joguei meus cabelos para trás, sentei na minha bicicleta,
Fui atrás da menina que parecia tão secreta,
Escondida nos subúrbios de Paris não turística,
Não haveria em outro lugar uma história mais verídica.
Me descobri nas ruas estreitas de alguns lugares,
Entrei em restaurantes e bebi em vários bares,
Gente de todo tipo que falava sobre o caso,
Sobre a menina que deveria ser um atraso.
Se eu a achei? Não posso afirmar positivamente,
Nesta busca eu me perdi e me entreguei cegamente,
Aos fatos que não pensei que pudessem existir,
E as pessoas que não conhecia e passaram a sorrir,
Quando dizia a eles que perseguia uma curiosidade,
Sobre a menina que assobiava pelo nariz com naturalidade.
E um dia depois de procurar algo que para mim não existiria,
Eu vi uma mulher passar assobiando pelo nariz no fim do dia,
Então entendi que coloquei a força necessária na busca,
E não aproveitei para olhar nas coisas aleatórias e avulsas,
Só então fiquei conhecido como o estranho caso do menino com assas,
Com fogo nos olhos e o peito em brasas,
O menino que queria voar como um passarinho,
Que pegou sua bicicleta e saiu do ninho,
E um dia ganhou assas e planou,
Vicenzo, prazer, aqui estou,
Talvez eu volte para dizer como foi que aconteceu,
A menina que assobiava já morreu,
Mas me deixou um belo par de assas!

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 26 de junho de 2017.

15.7.17

Spectrum

Você me machucou, estou ferido e agora?
Acabei virando o homem que esconde o rosto e chora,
Aquele mesmo ser humano recuado e fraco,
Sem o sorriso, o rosto fechado e sensato,
Que gosta de empregar a razão essencial de tudo.

Você foi a minha melhor invenção,
Não se ama uma idealização,
Estou apenas criando alguém para ser amado?
Até que ponto é criação o que foi publicado?
Talvez me amar seja mais complicado,
Por que sempre acabo sendo o padrão de mim mesmo.

Você foi a minha melhor estação,
Abrasadora como um calor de Agosto,
Eu lhe criei com outras cores no coração,
Sem pensar naquilo que era desgosto,
Fiquei com cores no rosto,
Por que sempre acabo com cores no espelho.

Você foi aquela coisa toda que eu amava,
Parava para escrever quando sabia que você detestava,
Eu tenho alguns dias em que não me dou bem com valores,
Quando carrego nos meus olhos todas as cores,
Todas as lembranças das senhoras e dos senhores,
Por que sempre volto a amar, e amar, depois amar.

E este spectrum brilhante que enxergo erguido,
Sem marcas que o deixam bem nascido,
Como alguém que ainda não viu outro século?
Ninguém nasce com um chifre único na testa,
Nem faz só aquilo que lhe convém e presta,
Só queremos viver e não ter dores,
Um arco-íris de amores,
E este spectrum do tempo?

Não precisa ser muita coisa para estar na esquina do meu coração,
Uma pitada de humor com outra dose de ilusão,
E fica pronto o negócio, lhe dou uma carona no que posso,
Mas não brinque com alguém que é armado,
Faço jogos psicológicos sem me sentir culpado,
Fácil para o amor e difícil para a guerra,
Melhor como aliado do que como inimigo sobre a Terra.
Também pudera, você foi a minha melhor invenção,
Hoje é apenas um spectrum de nada.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 25 de junho de 2017.

14.7.17

Revolução Subtropical

Para quando sentir dor,
Estarei aqui pensando em preenchê-la,
Com um pouco a mais de cor,
Eu gostaria sim de poder vê-la.
Mais cor, mesmo que você não queira,
Ainda é uma quinta-feira,
Mas há tempo desapeguei dos dias da semana.
Para quando levantar da cama,
Mais cor, mais cor e mais cor.

Para quando o sol for embora mais cedo,
Porque estamos no inverno neste hemisfério,
E para quando você não se arriscar e ter medo,
De colorir as suas fraquezas e todo mistério,
Mais cor, mesmo que seja difícil tê-la,
Mesmo que para baixo do trópico seja frio,
Eu gostaria sim de poder vê-la,
Chega de encenar o personagem sombrio.
Para quando estiver se sentindo sozinho,
Mais cor, mais cor e mais cor.

