30.8.17

Sem Limite

Vai libertino, liberto de seus pudores,
Temores, terrores, tremores,
Medonhos e insuportáveis medos.
Levanta do fundo do oceano da razão,
Impera sobre a sua paixão,
Grita seu nome sobre todos os povos,
Faça ruir as torres e os prédios,
Levanta do fundo e vá para cima,
Para cima e para cima, sem limite,
Extrapole a estratosfera e se arisque,
A deixar a gravidade não lhe puxar para baixo.

Vai libertino, feito de pedra,
Não pague com a mesma moeda,
Não pise naquilo que não é seu.
Levanta do fundo do oceano mental,
Impera sobre a raiz de todo mal,
Grita seu nome sobre todas as espécies,
Com suas inquietudes e preces,
Levanta do fundo e vá para cima,
Para cima e para cima, sem limite,
Se não ouvirem abra a boca e grite:
Não deixem de amar, seus filhos da puta!

Puxado com cordas por alter egos banais,
Como veículos automotores que andam nas estradas,
Motorizadas, mecanizadas, cadê o humano?
Vai libertino, não precisa de um plano!
Vai seu desgraçado, vai ser alguma coisa!
Vai seu imprestável, vai libertino sujo,
Libertino egoísta,
Detalhista
Fracassado!
Levanta do fundo e vá para cima!
Para cima, para cima, levante!
Você não é pequeno é gigante...
Então plante,
Elefante
Apaga a memória que foi projetada.

Torrencial como a chuva,
Desposando no céu a lua,
Sem estrelas, sem poesia, sem palavras.
Eu enterro você sobre um oceano profundo.
Levanta do fundo
Vá para cima!

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 13 de Julho de 2017.

27.8.17

Respirei

Talvez faça tanta poesia por produzir tanto lixo,
Ficar aqui escrevendo sempre acaba nisso,
Vou me fazer de louco, bagunçar meu cabelo,
Rabiscar a matéria e não por o meu bedelho,
Do tipo: ai meu Deus levei um tapa na cara,
Levei um tiro mudo, e por mais nenhum segundo,
Quero confrontar o que é verdadeiro.
O que está acontecendo? Por que estou girando sem chão?
Será que estou dirigindo meu carro-poesia na contramão?
Estava dormindo por tanto tempo?
Imperceptível. A poesia pode me tocar?
Perdido entre o que é certo e o que devo deixar...
Este acidente seria inevitável,
De frente para toda a matéria que amava...
Pelas vezes que você me desprezava,
Capotei barranco abaixo, sem poder me movimentar,
A queda é grande quando queremos nos jogar,
De cabeça para baixo na montanha russa,
De cabeça para baixo sem consequências,
Não te amo mais.

Ah! Acordei...
Respirei...
Abri os meus olhos...

A luz do sol parecia cachoeira,
Entrando por uma fresta da cortina da sala,
E o universo parecia pequeno,
De tão pequeno eu poderia levar em uma mala.
O meu corpo bailarino, você me toca e desatino
A gritar e soprar o amor lhe dando bom dia,
Não tem que me amar, isso é covardia,
Eu só quero coisas mais verdadeiras,
Como a luz do sol em cachoeiras,
E eu abraçado e lhe dizendo: Bom Dia!

Ah! Respirei...
Um homem maduro está na superfície...
Ah! Respirei...
Não era amor era maluquice!
E pensar que começou com um rabisco manchado,
Amor querido, eu tenho cuidado,
Ele me disse: queria ver estrelas com você!
Se for ficar eu faço mais café, divido a vida,
Coloco a palavra que ainda nunca foi lida,
E ah! Respiro, respiro, porque você é respirável!
Quem disse que amar deve ser tão agradável?
Mas ame, ame, ame e ame...
Ame assim como eu respiro,
Respire assim como me ame.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 12 de julho de 2017.

24.8.17

Exclusivo

Quando chega a noite é que percebo,
Não sou um otimista vestindo massa escura.
Talvez seja algo que eu simplesmente bebo,
Para me deixar em uma posição mais segura.
E a tela do celular notifica uma estrela,
É tão bom poder respondê-la,
Porque está alcançável para os meus dedos,
Que cansaram de perseguir estrelas cadentes,
Desejos latentes,
E coisas tão efêmeras.
Que seja belo e singelo o gesto de conversar,
Com você quero ver o céu e filosofar,
Querido ipê florido entre o verde imensidão,
Parte da minha madrugada e da minha escuridão,
Não podemos compor um “uni/verso” só nosso?

