3.8.17

Só Quero Matá-lo!

Você estava sorrindo com um ar sombrio,
Um daqueles que me dá medo do que está por vir,
Quando sinto o cheiro de tempestade no horizonte,
E coloco na cabeça algumas músicas da década de oitenta,
Ou uma cena de um filme expressionista alemão,
Ou de um Psicose, no banheiro do Bates Motel.

Então peguei minha tesoura na mão,
E lhe ataquei até você perder o ar e cair,
Fazendo brotar a vida e a cor que eu não tinha,
Preenchendo minha vida tão monótona com poesia,
Com o seu sorriso mortal de um jovem precário,
Dormindo dentro do seu próprio armário,
Mais fresco do que as frutas da feira na sexta de manhã.

Meu amor não me quer, e eu só quero matá-lo,
Cruzar a linha que é o limite para não amá-lo,
Ajardinar os meus versos com flores e não matos,
Colar todos os reflexos quebrados dos meus cacos,
E tentar ver se ainda assim consigo virtuar-se na forma,
E não apenas em mais imagem invertida e desfocada,
Tornar-se a minha pessoa tão amada,
Colocar outros pesos e outras cores nas coisas.

Só quero poder chorar, e chorar em paz, não por você,
Dentro dos meus fracassos e limites, não é para entender!
Porque eu sou um ser humano mutável,
Eu sou um personagem de mim mesmo.
Esse amor não é apenas Setembro e a chuva da primavera,
É a beleza que existe dentro de mim, uma fera,
Um homem que parece o verão amazônico.
Seus genes estragados e camaleônicos,
Você acabou como um rio de sofrimentos.

E se o criminoso for eu?
Querendo ser o Romeu e brincar com o sentimento,
Você Julieta, e mais um vidro de cianeto,
Sabendo no fundo que eu não quero o veneno,
Apenas matar o seu sorriso anêmico, castanho, enojado,
Um alguém repugnante que se sente afortunado,
E vazio como o espaço entre dois corpos,
Onde não vejo matéria visível e palpável.

Eu não gosto de você...
Queria que fosse apenas meu personagem secundário,
Que eu posso matar e colocar no obituário,
Como um jovem desprezível e fracassado,
Mas meu amor, isso não é louvável,
Porque poderia estar criando uma cena icônica,
E isso seria uma coisa irônica,
Então peguei minha tesoura na mão,
E fiz você sangrar na minha poesia,
Só quero matá-lo.

By: Vicenzo Vitchella
Feito em 30 de junho de 2017.

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