Você viu o que alguém fez com a sua vida?
Pegue ele, você não é uma agressão,
Nem a vítima para se sentir agredida,
Você é a cor que existe em seu coração,
É o punhado de cores que ele representa,
Revolução colorida da década de oitenta?
Revolução Subtropical da existência!
Não quero ser um tom sobre tom,
Não quero ser a peça complementar,
Quero a cor de destaque e não o marrom,
Sou o design e a peça que não vai se encaixar,
Porque não é fabricada com encaixes.
Triture tudo no processador,
Coloque uma pitada de amor,
E revolucione a sua hora do jantar,
Refeição balanceada é aquela colorida no prato,
Não precisa nem gostar ou ser mais exato,
Eu revolucionei com brócolis, cenouras e beterrabas.

Quando a cor petrifica igual a pedra,
E as letras se unem com qualquer merda,
Você entende que não é isolado que acontece,
Não é sobre sentar escrever e ver se desce,
Uma coisa que seja a saída dos seus piores dias de cão.
Para quando for equinócio ou solstício,
Quando não tiver término e nem início,
Para toda e qualquer tonalidade de uma canção.
Me abrace ou me beije, nesta oração,
Mais cor, mais cor e mais cor.

Me beije enquanto estou quente,
Porque sou muito mais gente,
Pipoca em mim o que foi dolorido,
Aquilo que não é digerido,
E acaba colorindo meu rosto e sorrindo,
Me beije enquanto puder me beijar,
Me ame quando puder me amar,
Me liberte para fora que eu faço acontecer,
Não preciso de muito para aparecer,
Por que esta revolução é um evento!
Correndo na direção oposta do vento,
Com todas as cores possíveis!

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 24 e 25 de junho de 2017.

9.7.17

2016

Cansei de garotos. Eu quero um homem de verdade.
Um homem que consiga aceitar o peso do mundo,
Sem ser problemático ou obra de um exagero.

Eu nunca fui tão bom assim, agindo com naturalidade,
E isso pode soar estranho, bem no fundo
Eu só queria um sentimento mais verdadeiro.

E eu não vou deixar você me destruir por dentro,
Você não tem esta capacidade e este talento,
E não quero que você signifique existência.

Embora quisesse que fosse mais que isso,
Você não deve nem saber que eu existo,
Mas vou manter a minha melhor aparência.

Um homem com muitos amores,
Que não aguenta com o peito cheio de ar,
Sonhando com todas as cores,
Em uma linda manhã à beira mar.
É isso que eu posso me dar.
Não tenho tantas coisas materiais,
Eu sou o homem que ainda mente para o pai,
Para beber de uma forma selvagem,
E mudar constantemente a minha imagem,
Por que eu não gosto tanto assim do que eu vejo.

Embora quisesse, isso não deveria mais ser sobre mim,
E nem sobre Saturno ou o ano um astrológico.
Tenho que me manter fiel até o fim?
Que porcaria sensata feita de um modo metódico!
2016.

By: Vicenzo Vitchella / Vinicius Osterer
Feito em Novembro de 2016 / Reorganizado em 22 de junho de 2017.

7.7.17

The Wild Man

Meu homem é um perigo constante,
Maior do que uma ameça nuclear,
Com sua língua bifurcada, coração congelante,
E com sua velha mania de não pensar em amar.
Não me deixa olhar pelos seus olhos quadrados,
Com grades cilíndricas e de ferro,
Atrás dos seus muros estão os crimes julgados,
Dono de um paraíso e de um inferno.
Seus olhos são uma prisão,
E dentro deles é que quero permanecer trancado,
Não estou preso aí por uma maldição,
Não fui eu que acabei sendo condenado,
Pagando pelo crime selvagem que cometeu,
“The Wild Man”, foi assim como ocorreu,
Disse que era um obcecado!
Meu homem não mata com armas e truques,
Ele não ama pois talvez cansou de amar,
Nem tem tatuagens e também não tem muques,
Meu homem cansou de viver e sonhar.
Ele disse para si mesmo que valeria o esforço,
Que conseguiria com o tempo apaziguar as dores,
Mas ficou selvagem morrendo de remorso,
Marcando os dias na parede e destruindo as cores.
Disse que era um obcecado!
Trocávamos cartas e visitas esporádicas,
Com poucas palavras que eram muito práticas,
Mas éramos jovens, meu homem e eu,
“The Wild Man”, foi assim que ocorreu,
Um dia cansou da minha desculpa programada,
Me chamou de farsante querendo vingança,
Me puxou pelo pescoço sem pensar em mais nada,
Colocou grades nos olhos verde esperança,
E talvez só assim eu consegui entender,
A culpa não foi minha, ele que era selvagem.
Eu não preciso mais temer,
Por que aprendi a respeitar a minha imagem.
Não tenha medo do que perdeu,
Hoje não é sobre você, esse sou eu,
Com todas as cores mais os tons arroxeados,
Seus olhos foram condenados,
A ter a minha imagem com outro atrás das grades,
Nada justificava seus atos cruéis e tão covardes,
Meu homem não era um perigo, hoje ele é.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 21 de Junho de 2017.