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 12 de julho de 2017.

21.8.17

Importa?

Do que me importa?
Eu chuto uma pedra e vira poesia.
Eu faço meu macarrão e provo meu próprio amor.
Do que adianta impor força?
Viver na dúvida?
Acreditar em incertezas?
Um punhado tão grande delas.

Do que me importa?
Eu sobrevivo a toda queda,
Eu crio para mim um belo paraíso egoísta.
Não sou um troféu ou uma lista,
Se o amor machuca não quero ser o machucado,
Apenas o homem amado,
Com um punhado bem grande de amor.

Se fiz errado, por que você não vem e me diz?
Chorar no claro, beber o escuro, estar preso na memória.
Não é sobre a gente ser ou não ser feliz,
É sobre esclarecer e por em pratos limpos esta estória.
Do que te importa?
Viver na dúvida? Não.
Acreditar em incertezas? Não.
Não é pela força é pela gratidão,
Obrigado por ter me colorido!

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 11 de julho de 2017.

16.8.17

Rosas Brancas

As rosas brancas aqui de casa são sinestésicas
Me lembram o gosto de vodca misturada,
E uma sexta feira qualquer em que saio para beber.
Não precisa de cores, rosas brancas enérgicas
Com um aroma de flor tão dissimulada,
E uma bebida que parece doce para me estremecer.
Dores, tremores, amores, morangos, vitaminas
Eu passei a beber água somente em uma taça.
Ainda continuarei com minhas pernas finas
Achando você sem nenhuma relevância e graça.
Rosas brancas dissimuladas,
Sinestésicas e muito amadas.
Deve ser por isso que são comidas por anjos.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 03 de Julho de 2017.

15.8.17

Tratamento de Canal

É triste quando dói um dente,
Um molar superior ou inferior,
Abrindo um buraco profundo
Que a radiografia já mostrava:
Isso não é amor é inflamação!
Dói bem menos do que o coração,
Para tudo se dá um jeito.
Primeiro você abre o peito,
Escancara o problema com a boca aberta
Porque mexem naquilo que dói.
Depois você trata com medicamentos
E mata um pouco de seus sofrimentos
Na esperança que o dente não caia...
Se cair, a dor é maior para um implante.
Você pensa: e essa dor que é pulsante?
Quando é que ela para?
Ela não para se não fizer canal,
Ela não para se não tirar a cárie
Que infestou o mais profundo
Perto da raiz do mundo
Perto do que é uma idealização
Mas não é amor, é inflamação!
“Podemos marcar o procedimento?”
- Sim, tire tudo que tem aí dentro!
Faça uma limpa do que não presta
Preencha depois o que me resta
Com material odontológico de restauro.
Não vou perder um dente por você
Estou tratando todo o seu estrago.
Analogia de merda.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 03 de Julho de 2017.

12.8.17

Ultimato

Não reme contra a maré

Se ama, ame
Se é, seja
Se gosta, goste
Você tem este direito.

Não jogue com outras peças,

Se quiser, queira
Se doer, que doa
Se pensarem, que pensem
Mas não tire o direito de ninguém.

Então reme, não ande contra a corrente,
O vento e a chuva não são mortais para você,

Se curta, imagine
Desligue o celular e conte estrelas.

Leia um capítulo, escreva uma carta
Saia e observe, absorva
Se chorar, chore
Se cair, caia
Se perder, perca
Nem sempre tudo é tão brilhante.

Não volte para o armário,
Não seja silenciado.

Coloque tudo no lugar
Compondo o seu ultimato.

Não seja cego, surdo e mudo.
Nem amargo, rancoroso e pessimista.
Se beber, beba
Se falar, fale
Não entre em rodeios, indo por círculos.

Se escolher, escolha
Se errar, erre
Se descabele
Dance até faltar ar.
Mas ame, é bom amar
Serei lembrado como o colorido?
Ultimato dolorido
Faça, faça, faça.

Se estiver na ruína não entre em desgraça
Eu não sou um festival, vendaval, opção e estilo
Nem uma arma carregada para matar.
Feche os olhos, sonhe com aquilo
Não lembre daquilo
Tudo é tranquilo
Um dia eu entro na demência?