5.7.17

Antes Que Escureça

Então vai florescer!
Então vem, me deixa marrom,
Me deixa roxo de inveja,
Que eu posso ser o escuro mas quero o colorido.
Então vai florescer!
Faz de mim o seu rascunho,
Porque ainda temos tempo antes que escureça,
Então vai, não é ordem, mas obedeça,
A terra engole todo o sol do dia.
Seus olhos cheios de estrelas me arrematam,
Como em órbita com os planetas que passam,
A gritar em mim como uma serra elétrica.
Quem vai se importar com uma métrica,
Quando se tem cor e se tem com o que florescer?
No fim de mundo beirando o entardecer,
Quando a lua da minha alma brilha solitária no céu.
E descortina como uma névoa que desce as montanhas,
Invade esse buraco que chamo de meu lugar,
Um lugar cheio de seus formatos estranhos,
Pessoas peculiares, rostos abatidos em busca de glória.
Então vai florescer!
Plante flores, colha amores, seja belo,
Trepadeiras sobre o muro é o que eu quero,
São espécies que se espalham sem dar grande trabalho,
Sem regas, sem prantos, cortando atalhos,
Talvez eu seja uma trepadeira sem flores e frutos.
É que chove tanto lá fora!
É que tenho tanto a fazer aqui dentro!
Essa casa estava toda bagunçada,
O último que habitou a deixou desgovernada,
Então pisei no freio, então fui florescer,
Deixei brotar para só depois eu entender,
Então vai florescer!
Então vai florescer!
Desce de seu pedestal poeta. Coloque sua roupa florida,
Faça aquela coisa que você mantém tanto tempo escondida.
Se deixe pintar com um tom brilhante de vida,
Você não escureceu no engano,
Nem beijou o primeiro que lhe disse: eu te amo!
Tinha areia em excesso, parecia um deserto,
Em plena avenida central movimentada.
Você me disse: “Ficaria melhor sem pavimento”,
Eu discordei dizendo: “Prefiro pavimentada”,
E então sua negativa de opinião floresceu sobre o asfalto,
Parti desfeito, ele desceu do salto,
E caminhamos de mãos dados por todo o trajeto,
Apedrejados e humilhados, mas muito mais libertos,
Porque ainda temos tempo antes que escureça.
Deixe florescer no céu toda as estrelas...
Então vai florescer!
Então vai florescer!
Eu vi a noite chegar e depois desaparecer,
Eu vi você me beijar e depois enegrecer,
E eu ainda prefiro pavimentado,
No centro da cidade, em um dia movimentado,
Como prova de toda cor que existe fora,
No rascunho da dor que não sinto agora,
Porque você engoliu o sol no entardecer,
Colocou nuvens sobre o céu vermelho do fim,
E antes que escureça,
Antes que você esqueça,
Eu apenas lhe disse: tenha um bom dia.
Porque vai ser um bom dia,
Um dia perfeito para que eu floresça!
Você escureceu mais cedo hoje.
E espero que nada mais nos empeça,
De nos beijar como em um último acorde.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 08 de Junho de 2017

4.7.17

Abacaxi e Mangas

Tem importância para você se é pura sorte?
Se trago ou não trago a fumaça da morte?
Se sentei na beira do asfalto da rodovia,
Deixando que não sobrasse mais nada?
Tem importância se estou me amando primeiro?
Tomando uma ducha com alguém no banheiro?
Me permitindo amar e ser tocado,
Por uma mulher que vestiu Prada?
Segure seu ego, não perca a linha,
Seu comportamento me aporrinha,
E a porrinha do seu negócio me aborrece,
Não enlouqueço, nem me estremeço,
Não está expresso, me desfalece,
Talvez um dia isso ainda me desce,
Porque não sobe, apenas expresse,
E isso tem importância para mim!
Seja um pouco mais doce,
Como aquela torta de maça.
Não é amargo, só é precoce,
Como uma taça oferecida a Satã.
E se fosse? É cedo? É tarde? Está escuro?
Uma porção de carma colhido e maduro.
Esconjuro, meu futuro namorado diz a estação.
Abacaxi, mangas, minha água com limão,
Então agora você quer segurar minha mão?
Quer beijar o meu pescoço? Quer que eu faça o almoço...
Descobriu que sei temperar muito bem a comida.
Seja um pouco mais doce, não precisa ser brutal,
A sua mão delicada e querida não precisa ser a de um animal!
Vamos no cartório firmar a união estável?
Vamos comprar flores para colocar naquele vaso?
O transparente que quase arremessei contra a parede,
Porque você disse tanta merda desnecessária sobre ele.
Talvez a vela com mel nem queime,
Nunca havia reparado que seus olhos eram claros,
Tenho nojo do papel que você representa.
Procurar sem se arrepender, depois vir e se prender,
Querendo meus braços que você detesta.
Um tiro na sua testa!
Pensei isso tantas vezes quando acordei,
E vi que você dormia como alguém normal.
E pensar que segurei o travesseiro e quase lhe sufoquei,
Querendo que você me olhasse e desse algum sinal,
De que é meu, e a marca do seu peito não é nada.
“Sim ela usava um vestido Prada!”
“E se fosse? Tem importância?”
Você sabe que não gosto da sua total discrepância!
Desliga esse celular, olha para mim:
Olha para mim e diz que me ama!
Me chame para sua vida e não para a sua cama!
Tem importância se estou me amando primeiro?
Bem vindo a era de Saturno seu desordeiro,
Quer Saturno indigesto para o almoço?
Garoto nada exemplar. Um dia vou te matar.
Te trocar por abacaxi e mangas,
Porque isso sim tem importância para mim!
Esconjuro, e agora eu juro,
Você ainda vai ser todo e somente meu,
Nem que seja amarrado,
Futuro ex-namorado,
Eu não gosto de você!

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 14 de junho de 2017.

3.7.17

Fractal

Quem é que eu vejo?
Um homem que prepara seu próprio jantar,
Querendo depois de tudo saborear,
Aquilo que ele quis dar e outro não recebeu.

O que é aquilo que tenho?
Um sorriso no rosto meio avesso e atravessado,
A imagem de como não ser apenas um fragmentado,
E ser alguém que tenta conceber o que não concebeu.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 09 de Junho de 2017

2.7.17

SOM

Fractal, o som não é direito.
Como as bolhas coloridas também não são.
Pirâmides quadradas, com amores emoldurados,
Os meus melhores anos dourados,
Quando fico parado e apático te observando.
Amor Amado, Amor Me Amando,
Olha tudo que acabei criando?

Bolhas, riscos, pinceladas, cores,
Faíscas, espirais, fractais e sons.
Talvez amor amado, com outros amores,
Eu tenha resultados grandiosos e bons.

Tenho caminhado todos os dias,
Estou acordando e penteando os cabelos,
Nas tristezas coloco minhas alegrias,
Trocando a escuridão por tons vermelhos,
Colocando uma roupa melhor,
Substituindo comida ruim por fruta.
A dor acaba ficando bem menor,
E a vontade deixa de ser prostituta.
No som, na cor, na vida,
Com o próprio amor de comida.
Olha tudo que acabei criando?
Amor amado, estou me amando,
E faço tudo isso por mim agora,
Não tem outra hora,
Nem outro lugar, meu querido.
Foi bom te amar, mas eu saí ferido,
Dividido, desfalecido, talvez eu tenha aprendido,
A não distribuir o que não pode ser distribuído.
Bolhas, riscos, sorrisos e gel.
Faíscas, espirais, fractais, infiel.
Cores e sons, eu sou e estou aqui,
Como as bolhas coloridas também não são.
E espere: “Sim, acabei de decidir,
Não me quero na estrofe, mas no refrão.”
Naquela parte da poesia e da coisa,
Que eu chamo todo mês de videosia e arte.

Fractal, o som não é direito.
Com o meu coração no peito,
Cheio de bolhas, faíscas e cores.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 16 de junho de 2017.