Beije, abrace, reconheça
Mas ame, ame, se ame, dê valor
O que seria a vida sem o amor?

Você tem este direito.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 02 de julho de 2017.

6.8.17

Escolha Um Sorriso

Eu pensei: escolha um sorriso!
Escolha uma palavra bonita,
Escolha alguém especial,
Penteie os seus cabelos,
Faça valer a pena.
Eu fiz: saí para beber e ver pessoas,
Com meu cabelo bagunçado,
Me sentindo um bagulho estranho,
Desorganizado, com cólicas na cabeça.

Eu pensei: ame sem limites!
Escolha dar amor sem receber,
Faça o bem se manifestar,
E alguma coisa acontecer,
Seja leve e seja menos dramático.
Eu fiz: depositei meu coração no lixo,
Me senti em um precipício,
Perseguindo minhas ilusões,
Acabando comigo aos poucos.

Eu pensei: falta pouco para enlouquecer,
Estou escrevendo no modo aleatório,
Ouvindo uma música triste de velório,
Tentando viver sem ser um derrotado,
Encarando de frente o que me foi dado.
Eu fiz: escolhi um sorriso,
Tentando evitar perguntas,
Deixando que tudo aumentasse de proporção,
Quebrando as partes do que eu já fui.
E eu fui um punhado de coisas e nomes,
Hoje quero apenas ser leve,
Sem causar destruição e impacto,
Com opiniões cada vez mais tempestuosas.
O mundo é bonito, mas estou tão quebrado,
E na falta do que fazer,
Vou tentar escolher um sorriso não sincero,
Um daqueles que não transpassam a grandeza do olhar,
Cada vez mais apático e cinzento,
Um olhar de um arco-íris sem cor,
De um homem que cansou de lutar,
Um homem que escolhe sorrisos.

By: Vinicius Osterer
Feito em 01 de Julho de 2017.

3.8.17

Só Quero Matá-lo!

Você estava sorrindo com um ar sombrio,
Um daqueles que me dá medo do que está por vir,
Quando sinto o cheiro de tempestade no horizonte,
E coloco na cabeça algumas músicas da década de oitenta,
Ou uma cena de um filme expressionista alemão,
Ou de um Psicose, no banheiro do Bates Motel.

Então peguei minha tesoura na mão,
E lhe ataquei até você perder o ar e cair,
Fazendo brotar a vida e a cor que eu não tinha,
Preenchendo minha vida tão monótona com poesia,
Com o seu sorriso mortal de um jovem precário,
Dormindo dentro do seu próprio armário,
Mais fresco do que as frutas da feira na sexta de manhã.

Meu amor não me quer, e eu só quero matá-lo,
Cruzar a linha que é o limite para não amá-lo,
Ajardinar os meus versos com flores e não matos,
Colar todos os reflexos quebrados dos meus cacos,
E tentar ver se ainda assim consigo virtuar-se na forma,
E não apenas em mais imagem invertida e desfocada,
Tornar-se a minha pessoa tão amada,
Colocar outros pesos e outras cores nas coisas.

Só quero poder chorar, e chorar em paz, não por você,
Dentro dos meus fracassos e limites, não é para entender!
Porque eu sou um ser humano mutável,
Eu sou um personagem de mim mesmo.
Esse amor não é apenas Setembro e a chuva da primavera,
É a beleza que existe dentro de mim, uma fera,
Um homem que parece o verão amazônico.
Seus genes estragados e camaleônicos,
Você acabou como um rio de sofrimentos.

E se o criminoso for eu?
Querendo ser o Romeu e brincar com o sentimento,
Você Julieta, e mais um vidro de cianeto,
Sabendo no fundo que eu não quero o veneno,
Apenas matar o seu sorriso anêmico, castanho, enojado,
Um alguém repugnante que se sente afortunado,
E vazio como o espaço entre dois corpos,
Onde não vejo matéria visível e palpável.

Eu não gosto de você...
Queria que fosse apenas meu personagem secundário,
Que eu posso matar e colocar no obituário,
Como um jovem desprezível e fracassado,
Mas meu amor, isso não é louvável,
Porque poderia estar criando uma cena icônica,
E isso seria uma coisa irônica,
Então peguei minha tesoura na mão,
E fiz você sangrar na minha poesia,
Só quero matá-lo.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 30 de junho de 2017.